Sabe quando a A24, aquela produtora queridinha dos cinéfilos por filmes como Hereditário e A Bruxa, resolve dar uma “aloprada”? Pois é, A Morte de Um Unicórnio (2025) é exatamente esse momento. Deixando de lado o horror psicológico denso, o estúdio aposta em uma premissa bizarra que mistura fantasia, comédia ácida e uma pitada de eco-horror.
Dirigido pelo estreante Alex Scharfman, o filme chega com um elenco de peso — Paul Rudd e Jenna Ortega — e uma promessa curiosa: transformar o símbolo máximo da pureza em um instrumento de vingança sangrenta contra a elite econômica. Mas será que essa mistura funciona ou o filme se perde no próprio deboche?
Sinopse
A trama acompanha Elliot (Paul Rudd) e sua filha adolescente Ridley (Jenna Ortega) em uma viagem de carro rumo a um retiro corporativo na propriedade isolada de seu chefe bilionário, Odell Leopold (Richard E. Grant). A tensão entre pai e filha, marcada pelo luto da mãe, é interrompida por um acidente brusco: eles atropelam e matam um unicórnio.
Ao chegarem na mansão com a carcaça do animal, a situação escala rapidamente. A família Leopold, dona de uma gigante farmacêutica, descobre que o sangue e o chifre da criatura possuem propriedades milagrosas de cura — eliminando desde acne até câncer terminal em instantes.
Movidos pela ganância, eles decidem explorar o animal como um novo recurso “natural”, ignorando os avisos de Ridley e as lendas antigas. O problema? O unicórnio morto não estava sozinho, e seus pais, bestas furiosas e indestrutíveis, surgem da floresta buscando vingança e resgate.
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Crítica do filme A Morte de Um Unicórnio
A sátira social: óbvia, mas necessária
O filme não tenta ser sutil. A estrutura narrativa é uma sátira direta ao capitalismo predatório e à forma como grandes corporações (aqui representadas pela família Leopold) tratam a natureza apenas como mercadoria. Os vilões são caricatos de propósito: Richard E. Grant e Téa Leoni interpretam o casal de bilionários que discursa sobre filantropia enquanto planeja esquartejar uma criatura mítica para lucrar.
Embora a crítica à “elite econômica” seja válida, ela soa um pouco batida e superficial em alguns momentos, lembrando produções recentes como O Menu ou Triângulo da Tristeza, mas sem a mesma profundidade. O roteiro de Scharfman martela tanto na tecla de que “ricos são maus” que, por vezes, esquece de desenvolver melhor as motivações, tornando os antagonistas quase desenhos animados de vilania.

Terror de “My Little Pony” ou gore de verdade?
Aqui temos o ponto mais divisivo do filme: os efeitos visuais. Quando o filme utiliza animatrônicos e efeitos práticos para mostrar os unicórnios e a violência gráfica, ele brilha e consegue entregar aquele impacto visceral que os fãs de horror gostam.
Porém, o uso do CGI (computação gráfica) é irregular e, em muitas cenas — especialmente nas diurnas ou de movimentação rápida —, os unicórnios parecem sair diretamente de um desenho animado ruim ou de um filme B de baixo orçamento (o que talvez seja proposital? 🤔).
No entanto, essa inconsistência visual atrapalha a imersão. É difícil sentir medo de uma ameaça que, visualmente, lembra um “My Little Pony” mal renderizado galopando na neblina. O filme tenta compensar isso com momentos de gore (violência sangrenta), como perfurações por chifres, mas a oscilação entre o ridículo e o assustador nem sempre funciona a favor da narrativa.
O elenco segura as pontas
Se o roteiro e os efeitos tropeçam, o elenco faz um esforço hercúleo para manter o filme nos trilhos. Jenna Ortega, como sempre, entrega carisma, interpretando Ridley como a bússola moral da história e a única que parece entender a gravidade mística da situação, embora sua personagem seja muitas vezes limitada a reagir aos erros dos adultos.
Paul Rudd sai da sua zona de conforto de “cara legal e engraçado” para viver um homem submisso e inseguro, desesperado para agradar o chefe, o que gera uma dinâmica interessante, ainda que frustrante, com a filha. Mas quem rouba a cena é Will Poulter no papel de Shepard Leopold. Ele consegue equilibrar o tom cômico e detestável do herdeiro mimado, entregando as falas mais eficazes do roteiro. É nas interações desse elenco que o filme encontra seus melhores momentos, superando a direção insegura.
Um final ambíguo e cósmico
O terceiro ato do filme abraça o caos total, com direito a ressurreições místicas e um massacre na propriedade. O desfecho evita respostas fáceis, deixando em aberto o destino de Elliot e Ridley após um ataque final dos unicórnios à viatura policial onde eles estão.
Essa ambiguidade é um toque interessante que reforça o aspecto de “fábula sombria” e a ideia de que a natureza (os unicórnios) não está ali para servir ou salvar os humanos, mas para manter seu próprio equilíbrio, custe o que custar.
Conclusão
A Morte de Um Unicórnio é uma “bobagem estranha” com o selo de qualidade (e esquisitice) da A24. Funciona melhor se você encará-lo como uma comédia ácida sobre a estupidez humana diante do desconhecido do que como um filme de terror legítimo. Apesar dos defeitos visuais gritantes e de uma sátira que poderia ser mais afiada, ele diverte pela originalidade da premissa e pelo esforço do elenco.
Não é o novo clássico do “pós-horror”, mas é uma opção curiosa para quem quer ver Paul Rudd e Jenna Ortega lidando com cavalos assassinos e bilionários sem noção. Se você gosta de filmes que abraçam o absurdo, vale o play no streaming.
Onde assistir ao filme A Morte de um Unicórnio?
Trailer de A Morte de um Unicórnio (2025)
Elenco do filme A Morte de um Unicórnio
- Jenna Ortega
- Paul Rudd
- David Pasquesi
- Anthony Carrigan
- Richard E. Grant
- Téa Leoni
- Will Poulter
















