Milla Jovovich está de volta e, como era de se esperar, distribuindo muita pancada. O filme “Vingadora” (Protector), dirigido por Adrian Grunberg, traz a eterna estrela da franquia Resident Evil para o centro de uma trama que mistura drama familiar, vingança e resgate.
Embora a premissa grite a plenos pulmões que estamos diante de mais uma cópia de “Busca Implacável”, o longa tenta se diferenciar entregando uma brutalidade extrema e levantando discussões sobre o trauma dos veteranos de guerra, dividindo bastante a opinião de quem assiste.
Sinopse
A história acompanha Nikki (Jovovich), uma veterana de guerra e ex-militar de operações especiais que volta para casa com o objetivo de tentar se reconectar com sua filha adolescente, Chloe (Isabel Myers). A paz dura pouquíssimo: no dia do seu aniversário de 16 anos, a garota foge para uma balada e acaba caindo nas garras de uma rede violenta de tráfico humano conhecida como “O Sindicato”.
Correndo contra um relógio implacável de 72 horas para encontrar a filha viva, Nikki decide que não dá para confiar no ritmo da polícia local e inicia uma caçada sangrenta pelos criminosos, o que acaba atraindo a atenção das autoridades e do seu antigo mentor, o Coronel Lavelle (Matthew Modine).
Crítica do filme Vingadora (2026)
A força de Milla Jovovich
O ponto mais alto de “Vingadora”, sem sombra de dúvidas, é o empenho físico e emocional de Milla Jovovich. Ela não faz da sua protagonista apenas uma máquina de matar de uma nota só; a atriz consegue transparecer a vulnerabilidade e o cansaço do campo de batalha através dos olhos de uma mãe desesperada.
É muito bacana e refrescante ver uma mulher assumindo esse arquétipo de “mãe durona” que vai até as últimas consequências, quebrando aquele teto de vidro dos filmes de resgate dominados por homens, como Liam Neeson, Gerard Butler ou Jason Statham. A jornada dela é o que mantém o público investido.
Ação visceral ou confusão visual?
Se o que você procura é ver sangue voando, orelhas sendo arrancadas e criminosos apanhando feio, o longa não economiza em nada na violência. A ação, capitaneada pelo diretor Grunberg (que já tinha feito algo semelhante em Rambo: Até o Fim), tenta ser crua, visceral e super bombástica.
Contudo, a execução técnica dessa pancadaria escorrega feio em diversos momentos. A montagem das lutas carece de ritmo, com cortes confusos e cenas tão mal iluminadas que você mal consegue entender quem está batendo em quem, parecendo até o trabalho de um novato tentando filmar coreografias de combate.
Roteiro cheio de clichês e um plot twist polêmico
O grande tendão de Aquiles do filme, no entanto, é o roteiro escrito por Bong-Seob Mun. Cheio de diálogos super expositivos e uma narração em voice-over da própria Nikki que beira a cafonice, o filme tenta explicar detalhadamente cada tática militar, como se duvidasse da inteligência de quem está assistindo. A história repete muitos clichês batidos do gênero e tropeça em uma subtrama de investigação policial que soa totalmente artificial.
E, para fechar o pacote, o terceiro ato lança um “plot twist” no colo do público que polariza qualquer discussão. Enquanto algumas pessoas podem achar a reviravolta inteligente e até a compará-la à genialidade do clássico Amnésia, outras devem considerar apelativa, cruel e de muito mau gosto, esvaziando a carga dramática que havia sido construída. Tirem suas próprias conclusões.
Conclusão
No fim das contas, “Vingadora” é aquele típico entretenimento para você desligar o cérebro um pouco num final de semana. Ele sofre demais com escolhas narrativas questionáveis, um roteiro fraco e uma direção que, por vezes, não consegue organizar a própria ação.
Mas se a sua vontade for apenas ver Milla Jovovich quebrando ossos, sendo uma verdadeira força da natureza e punindo vilões detestáveis do submundo, o filme entrega exatamente a cota de tiro, porrada e bomba que promete.
Elenco do filme Vingadora (2026)
- Milla Jovovich
- Matthew Modine
- D.B. Sweeney
- Michael Stahl-David
- Michael Ferragamo
- Don Harvey
- Brooklyn Sudano
- Isabel Myers













