Se você se lembra do infame “Dupla Explosiva”, sabe que o diretor Wych Kaosayananda tem um currículo, no mínimo, curioso. Agora, ele retorna ao território do cinema direto para streaming com “Alvo da Máfia”, um thriller de gângsteres que chega à Netflix e parece ter saído de uma maratona de filmes de ação de baixo orçamento.
Não espere um roteiro vencedor do Oscar ou nuances dramáticas; aqui, o que impera é a violência gráfica, a nudez gratuita e aquele cheirinho inconfundível de Filme B. Mas a grande pergunta é: será que essa mistura funciona ou é apenas mais um título descartável no catálogo?
Sinopse
William Bang (Jack Kesy) é um assassino profissional frio e calculista que trabalha para uma organização criminosa liderada por um chefe sádico (Peter Weller). A vida dele muda drasticamente — e literalmente — após ele sofrer um atentado e precisar de um transplante de coração de emergência. O doador? Um homem bondoso que morreu levando a esposa grávida para o hospital.
Ao acordar com um novo coração (e estranhamente poucas cicatrizes, vale notar), Bang começa a sentir uma “mudança” interna. Ele decide trair sua gangue e buscar redenção, mas de um jeito peculiar: em vez de matar seus alvos, ele começa a escondê-los em um mesmo prédio, criando uma espécie de “república de vítimas”. Enquanto tenta conquistar o perdão (e, de forma bizarra, o coração da viúva do seu doador), ele se torna o alvo principal de seu antigo e extravagante patrão.
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Resenha crítica do filme Alvo da Máfia
O show à parte de Peter Weller
Se existe um motivo genuíno para dar play neste filme, esse motivo tem nome e sobrenome: Peter Weller. O eterno Robocop parece ser o único no set que entendeu exatamente em que tipo de filme está. Ele entrega uma performance deliciosamente exagerada, quase como um vilão de James Bond que se perdeu no caminho.
Weller mastiga o cenário com gosto, seja exigindo que seu assassino use uma bodycam para fazer transmissões ao vivo das matanças, seja presidindo uma festa onde convidados de elite assistem a alguém ter a cabeça esmagada por um taco de beisebol enquanto comem canapés.
O ponto alto? O confronto final em sua biblioteca “luxuosa”, onde metade dos livros ainda está embalada em celofane, e ele aparece empunhando um machado. É uma aula de como uma estrela deve agir para justificar seu cachê em quinze minutos de tela.

Um roteiro que desafia a inteligência do espectador
A premissa de “Alvo da Máfia” tenta ser uma versão invertida de “O Coração Delator” (1960), mas acaba caindo no ridículo. A ideia de um assassino herdando a moralidade do seu doador de órgãos já é um clichê batido, mas o filme eleva isso ao absurdo.
O desenvolvimento do personagem é atropelado: num momento Bang é uma máquina de matar gelada, no outro ele está comprando um shopping center ou hotel (algo que nunca é bem explicado) para esconder as pessoas que deveria matar.
Além disso, o romance é, para dizer o mínimo, desconfortável e implausível. A viúva do doador dizer “você ficou com a melhor parte dele” para o homem que agora carrega o coração do falecido marido é um diálogo que beira o risível. A trama tenta criar um peso emocional, mas a falta de tensão real e a repetição de situações (os “NPCs” sendo eliminados de ambos os lados) tiram qualquer impacto dramático que a história pudesse ter.
Estilo visual: explosões reais e charme duvidoso
Apesar dos pesares, é preciso reconhecer que Kaosayananda ainda tem algum domínio técnico, resquício de seus tempos de orçamentos maiores. Diferente de muitos filmes digitais atuais, as explosões aqui parecem práticas e reais, o que dá um peso físico interessante às cenas de ação.
O diretor adora um slow motion na chuva e tiroteios coreografados, e Jack Kesy, que lembra uma mistura de Ryan Gosling com Dan Stevens, segura bem o papel físico, ficando bem de regata branca e cara de poucos amigos.
No entanto, o filme oscila perigosamente entre o “tão ruim que é bom” e o “apenas ruim”. Há momentos de audácia visual, como a tradução flutuante de palavras estrangeiras na tela ou uma cena de sexo numa roda-gigante ao som de techno, que funcionam justamente por serem ridículos. Mas, em contrapartida, há uma seção intermediária excruciante que testa a paciência do espectador até chegar ao banho de sangue do terceiro ato.
Conclusão
“Alvo da Máfia” não é um bom filme no sentido tradicional da palavra. Falta suspense, o enredo é cheio de buracos e a “mensagem” moral é confusa. Porém, ele opera naquela categoria específica de entretenimento trash que pode agradar quem procura violência estilizada e atuações canastronas numa noite de tédio.
Não cometa o erro de levar a sério, nem espere uma ironia fina. É um filme bruto, às vezes assistível, muitas vezes estúpido, mas que ganha uma estrela extra puramente pela diversão de ver Peter Weller se divertindo como um maníaco. Se for assistir, desligue o cérebro; você vai precisar.
Onde assistir ao filme Alvo da Máfia?
Trailer de Alvo da Máfia (2025)
Elenco de Alvo da Máfia, da Netflix
- Jack Kesy
- Peter Weller
- Tristin Mays
- Marie Broenner
- Steve Bastoni
- Kane Kosugi
- Prinya Intachai
- Paul Mann
- Elliott Allison
- Bear Williams















