No ecossistema cultural do Rio de Janeiro, a criação autoral e independente frequentemente encontra nas brechas do mapa urbano os seus verdadeiros palcos de transformação. Entre os dias 23 e 24 de outubro, o templo do underground carioca, a Audio Rebel, em Botafogo, recebe o 5º Festival Rockarioca. A empreitada celebra seis anos de (r)existência contínua de um coletivo que se recusa a sucumbir às lógicas passageiras do mercado. Com uma curadoria afiada que condensa três apresentações por noite, o evento se consolida como uma radiografia viva da música independente feita no estado.
Com uma escrita estética que transita com fluidez entre o lirismo literário, o rigor do rock alternativo dos anos 1990 e a fúria contestatória do punk rock, o 5º Festival Rockarioca traz ao público um panorama de artistas que equilibram relevância histórica e inquietude criativa.
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Veja a programação do 5º Festival Rockarioca
Ao longo de seis anos de trajetória comunitária, o coletivo Rockarioca estruturou uma rede orgânica de apoio mútuo entre compositores, instrumentistas e produtores da cena carioca. A escolha da Audio Rebel como sede permanente dessa celebração não é casual: o espaço tornou-se um refúgio histórico para a experimentação sonora e para a afirmação do rock autoral longe das amarras corporativas.
A edição deste ano celebra esse sexto aniversário redefinindo o palco não apenas como espaço de entretenimento, mas como um manifesto estético em dois atos repletos de obras inéditas, comemorações de álbuns emblemáticos e retornos solo aguardados há anos.
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Sexta-feira, 23 de outubro
A noite de abertura do festival estabelece um diálogo profundo entre as múltiplas fases da produção independente, indo da arte conceitual multimídia ao power pop contagiante.
Alex Frechette e a inquietude conceitual de Objeto Olehin
A programação tem início às 20h com a apresentação do vocalista, guitarrista e artista visual Alex Frechette. Ativo na cena desde os anos 2000 — quando liderou a banda Noitibó e posteriormente o projeto Cartas à Julie-Marie —, o músico trilha uma carreira solo marcada pelo diálogo interdisciplinar entre som e artes plásticas. Após os lançamentos de Livro Kelppra (2024), Que Diabos! (2025) e Maquinarium (janeiro de 2026), o artista lança no dia 23 de outubro o seu quarto álbum solo, intitulado Objeto Olehin.
No novo trabalho, Alex Frechette costura temas centrais de suas obras anteriores, refletindo sobre a condição do artista contemporâneo diante do avanço da inteligência artificial, da pressão do sistema produtivo e das ameaças ao Estado laico. O catálogo do artista está disponível para audição no perfil do Alex Frechette no Spotify.

Os Duartes e a ponte entre o rock dos anos 90 e o power pop
Na sequência, às 20h45, o trio Os Duartes assume o palco apresentando uma prévia do seu primeiro álbum de estúdio. Formada por Otaner La Cumbuca (guitarra e voz), Greg Ventura (baixo e vocais) e Rodrigo Garcia (bateria), a banda toma o rock alternativo noventista como ponto de partida, desaguando em dinâmicas energéticas que passeiam do power pop ao punk rock.
O álbum de estreia do grupo conta com a produção musical de Melvin Ribeiro e traz participações especiais de peso na cena carioca, como o baterista Bacalhau (com passagens por Planet Hemp e Autoramas, atualmente na Korja) e a cantora Guidi Vieira. Uma amostra dessa energia pode ser conferida no canal dos Duartes no YouTube.

Pic-Nic e o amadurecimento de uma trajetória autoral
Encerrando o primeiro dia às 21h30, a veterana banda Pic-Nic apresenta um repertório que atravessa seus quatro discos lançados e antecipa canções do próximo álbum. Surgido em 2001 no Rio de Janeiro, o quinteto construiu uma sólida presença na mídia e nos palcos brasileiros na década de 2000, lançando os trabalhos Pic-Nic (2002) e Feito em casa (2004). Após um hiato iniciado em 2007, a banda retornou em 2021 com o disco 2007 e consolidou essa nova fase com o maduro Volta (2025), gravado no estúdio Marini.
Produzido por Miguel Afonso e Paulo Gehm, o álbum Volta sintetiza influências que vão da disco music ao folk, contando ainda com a participação do rapper Ramonzin. As performances do grupo estão registradas no canal da Pic-Nic no YouTube.

