‘A Única Mulher na Orquestra’, uma obra repleta de inspiração e humanidade
Taynna Gripp10/12/20243 Mins de Leitura303
Foto: Netflix / Divulgação
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Poucas histórias no mundo da música clássica são tão inspiradoras quanto a de Orin O’Brien, a primeira mulher a integrar a renomada Filarmônica de Nova York. O curta-metragem “A Única Mulher na Orquestra” (The Only Girl in the Orchestra), disponível na Netflix, explora a trajetória dessa talentosa contrabaixista que, em 1966, rompeu barreiras de gênero em um ambiente amplamente dominado por homens.
Dirigido por Molly O’Brien, sobrinha de Orin, o documentário não apenas celebra uma carreira marcante, mas também reflete sobre os desafios e as nuances de uma vida dedicada à música.
Sinopse do documentário A Única Mulher na Orquestra (2024)
Com apenas 34 minutos, o filme conduz os espectadores por uma jornada íntima na vida de Orin O’Brien. Através de imagens de arquivo e cenas contemporâneas, acompanhamos sua entrada na Filarmônica de Nova York sob a direção de Leonard Bernstein, sua visão única sobre a arte e sua transição para a aposentadoria após 55 anos de dedicação.
Orin, criada em uma família de estrelas de Hollywood, rejeitou os holofotes em favor da paixão pela música, encontrando na contrabaixo um meio de expressão e realização pessoal. O documentário revela tanto o contexto cultural e social da década de 1960 quanto a personalidade reservada e espirituosa de Orin.
Crítica do filme A Única Mulher na Orquestra, da Netflix
“A Única Mulher na Orquestra” é um retrato tocante e elegante de uma pioneira que abriu caminhos para outras mulheres no universo orquestral. A direção de Molly O’Brien é discreta, permitindo que a história de Orin brilhe por si só. As cenas que mostram Orin ensinando seus alunos e compartilhando sua sabedoria são especialmente comoventes, destacando sua humildade e dedicação ao ofício.
O documentário acerta ao explorar as dificuldades de ser uma mulher em um espaço dominado por homens. A inclusão de recortes de jornais e depoimentos da época reforça o sexismo enfrentado por Orin, enquanto comentários como os de Leonard Bernstein, que a descreveu como um “milagre” na orquestra, sublinham sua genialidade.
No entanto, o filme poderia ter se aprofundado mais em sua carreira musical, talvez com recriações de performances ou depoimentos de colegas músicos, enriquecendo ainda mais o conteúdo.
Outro ponto alto é a relação entre Orin e sua sobrinha Molly, que captura momentos de vulnerabilidade e reflexões sobre o significado do sucesso e da vida. A abordagem de Orin de “tocar em segundo plano” e “não ser o centro das atenções” é uma filosofia de vida rara e admirável, que transcende o palco.
Delicado e envolvente, “A Única Mulher na Orquestra” é uma homenagem merecida a uma mulher que desafiou normas e redefiniu papéis. Apesar de seu curto tempo de duração, o documentário consegue transmitir a essência de Orin O’Brien, sua paixão pela música e seu impacto duradouro. Para aqueles que apreciam histórias de superação e arte, esta é uma obra indispensável, repleta de inspiração e humanidade.
Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.