Confira a crítica do filme "Verdadeira Identidade", suspense japonês de 2024 disponível para assistir na Netflix
Críticas

Thriller japonês ‘Verdadeira Identidade’ prende pela ambiguidade

Compartilhe

O filme “Verdadeira Identidade”, que chega à Netflix, é um thriller japonês que mergulha na complexidade da identidade e da percepção. Com uma abordagem fragmentada e não-linear, o longa desafia o espectador a reconstruir a verdade por trás do protagonista, Kaburagi, um jovem condenado por um crime hediondo que foge da prisão e se torna um foragido.

A obra brinca com a noção de que a verdade nunca é absoluta e se molda às experiências e preconceitos de quem a interpreta. Dirigido pelo mesmo cineasta de 18 Anos Depois (2024) e A Jornalista (2019), e baseado no livro Shotai, de Somei Tamehito, “Verdadeira Identidade” entrega um suspense envolvente, tenso e repleto de camadas psicológicas.

Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse do filme Verdadeira Identidade (2024)

Após ser condenado por um crime brutal, Kaburagi consegue escapar da prisão e passa 488 dias fugindo, sem deixar rastros. Enquanto isso, o detetive Matanuki está determinado a capturá-lo, interrogando diversas pessoas que supostamente cruzaram o caminho do fugitivo. Porém, cada depoimento traz uma versão diferente de Kaburagi: ora um jovem gentil e confuso, ora um homem frio e manipulador.

A cada pista, a identidade do protagonista se torna mais nebulosa, transformando a investigação em um quebra-cabeça psicológico. Quem é Kaburagi de verdade? Um inocente injustiçado ou um criminoso astuto que sabe se reinventar?

Você também pode gostar disso:

+ ‘Covil de Ladrões 2’ traz Gerard Butler em sequência de ação de luxo

+ ‘O Homem do Saco’ prova que nem toda lenda merece ganhar vida no cinema

+ ‘Os Dois Hemisférios de Lucca’ transcende a história de uma família

Crítica de Verdadeira Identidade, da Netflix

A grande força de “Verdadeira Identidade” está na maneira como desafia a percepção do público. O filme constrói sua narrativa como uma série de testemunhos contraditórios, onde ninguém enxerga Kaburagi da mesma forma. Essa abordagem não apenas sustenta o mistério, mas também coloca o espectador no papel de detetive, forçando-o a interpretar as diferentes versões dos fatos.

Kaburagi é um personagem fascinante justamente porque nunca se define completamente. Ele assume diferentes identidades, se adapta às situações e, dependendo do ponto de vista de cada personagem, pode parecer tanto uma vítima quanto um manipulador. O roteiro se aproveita dessa ambiguidade para criar um jogo psicológico tenso e envolvente, onde cada nova cena pode subverter tudo o que foi visto antes.

A direção valoriza essa fluidez ao trabalhar com enquadramentos que obscurecem o rosto do protagonista, seja em sombras, reflexos ou ângulos que o tornam menos reconhecível. A fotografia também colabora para reforçar a dualidade do filme, contrastando os cenários urbanos, onde Kaburagi se esconde na multidão, com paisagens rurais desoladas, onde a fuga se torna mais arriscada.

O detetive Matanuki é um contraponto interessante ao protagonista. Obstinado e metódico, ele não se deixa levar por emoções, mas enfrenta desafios que vão além da caçada: a falta de respostas concretas, a influência de testemunhas não confiáveis e o próprio sistema de justiça japonês, que se mostra falho e enviesado.

Repetição

No entanto, nem tudo funciona perfeitamente. A insistência em repetir a dinâmica de depoimentos contraditórios torna alguns momentos previsíveis e até cansativos. Além disso, o filme introduz subtramas que prometem profundidade, mas que acabam abandonadas sem resolução. Apesar disso, a estrutura não convencional e o ritmo cadenciado garantem uma experiência intrigante para quem aprecia narrativas que exigem atenção e paciência.