Sábado, 24 de outubro
A segunda noite do 5º Festival Rockarioca é dedicada à interseção entre a literatura, a celebração de efemérides marcantes e a formação de supergrupos no underground carioca.
Enzo Banzo: a literatura e a canção em voz e violão
A partir das 20h, o músico, escritor e pesquisador mineiro radicado no Rio de Janeiro Enzo Banzo apresenta um show intimista em formato de voz e violão. Com mais de duas décadas de estrada à frente da banda Porcas Borboletas — com a qual dividiu palcos com nomes como Arnaldo Antunes, Paulo Miklos e Arrigo Barnabé —, o artista traz ao festival o repertório de seus dois álbuns solo: Canção Escondida (2017) e Amor de AM (2021).
Doutor em Estudos Literários e pós-doutorando na UERJ com bolsa FAPERJ, Enzo Banzo transita entre a poesia musicada — adaptando textos de Camões, Drummond, Leminski e Clara Averbuck — e a boemia cancioneira, além de reinterpretar canções acústicas do Porcas Borboletas. As produções do compositor podem ser exploradas no linktr.ee oficial de Enzo Banzo.

Gilber T e a celebração de uma década do álbum Contradições
Às 20h45, o compositor e produtor Gilber T sobe ao palco acompanhado pela banda Os Latinos Dançantes para celebrar os dez anos do álbum Contradições (2016). O trabalho, reconhecido como o auge da experimentação do artista ao reunir 26 convidados de diferentes vertentes musicais, será executado na íntegra.
Com uma trajetória versátil que inclui trilhas para produções como Arcanjo Renegado, O Jogo que Mudou a História e Elvis e Madonna, além de parcerias com BNegão e Gerson King Combo, Gilber T é acompanhado por João Pinaud (baixo), Augusto Feres (guitarra), Amin El-Kouri (bateria) e André Colares (teclas, trompete e sampler). O show relembra também o projeto independente em conjunto com o livro Brodagens, do jornalista e escritor Pedro de Luna. A discografia completa do artista está disponível no catálogo de Gilber T no Spotify.

Homobono e a estreia solo com banda estelar
Encerrando o evento às 21h30, o suburbano carioca Homobono retoma sua carreira solo em uma apresentação inédita acompanhado por uma banda completa. Vocalista e guitarrista do Djangos — grupo de ska e punk rock que ganhou projeção nacional nos anos 1990 — e cofundador do projeto Disstantes ao lado de Gilber T, o músico celebra uma nova fase criativa.
Após explorar linguagens eletrônicas no EP 21 de Março de 1973, Homobono sobe ao palco respaldado por um time estelar de músicos da cena carioca: Melvin Ribeiro, Riva, Jomar e Noro. As faixas do artista podem ser ouvidas no catálogo de Homobono no Spotify.

Onde comprar ingressos para o 5º Festival Rockarioca
A garantia de presença para as duas noites do festival pode ser feita antecipadamente. A aquisição dos convites está disponível através da plataforma oficial ingressos antecipados no Sympla. Os ingressos já se encontram no 2º lote ao preço de R$ 40.
Serviço do 5º Festival Rockarioca
| Informação | Detalhes do Evento |
|---|---|
| Evento | 5º Festival Rockarioca (Comemoração de 6 anos do coletivo Rockarioca) |
| Datas | Sexta-feira, 23 de outubro e Sábado, 24 de outubro |
| Local | Audio Rebel (Rua Visconde de Silva, 55 — Botafogo, Rio de Janeiro) |
| Line-up — Sexta (23/10) | • 20h00: Alex Frechette (Lançamento do álbum Objeto Olehin) • 20h45: Os Duartes (Apresentação do 1º álbum) • 21h30: Pic-Nic (Músicas dos 4 discos e inéditas) |
| Line-up — Sábado (24/10) | • 20h00: Enzo Banzo (Voz e violão — discos solo e Porcas Borboletas) • 20h45: Gilber T & Os Latinos Dançantes (10 anos do disco Contradições) • 21h30: Homobono & Banda (Estreia solo com banda completa) |
| Ingressos | Disponíveis online via Sympla |
| Preços | R$ 40 (segundo lote) |















