FESTIVAL DO RIO 2026 - 11 DE OUTUBRO DE 2026 - CINE ODEON - CERIMONIA DE PREMIAÇÃO - FOTO CHRISTIAN RODRIGUES - capa

Festival do Rio 2026 celebra a reinvenção do cinema brasileiro em cerimônia de encerramento; veja os premiados

Foto: Christian Rodrigues
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Há um ritual que só a Cinelândia é capaz de orquestrar quando o cinema brasileiro decide se olhar no espelho sem vernizes e sem pudores. Ao longo de onze dias intensos, entre 1 e 11 de outubro de 2026, mais de 150 mil espectadores cruzaram as salas de exibição cariocas para testemunhar a força expressiva de 101 produções nacionais, das quais 45 disputavam lugar de honra nas mostras competitivas. Sob o teto clássico e acolhedor do Cine Odeon, na noite de encerramento da 28ª edição do Festival do Rio, o anúncio dos troféus revelou um painel cinematográfico que recusa a acomodação estética e elege a coragem como sua principal matéria-prima.

A cerimônia de premiação, conduzida com equilíbrio e elegância pela dupla de atores Vanessa Giácomo e Rafael Infante, selou a entrega do cobiçado Troféu Redentor e dos títulos das mostras paralelas, da crítica e dos júris internacionais. Sob a liderança da produtora espanhola Esther García na presidência do júri oficial da Première Brasil, o festival reconheceu narrativas que desenterram feridas sociais e erguem monumentos à imaginação.

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A soberania poética de A Margem do Rio e o vigor da Première Brasil

O grande protagonista da noite foi A Margem do Rio, ficção vigorosa dirigida por Enock Carvalho e Matheus Farias e realizada pela Gatopardo Filmes, que conquistou o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem de Ficção e também arrematou o prestigioso Prêmio Felix de Melhor Filme Brasileiro. A força visceral da obra ressoou nas decisões técnicas e artísticas do júri: o trabalho rendeu o prêmio de Melhor Fotografia a Luciana Baseggio, a estatueta de Melhor Som para a equipe formada por Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura, além do troféu coletivo de Melhor Atriz Coadjuvante para Renna Costa, Artia e Ísis Broken.

Na vertente do cinema documental, a reverência à memória sonora e cultural do país consagrou Elza, dirigido por Eryk Rocha e produzido pela parceria entre Aruac Filmes e Maria Farinha Filmes, laureado como Melhor Longa-Metragem Documentário.

Outro polo magnético da competição foi Vicentina Pede Desculpas, obra que carimbou a sensibilidade do cineasta Gabriel Martins, vencedor do prêmio de Melhor Direção de Ficção e de Melhor Roteiro, além de conquistar o carinho irrestrito do público ao arrematar o Troféu de Melhor Longa-Metragem de Ficção no Voto Popular. Nos documentários, a voz das ruas foi unânime em apontar Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo, como a obra predileta pelo júri popular.

A direção documental premiada pelo júri oficial coube a Camila Valença, pelo impacto plástico de Cão Sem Plumas, enquanto nos curtas-metragens da Première Brasil o troféu maior foi conferido a Santo, produção da UFO sob a direção de Maria Luísa Alves.

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MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO PREMIÈRE BRASIL - A MARGEM DO RIO - ENOCK CARVALHO E MATHEUS FARIAS FESTIVAL DO RIO 2026 - FOTO CHRISTIAN RODRIGUES
“A Margem do Rio” conquistou o Troféu Redentor (Foto: Christian Rodrigues)

O talento interpretativo e os caminhos da sensibilidade

No campo das atuações, o festival desenhou momentos de pura generosidade artística. O júri oficial optou por uma consagração compartilhada ao conceder o prêmio de Melhor Atriz ex aequo para duas forças dramáticas singulares: Isabel Teixeira, pela densidade arrebatadora de sua atuação em Diário do Fogo, e Grace Passô, que domina a tela com precisão cortante em A Professora de Francês. O longa estrelado por Grace Passô também foi laureado pela Trilha Sonora Original de Florencia Di Concilio e pelo trabalho de Pedro Goifman, eleito Melhor Ator Coadjuvante.

