Se você, assim como eu, viu o trailer do novo filme do Dave Bautista, Boca de Fumo, e achou que veria mais um daqueles filmes de ação genéricos com tiroteio desenfreado, pode se preparar para uma surpresa. E não digo isso necessariamente como um elogio. O filme, dirigido por Michael Dowse (que já trabalhou com o ator em Stuber), tenta sair da zona de conforto dos thrillers de cartel, mas acaba tropeçando nas próprias pernas ao tentar ser muitas coisas ao mesmo tempo.
Eu assisti ao filme no digital no fim de semana, curioso para ver como Bautista, que virou uma verdadeira força da natureza no cinema e uma história de sucesso pós-WWE, se sairia aqui. O resultado? Uma experiência que diverte se você desligar o cérebro, mas que frustra quem espera um pouco mais de coerência.
Sinopse
A trama gira em torno de Ray Seale (Dave Bautista) e seu parceiro Andre (Bobby Cannavale), agentes da DEA baseados no Texas. Eles trabalham duro, ganham mal e correm perigo constante. A coisa desanda quando, durante uma operação que dá errado, um colega deles morre, deixando seu filho, Jesse (Blu Del Barrio), órfão e sem grana.
É aí que a “genialidade” do roteiro entra em cena. O filho de Ray, Cody (Jack Champion, de Avatar: O Caminho da Água), e seus amigos da escola — que convenientemente também são filhos de agentes da DEA — decidem que a melhor maneira de ajudar o amigo órfão não é fazer uma vaquinha online, mas sim roubar equipamentos táticos dos próprios pais.
O objetivo? Assaltar uma “boca de fumo” de um cartel perigoso para levantar fundos. Obviamente, isso chama a atenção dos líderes do cartel, os irmãos Benito (Tony Dalton) e Natalia (Kate del Castillo), colocando todo mundo na mira.
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Resenha crítica do filme Boca de Fumo
Crise de personalidade
O maior problema de Boca de Fumo é que ele sofre de um transtorno de personalidade grave. Em um momento, parece uma aventura adolescente estilo Os Goonies, com jovens tentando resolver problemas de gente grande. No minuto seguinte, vira uma mistura de Sicario com violência nível Jogos Mortais, com tiroteios brutais e sangue voando. Essa mudança de tom é constante e deixa a gente sem saber o que sentir.
O diretor Michael Dowse tenta equilibrar esses pratos, e até que a narrativa anda num ritmo acelerado, mas a sensação é de oportunidade desperdiçada. A gente fica pensando: “Cara, se tivessem focado só no thriller criminal sério com o Bautista quebrando tudo por 100 minutos, seria muito melhor”. Em vez disso, temos que dividir a atenção com um drama high school que dilui a tensão.

Bautista: a alma do negócio
Vamos ser justos: se não fosse pelo carisma do Dave Bautista, esse filme teria desaparecido na obscuridade total. Ele consegue trazer uma profundidade emocional para Ray, interpretando um pai viúvo tentando equilibrar o trabalho perigoso com a paternidade. Ele não faz o tipo “herói de ação canastrão”; a atuação dele é honesta, pé no chão.
Quando o filme permite que ele solte a fera, é satisfatório. Bautista entrega aquelas cenas de ação física que os fãs esperam. O elenco de apoio também tenta. Bobby Cannavale tem uma química ótima com Bautista, e você fica querendo ver mais dessa dupla estilo “máquina mortífera”, mas o roteiro insiste em focar na molecada.
Um roteiro que pede suspensão de descrença (muita!)
O roteiro de Tom O’Connor e Gary Scott Thompson exige que você aceite umas coisas absurdas. Primeiro, a ideia de que agentes da DEA disfarçados vivem socializando uns com os outros e seus filhos são melhores amigos é um risco de segurança gritante que ninguém no filme parece notar.
Além disso, a premissa de adolescentes roubando um cartel usando óculos de visão noturna e espingardas de feijão é de revirar os olhos. Tem até um “plot twist” envolvendo um romance adolescente que eu saquei nos primeiros minutos de tão forçado que foi. As decisões dos personagens muitas vezes nos fazem concordar com a pergunta retórica feita no filme: “As crianças algum dia deixam de ser idiotas?”.
Vilões desperdiçados
Temos Tony Dalton (o eterno Lalo Salamanca de Better Call Saul) e Kate del Castillo como os vilões. Com esse currículo, a expectativa era alta. Mas eles são vilões de uma nota só. Kate até tem mais o que fazer, mas Tony está lá apenas para preencher tela, sem ser realmente ameaçador como a gente sabe que ele consegue ser.
Conclusão
No fim das contas, Boca de Fumo é um filme que vale a pena se você é fã do gênero e não tem nada melhor para fazer numa noite de domingo. Ele entrega tiroteios competentes e um Dave Bautista sólido, mas é derrubado por uma trama implausível e uma mistura de tons que não desce redondo.
O final deixa um gancho otimista para uma sequência, como se os produtores estivessem sonhando com uma franquia, mas, sinceramente? Duvido que aconteça. É um filme mediano: diverte enquanto dura, mas você esquece assim que os créditos sobem. Faltou decidir se queria ser um filme de ação brutal ou uma aventura juvenil, e acabou não sendo nenhum dos dois com excelência.
Onde assistir ao filme Boca de Fumo?
Trailer de Boca de Fumo (2026)
Elenco de Boca de Fumo, do Prime Video
- Dave Bautista
- Jack Champion
- Bobby Cannavale
- Sophia Lillis
- Kate del Castillo
- Tony Dalton
- Whitney Peak
- Inde Navarrette
- Zaire Adams


