Outro ponto que merece destaque é a trilha sonora sutil, que não tenta manipular as emoções do público, mas sim potencializar a sensação de incerteza. O silêncio, em muitos momentos, se torna mais impactante do que qualquer música dramática.

Conclusão

“Verdadeira Identidade” é um thriller psicológico que desafia a forma como enxergamos a verdade e a identidade. Sem respostas fáceis, o filme envolve o espectador em um jogo de percepção onde a única certeza é a dúvida. Com um roteiro inteligente, boas atuações e uma direção cuidadosa, a obra se destaca ao explorar os limites entre realidade e suposição.

Apesar de alguns tropeços no ritmo e no desenvolvimento de certos elementos narrativos, “Verdadeira Identidade” se mantém intrigante do início ao fim. Para aqueles que gostam de mistérios que se desenrolam de forma subjetiva e exigem do público uma participação ativa, este é um filme que vale a pena ser conferido.

Siga o Flixlândia nas redes sociais

Instagram

Twitter

TikTok

YouTube

Onde assistir ao filme Verdadeira Identidade?

O filme está disponível para assistir na Netflix.

Trailer de Verdadeira Identidade (2025)

Elenco de Verdadeira Identidade, da Netflix

  • Ryusei Yokohama
  • Riho Yoshioka
  • Shintaro Morimoto
  • Anna Yamada
  • Takayuki Yamada
  • Gouki Maeda
  • Naomi Nishida
  • Takashi Yamanaka
  • Shohei Uno
  • Taro Suruga

Ficha técnica do filme Verdadeira Identidade

  • Título original: Shoutai
  • Direção: Michihito Fujii
  • Roteiro: Michihito Fujii, Kazuhisa Kotera
  • Gênero: suspense, policial
  • País: Japão
  • Ano: 2024
  • Duração: 120 minutos
  • Classificação: 14 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas

Artigos relacionados
Leia a crítica do filme One Hit Wonder, da Netflix (2025) - Flixlândia
Críticas

‘One Hit Wonder’ é uma melodia nostálgica que não toca o coração

O cinema, assim como a música, tem a capacidade de nos transportar...

Críticas

‘Bambi: Uma Aventura na Floresta’ revisita o clássico sem CGI

‘Bambi: Uma Aventura na Floresta’ chega aos cinemas como uma adaptação em...

Leia a crítica do filme Os Roses (2025) - Flixlândia
Críticas

‘Os Roses’: remake de clássico oitentista aposta no humor britânico da dupla principal

Com os constantes flops de filmes de “hominho” no cinema, Hollywood parece...

Crítica do filme Planeta dos Solteiros - Aventura na Grécia, da Netflix (2025) - Flixlândia
Críticas

‘Planeta dos Solteiros: Aventura na Grécia’ ou férias sob o sol da paranoia

A franquia polonesa de comédia romântica “Planeta dos Solteiros”, um fenômeno de...

Críticas

Rosario: quando o terror assusta pelo estereótipo batido

Estreando no cinema de longas-metragens, o diretor Felipe Vargas propõe em ‘Rosário’...

Crítica do filme A Seita, com Eric Bana, da HBO Max (2025) - Flixlândia (1)
Críticas

‘A Seita’ é um ritual sem sentido

Em meio a uma enxurrada de thrillers psicológicos que buscam explorar as...

Crítica do filme A Mãe e a Maldição, da Netflix (2025) - Flixlândia
Críticas

‘A Mãe e a Maldição’ tenta ser muitas coisas, mas não consegue nenhuma delas

O cinema de horror indiano tem experimentado um renascimento fascinante nos últimos...

‘O Último Azul’ filme com Rodrigo Santoro é aplaudido durante estreia no Festival de Berlim 2025
Críticas

‘O Último Azul’: drama brasileiro discute etarismo e muito mais

São tantas camadas a serem discutidas em “O Último Azul” que uma...