O cinema brasileiro vem ampliando seu olhar para as histórias de transição da juventude para a vida adulta, e Medley surge como uma adição marcante a esse panorama. Dirigido pela cineasta gaúcha Ana Luiza Azevedo, que retorna ao universo adolescente mais de 15 anos após o premiado Antes que o Mundo Acabe, o longa-metragem adapta o livro Medley ou Os Dias em Que Aprendi a Voar, escrito por Keka Reis, que também assina o roteiro com consultoria de Carolina Kotscho. Estrelado por Mel Maia, o filme combina drama familiar e esporte em uma narrativa de autodescoberta ambientada na década de 1990.
Na trama, Mel Maia interpreta Lola, uma jovem de 16 anos que é uma nadadora talentosa e colecionadora de medalhas, mas carrega uma limitação enigmática: a incapacidade física e emocional de executar o nado borboleta. A trava está diretamente conectada ao trauma do desaparecimento de seu pai e aos constantes conflitos com sua mãe, Catarina, vivida por Mariana Lima.
Após um desentendimento familiar, Lola viaja sozinha nas férias para a pequena cidade de Salto Bonito, no interior do estado do Rio de Janeiro, onde seus pais se conheceram. Ao entrar para o time local de natação e se apaixonar por Gabriel (Guthierry Sotero), a protagonista começa a juntar pistas do passado que revelam segredos profundos de sua família.
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Crítica do filme Medley, com Mel Maia
Um retrato nostálgico dos anos 90 e a metáfora do mergulho
Um dos grandes acertos da produção está na recriação da atmosfera dos anos 1990. A direção de arte de Monica Palazzo e os figurinos de Renata Russo constroem um ambiente analógico autêntico, repleto de elementos da época como aparelhos de som com headphones, orelhões, fitas e secretárias eletrônicas, sem cair na armadilha da nostalgia panfletária. A ausência de smartphones e redes sociais permite que as relações juvenis e a investigação do passado familiar aconteçam de forma direta, presencial e orgânica.
A natação funciona no texto como uma metáfora eficiente para o estado emocional de Lola. A água representa tanto o refúgio onde a jovem encontra silêncio para organizar seus pensamentos quanto o espaço em que memórias dolorosas emergem à superfície. Sobre a experiência com a personagem, Mel Maia declarou em entrevista:
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“A Lola me ensinou muita coisa. Me ensinou a ter mais dedicação, a encarar os medos e principalmente a lidar com os sentimentos mais difíceis”.
A atriz também destacou o aspecto introspectivo do papel:
“Interpretar a Lola foi muito interessante porque conta a história de uma jovem que tá se descobrindo, se autodescobrindo. Ela gosta muito de mergulhar, mas nesses mergulhos ela acaba mergulhando nas suas próprias emoções, descobrindo coisas que ela nem sabia que podia sentir”.

Atuações marcantes e o amadurecimento em cena
Mel Maia sustenta o filme com grande maturidade cênica, demonstrando expressividade pelo olhar e distanciando-se em definitivo de papéis mirins do passado, como a marcante Rita de Avenida Brasil. A diretora Ana Luiza Azevedo elogiou a entrega da protagonista:
“Mel atua desde criança e tem uma sensibilidade incrível. É um talento que fala pelo olhar. Ela é incrível e está sendo prazeroso ver como ela enxerga a sua personagem e como ela traduz o que está no papel”.
O elenco jovem entrega uma química agradável, com destaque para a interação romântica entre Mel Maia e Guthierry Sotero, além da presença de Alana Cabral como a rival de Lola na equipe de natação. No núcleo adulto, Mariana Lima oferece nuances interessantes para a mãe sobrecarregada, e André Ramiro interpreta Érico, figura chave para ligar as pontas da memória do pai de Lola.
Excesso de tramas e pressa nos momentos dramáticos
Embora Medley triunfe na sensibilidade e no retrato do cotidiano jovem, a narrativa enfrenta tropeços no ritmo do roteiro. Por tentar abarcar muitas subtramas simultâneas — os conflitos maternos, a busca pelo pai, a rivalidade esportiva e o romance juvenil —, algumas resoluções dramáticas importantes acabam sendo apressadas na reta final.
Consequentemente, revelações familiares de grande peso emocional perdem parte do impacto que poderiam alcançar se houvesse mais tempo para o sofrimento e a reflexão dos personagens respirarem em cena.

Primor técnico e condução cuidadosa
No aspecto técnico, a fotografia de Lilis Soares captura com beleza as sequências subaquáticas e o contraste entre a cidade grande e a pacata atmosfera do interior.
O desenho de som de Bernardo Uzeda e a trilha sonora original de Leo H trabalham em conjunto com a montagem de Giba Assis Brasil para traduzir sonoramente o isolamento da água e os sentimentos de Lola sem a necessidade de diálogos explicativos.
Veredito: o filme Medley é bom?
Medley é um coming of age sincero, charmoso e acolhedor. Mesmo sem mergulhar tão fundo nas camadas mais sombrias de seu drama familiar, o filme entrega uma jornada envolvente sobre memória, superação e o aprendizado necessário para encarar os próprios traumas.
Trata-se de uma obra relevante sobre saúde emocional na juventude que reafirma o talento de Mel Maia e a capacidade do cinema nacional de contar histórias afetuosas sobre o amadurecimento.
Onde assistir ao filme brasileiro Medley?
O longa foi exibido na Mostra Geração do Festival do Rio, selecionado para a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e para o LA FEMME International Film Festival em Los Angeles, chegando aos cinemas nesta quinta-feira, 28 de outubro de 2026, com distribuição da Vitrine Filmes e da RioFilme por meio da Sessão Vitrine Petrobras.
Trailer do filme Medley (2026)
Ficha técnica de Medley
| Campo | Detalhe |
|---|---|
| Título Original | Medley |
| Ano de Lançamento | 2026 |
| País de Origem | Brasil |
| Duração | 94 minutos |
| Gênero | Drama, Esporte |
| Direção | Ana Luiza Azevedo |
| Roteiro | Keka Reis (baseado no livro Medley ou Os Dias em Que Aprendi a Voar) |
| Consultoria de Roteiro | Carolina Kotscho |
| Elenco Principal | Mel Maia, Mariana Lima, André Ramiro, Guthierry Sotero, Alana Cabral, Leona Cavalli, Natthália Gonçalves |
| Direção de Fotografia | Lilis Soares |
| Direção de Arte | Monica Palazzo |
| Figurino | Renata Russo |
| Montagem | Giba Assis Brasil |
| Trilha Sonora Original | Leo H |
| Produção | Panorâmica (Mara Lobão e Rodrigo Montenegro) |
| Distribuição | Vitrine Filmes / Sessão Vitrine Petrobras / RioFilme / Manequim Filmes |