A interpretação masculina principal celebrou o talento de Victor di Marco pelo contundente LONDON, filme realizado em parceria com Márcio Picoli que também saiu vitorioso nas categorias de Melhor Figurino, assinado por Samy Sill, e Melhor Filme Brasileiro segundo a FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema).

O rigor da montagem também dividiu honras em um empate ex aequo entre a equipe de Cristina Amaral, Fabio Meira e Juliano Castro, por A Extraordinária Vida de Vera Valdez, e as montadoras Cristiane Oliveira e Tula Anagnostopoulos, por Ela Foi Ali Guardar o Coração na Geladeira. O visual urbano e rítmico de Funk garantiu a Ana Paula Cardoso o troféu de Melhor Direção de Arte, enquanto o Prêmio Especial do Júri foi outorgado a O Filho da Puta, assinado por Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite.

O frescor inquieto da Mostra Novos Rumos

Sob a presidência da montadora e diretora Karen Harley, o júri da Mostra Novos Rumos buscou sintonizar as vozes que desestabilizam certezas. O grande vencedor de Melhor Longa-Metragem foi Não Estamos Sonhando, do realizador Ulisses Arthur e da produtora Céu Vermelho Fogo Filmes, título que também rendeu o prêmio de Melhor Ator para Pedro Leão.

A delicadeza e a maturidade cênica de Nina Prado no drama O Deserto de Luiza garantiram a ela a estatueta de Melhor Atriz da mostra. O mesmo O Deserto de Luiza, conduzido por Alan Minas, conquistou a acolhida calorosa das plateias e levou o Troféu de Melhor Longa no Voto Popular.

A melhor direção foi atribuída a Thais Fujinaga por seu olhar em Talismã, enquanto entre os curtas-metragens brilhou Ondas de Silêncio, de Caio J. Bonfim (C-Bonfim Filmes). O júri ainda reservou um Prêmio Especial para saudar o elenco do curta Um Domingo, concebido por Maíra Bühler e Rô Albuquerque.

A diversidade do Prêmio Felix e os olhares da crítica

O cinema de temática LGBTQIA+ e direitos humanos encontrou no Prêmio Felix, presidido por Ericka Gavinho, uma vitrine de alcance global. Além da coroação de A Margem do Rio na seara nacional, o festival consagrou a produção internacional Em Segredo (À voix basse), da diretora Leyla Bouzid, e o pungente documentário Pai e Pai (Father, Father), de Jake Witzenfeld.

O Prêmio Especial do Júri coube à inventividade de Morfeu e Caronte, de Jocimar Dias Jr e Luiz Ulian, com menção honrosa conferida a Elefantes na Névoa (Tinīharū), de Abinash Bikram Shah. O troféu Suzy Capó, que anualmente homenageia a Personalidade do Ano, celebrou a trajetória de Rita Von Hunty / Guilherme Terreri.

O olhar da crítica estrangeira e as votações populares ampliaram as janelas de circulação internacional e televisiva. Na Mostra Expectativa, o voto popular premiou Maria Vitória, de Mário Patrocínio, que garantiu o Prêmio Aquisição TV Globo. Já na Première Latina, o favorito do público foi Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis Meses en el Edificio Rosa con Azul), de Bruno Santamaría Razo, que assegurou distribuição com o Prêmio Aquisição Telecine e levou também a distinção de Melhor Filme Latino pela FIPRESCI.

Por sua vez, a Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira premiou o longa Me deixa ser (Let Us Be), de Viviane D’Avilla, destinando menção honrosa a 144 – Apocalipse Não, de João Paulo Cuenca.

