Depois de uma primeira temporada histórica que explodiu cabeças e redefiniu o que esperamos de animações de super-heróis, a segunda temporada de X-Men ’97 chegou com o peso de expectativas quase impossíveis.
Se a primeira metade deste segundo ano nos deu episódios espetaculares focados na ascensão de Apocalipse, o encerramento traz uma mistura agridoce de sentimentos. O episódio entrega o ápice da ação desenfreada e do melodrama de sábado de manhã que tanto amamos, mas também expõe as dores de crescimento de uma série refém de seu próprio ritmo hiperacelerado.
É um final que atinge as notas certas de emoção, mas que tropeça na pressa de resolver sua maior ameaça em minutos para preparar o terreno para a já confirmada terceira temporada.
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Sinopse
O episódio começa com o pé no acelerador. A equipe X-Force, liderada por Cable, une forças com o X-Factor de Valerie Cooper para invadir o novo quartel-general dos X-Men, a X-Corps Tower. O objetivo deles é drástico: rastrear a energia celestial de Apocalipse e matar o recém-ressuscitado Gambit, que serve como hospedeiro para a essência do vilão, antes que o tirano tome o controle definitivo.
Enquanto os mutantes se enfrentam em uma batalha campal, Vampira, Fera e Noturno viajam até a nave espacial de Apocalipse em busca de uma cura. Lá, Vampira entra no santuário celestial e confronta o imponente Eson, o Buscador. Disposta a tudo para salvar seu amado, Vampira aceita se sacrificar em troca de poder cósmico para libertar Remy. Ela emerge como uma “Jardineira Celestial”, brilhando em energia dourada.
De volta à torre, o conflito físico e familiar atinge o ápice quando Cable desarma o próprio pai, Ciclope, provocando uma explosão devastadora e atirando na cabeça de Gambit. O ato desesperado dá errado e desperta o terrível “Gampocalipse“, uma fusão monstruosa de Remy com o visual clássico do vilão e um sorriso macabro. Quando tudo parece perdido, Rogue surge e, com um único toque, drena a essência de Apocalipse, prendendo-a na joia Coração da Escuridão Eterna (que ela entrega a Cable).
No entanto, o beijo de reencontro de Rogue e Gambit revela que a vida de Rogue foi poupada por um sacrifício ainda maior: Noturno interveio silenciosamente e entregou sua própria alma ao Celestial para “completar” o pacto de sua irmã, partindo em uma explosão de luz guiado por sua inabalável fé católica. Nos pós-créditos, o cenário político desaba com a eleição do antimutante Graydon Creed como presidente dos EUA, culminando na revelação chocante de que Valerie Cooper vinha sendo imitada por Mística, que ataca a verdadeira Val e declara guerra aberta ao governo americano.
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Crítica do episódio 9, final da temporada 2 de X-Men ’97
Pancadaria mutante e delírio visual dos anos 90
Se há algo que o final da temporada faz com maestria, é entregar o mais puro suco de ação de quadrinhos clássicos. O confronto entre os X-Men, a X-Force e o X-Factor na X-Corps Tower é um espetáculo visual dinâmico e extremamente divertido. Os animadores dão um show ao destacar os conjuntos de poderes de cada personagem em tela: o duelo de absorção cinética entre Strong Guy e Bishop é brilhante, a força descomunal de Lorna e as acrobacias aéreas de Jubileu contra Havok são empolgantes.
Mas a coroa das lutas vai para os momentos de pura criatividade nerd, como o hilário trabalho em equipe de Wolverine e Morfo, com este último se transformando no clássico Doutor Octopus dos anos 90 (um aceno fantástico ao universo animado da época) para desorientar Psylocke e Anjo. A tensão dramática atinge seu pico quando a luta se torna pessoal: Jean Grey implorando para que seu filho, Cable, pare de lutar, apenas para o soldado futurista arrancar o visor de seu pai, Ciclope, desencadeando uma rajada óptica incontrolável que destrói a estrutura do prédio. É o melodrama mutante operando em sua frequência máxima.

A pressa é inimiga da perfeição divina (e mutante)
Infelizmente, o grande trunfo visual do episódio também revela seu maior ponto fraco. Após uma temporada inteira construindo o mistério e o perigo em torno do retorno de Apocalipse — que se provou uma ameaça devastadora ao vaporizar Magneto nos episódios iniciais —, a grande resolução do vilão dura pouco menos de três minutos em tela.
A transformação de Gambit em Gampocalipse é esteticamente incrível, fundindo o charme cajun com a imponência de um deus egípcio cibernético. No entanto, sua derrota é tão conveniente e rápida que chega a ser frustrante. Vampira surge com seus poderes de Super Saiyajin Celestial e resolve a situação em um piscar de olhos, sugando a essência do vilão e enfiando-o em uma joia que ela simplesmente joga no colo de Cable com um comentário casual.
