Crítica do filme A Prisioneira de Bordeaux (2025) - crédito Autoral Filmes (1)

‘A Prisioneira de Bordeaux’: sororidade somente até certo ponto

Foto: Autoral Filmes / Divulgação
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Algumas das discussões mais infrutíferas é o assim chamado “bingo da opressão”. Diversos grupos buscando protagonismo para suas pautas, esquecendo o quanto indivíduos são plurais, e que certas diferenças podem ser toleradas e aceitas, mas sempre estão lá, causando um certo incômodo. No caso, as diferenças sociais vão um pouco além das outras, afinal, dinheiro, no mundo atual, é um diferencial de poder que pode decidir quem vive ou morre. 

Em “A Prisioneira de Bordeaux”, que estreou nos cinemas nesta quinta-feira (7), a amizade de duas mulheres, cujo abismo social é um reflexo do neoliberalismo no qual vivemos, acaba demonstrando que tal relação à longo prazo é muito improvável.

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Sinopse

Na trama, Isabelle Huppert interpreta Alma Lund, uma mulher de classe alta que vive sozinha desde a prisão do marido. Num dia de visita, conhece Mina Hirti (Hafsia Herzi), uma jovem mãe que foi visitar o companheiro, mas, por questões burocráticas, não poderá vê-lo e deve voltar no dia seguinte. Ela mora longe – em uma cidade a três horas de distância. Alma simpatiza com ela e oferece estadia em sua casa na cidade.

Começa aí uma amizade improvável, que toma contornos inesperados, num filme que discute classe e raça na França contemporânea, sem deixar de lado a posição da mulher dentro de uma sociedade patriarcal e preconceituosa. 

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Crítica

Alma Lund (Isabelle Huppert) é uma mulher de classe alta, cujo marido foi preso após crimes no trânsito; Mina Hirti (Hafsia Herzi), uma jovem mãe, também tem o marido preso por um roubo a uma joalheria.

Após um imbróglio no dia de visitas, Alma se compadece de Mina, e oferece abrigo à ela. O relacionamento e comportamento das duas evidencia a posição social de cada: enquanto Alma, mesmo sofrendo por diversos motivos, leva a vida sorrindo e fazendo piadas, Alma estampa o sofrimento de quem não tem muitas escolhas para sair do lugar onde está.

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Cena do filme A Prisioneira de Bordeaux (2025) - crédito Autoral Filmes (1)
Foto: Autoral Filmes / Divulgação

Direção competente

E aí está o principal problema dessa amizade: enquanto uma corre risco com os filhos, ameaçada por antigos parceiros do marido, a mulher rica flana pela vida, mesmo com o marido preso e sem trabalhar. Enquanto uma sofre com a solidão e o marido canalha, a outra pena para conseguir o básico.

A direção de Patricia Mazuy consegue passar todas as sensações sem ser panfletária em nenhum momento. A câmera é calma e em nenhum momento forçada, mostrando que, mesmo as duas mulheres sofrendo com certos preconceitos de forma igual, como o machismo na sociedade patriarcal, outros preconceitos acentuam a situação de Mina, que não tem o poder que o dinheiro traz para tomar certas decisões.

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Conclusão

Ora fazendo graça, ora passando angústia, “A Prisioneira de Bordeaux”, no fim, mostra que certas diferenças nos definem como indivíduos, e outras apenas colaboram para não atingirmos nosso máximo potencial. 

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Onde assistir ao filme A Prisioneira de Bordeaux?

O filme está disponível para assistir nos cinemas brasileiros.

Assista ao trailer de A Prisioneira de Bordeaux (2025)

YouTube player

Elenco do filme A Prisioneira de Bordeaux

  • Isabelle Huppert
  • Hafsia Herzi
  • Noor Elsari
  • Jean Guerre Souye
  • Julien William Edimo
  • Jana Bittnerova
  • Magne Havard Brekke
  • Lionel Dray
  • Robert Plagnol
  • Julia Vivoni
  • Lola Jehl
Escrito por
Marcelo Fernandes

Jornalista, músico diletante, produtor cultural e fã de guitarras distorcidas e bandas obscuras.

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