FESTIVAL DO RIO 2026 - DIA 10 DE OUTUBRO - ODEON - FOTO DAVI CAMPANA
Foto: Davi Campana

Relação completa dos vencedores do Festival do Rio 2026

Première Brasil – Júri oficial

  • Melhor longa-metragem de ficção: A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias (Gatopardo Filmes)
  • Melhor longa-metragem documentário: Elza, de Eryk Rocha (Aruac Filmes e Maria Farinha Filmes)
  • Melhor curta-metragem: Santo, de Maria Luísa Alves (Produtora UFO)
  • Melhor direção de ficção: Gabriel Martins, por Vicentina Pede Desculpas
  • Melhor direção de documentário: Camila Valença, por Cão Sem Plumas
  • Melhor ator: Victor di Marco, por LONDON
  • Melhor atriz (ex aequo): Isabel Teixeira, por Diário do Fogo, e Grace Passô, por A Professora de Francês
  • Melhor ator coadjuvante: Pedro Goifman, por A Professora de Francês
  • Melhor atriz coadjuvante: Renna Costa, Artia e Ísis Broken, por A Margem do Rio
  • Melhor roteiro: Gabriel Martins, por Vicentina Pede Desculpas
  • Melhor montagem (ex aequo): Cristina Amaral, Fabio Meira e Juliano Castro, por A Extraordinária Vida de Vera Valdez, e Cristiane Oliveira e Tula Anagnostopoulos, por Ela Foi Ali Guardar o Coração na Geladeira
  • Melhor fotografia: Luciana Baseggio, por A Margem do Rio
  • Melhor direção de arte: Ana Paula Cardoso, por Funk
  • Melhor figurino: Samy Sill, por LONDON
  • Melhor som: Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura, por A Margem do Rio
  • Melhor trilha sonora original: Florencia Di Concilio, por A Professora de Francês
  • Prêmio especial do júri: O Filho da Puta, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite

Première Brasil – Voto popular

  • Melhor longa-metragem de ficção: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins
  • Melhor longa-metragem documentário: Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo

Mostra Novos Rumos

  • Melhor longa-metragem: Não Estamos Sonhando, de Ulisses Arthur (Céu Vermelho Fogo Filmes)
  • Melhor curta-metragem: Ondas de Silêncio, de Caio J. Bonfim (C-Bonfim Filmes)
  • Melhor direção: Thais Fujinaga, por Talismã
  • Melhor atriz: Nina Prado, por O Deserto de Luiza
  • Melhor ator: Pedro Leão, por Não Estamos Sonhando
  • Prêmio especial do júri: Elenco do curta Um Domingo, de Maíra Bühler e Rô Albuquerque
  • Melhor longa (voto popular): O Deserto de Luiza, de Alan Minas

Prêmio Felix

  • Melhor filme brasileiro: A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias
  • Melhor filme internacional: Em Segredo (À voix basse), de Leyla Bouzid
  • Melhor documentário: Pai e Pai (Father, Father), de Jake Witzenfeld
  • Prêmio especial do júri: Morfeu e Caronte, de Jocimar Dias Jr e Luiz Ulian
  • Menção honrosa: Elefantes na Névoa (Tinīharū), de Abinash Bikram Shah
  • Prêmio Suzy Capó (Personalidade do Ano): Rita Von Hunty / Guilherme Terreri

Mostras paralelas e prêmios da crítica

  • Mostra Expectativa (Prêmio Aquisição TV Globo – Voto do Público): Maria Vitória, de Mário Patrocínio
  • Mostra Première Latina (Prêmio Aquisição Telecine – Voto do Público): Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis Meses en el Edificio Rosa con Azul), de Bruno Santamaría Razo
  • Prêmio FIPRESCI (Melhor Filme Brasileiro): LONDON, de Victor di Marco e Márcio Picoli
  • Prêmio FIPRESCI (Melhor Filme Latino): Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis Meses en el Edificio Rosa con Azul), de Bruno Santamaría Razo
  • Prêmio Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (Melhor Filme): Me deixa ser (Let Us Be), de Viviane D’Avilla
  • Prêmio Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (Menção Honrosa): 144 – Apocalipse Não, de João Paulo Cuenca
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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