Essa velocidade descontrolada esvazia o peso dramático do vilão histórico. O plano milenar de Apocalipse acaba reduzido a uma rápida invasão corporal e uma briga de rua de poucos minutos. O embate ideológico entre ele e o Professor Xavier sobre a evolução e a sobrevivência do mais forte é reduzido a discursos genéricos sobre amor e união que não carregam a complexidade das nuances vistas na primeira temporada. Faltou espaço para o vilão respirar e impor o terror que merecia.
O sacrifício de Noturno: o verdadeiro coração do episódio
Por outro lado, onde o roteiro falha na escala cósmica, ele triunfa no aspecto íntimo e emocional. A dinâmica entre Noturno e Vampira tem sido um dos pontos mais altos e sinceros desta segunda temporada. Por isso, a revelação de que Kurt Wagner enganou o Celestial para tomar o lugar de sua irmã no sacrifício final bate como um soco no estômago.
A cena de Kurt diante de Eson, o Buscador é belíssima em sua simplicidade: sem trilha sonora grandiosa, apenas o eco de sua voz calma e sua Bíblia deixada para trás com Fera. Ao afirmar que sua morte não é um desafio ao pacto, mas a conclusão de uma semente de amor que inspirará a união dos mutantes, o elfo católico entrega a essência mais pura do heroísmo. Embora doa ver o mutante que teve menos tempo de tela na série clássica ser sacrificado tão cedo, sua partida é tratada com um respeito litúrgico que salva o episódio de ser apenas um amontoado de explosões vazias.
Intrigas políticas e o retorno triunfal da “mamãe”
O encerramento do episódio prova que X-Men ’97 ainda sabe como criar ganchos de cair o queixo. A vitória física contra Apocalipse é imediatamente soterrada por uma derrota política avassaladora com a eleição de Graydon Creed. A mudança nos rumos do país abre as portas para uma terceira temporada muito mais focada na paranoia governamental e na perseguição aos mutantes.
E a cena pós-créditos é a cereja do bolo. O confronto entre as duas Valerie Coopers e a revelação de que Mística estava fingindo ser a oficial do governo amarra pontas soltas brilhantes (como o gato com estampa de diamante que apareceu no escritório de Val episódios atrás). O assassinato cruel da verdadeira Val nas mãos de Mística restabelece a vilã clássica em sua forma mais implacável e egoísta, prometendo uma dinâmica familiar distorcida e explosiva com seus filhos Vampira, Graydon e Dentes-de-Sabre no futuro.
Conclusão
O episódio 9 da temporada 2 de X-Men ’97 é uma montanha-russa emocional de 23 minutos que entrega diversão espetacular, mas que sofre com o “problema do terceiro ato” que assombra tantas produções modernas da Marvel. A animação impecável, as referências deliciosas aos anos 90 e o sacrifício profundamente tocante de Noturno garantem que o finale seja memorável.
Contudo, a facilidade com que um vilão do calibre de Apocalipse foi despachado deixa um gosto de “quero mais” e uma sensação de que a pressa narrativa acabou sabotando o que poderia ter sido um clássico absoluto. Ainda assim, com Mística infiltrada no poder e Graydon Creed na presidência, o tabuleiro para a 3ª temporada está mais perigoso e instigante do que nunca. É um encerramento sólido que mantém nossa chama de fã acesa, mesmo que com alguns arranhões na armadura.
Onde assistir à série X-Men ’97?
- Disney+
Trailer da temporada 2 de X-Men ’97
Elenco de X-Men ’97, do Disney+
- Ray Chase (Ciclope)
- Jennifer Hale (Jean Grey)
- Alison Sealy-Smith (Tempestade)
- Cal Dodd (Wolverine)
- Ross Marquand (Apocalipse / Professor X)
- Matthew Waterson (Magneto)
- Lawrence Bayne (Cable)
Ficha técnica
- Título Original: Survival of the Fittest
- Série: X-Men ’97 (Temporada 2, Episódio 9)
- Direção/Showrunner: Sob supervisão da nova equipe de produção da Marvel Animation (baseado nos roteiros planejados de Beau DeMayo)
- Vozes Principais (Elenco Original): Lenore Zann (Rogue), A. J. LoCascio (Gambit), Adrian Hough (Nightcrawler), Ross Marquand (Apocalypse / Xavier), Chris Potter (Cable), Catherine Disher (Valerie Cooper / Mística)
- Estúdio: Marvel Animation
- Distribuição / Exibição: Disney+
- Duração: 23 minutos

















