A segunda temporada de Demolidor: Renascido (Daredevil: Born Again) finalmente chegou ao Disney+, e parece que a série encontrou o seu prumo. Depois de um primeiro ano que tentou se equilibrar de forma um pouco confusa entre o legado da Netflix e a nova fase do MCU, a nova leva de episódios já começa mostrando a que veio e com muito mais confiança.
O clima é tenso, as apostas políticas estão altíssimas e a sensação que fica é a de que estamos diante da versão definitiva do herói nas telas. O episódio inicial, intitulado “O Northern Star”, nos joga direto no fogo cruzado de uma guerra declarada entre Matt Murdock e o agora todo-poderoso prefeito Wilson Fisk, provando que a Marvel ainda sabe entregar um excelente thriller de crime urbano.
Sinopse
O episódio abre com o Demolidor invadindo sorrateiramente o Northern Star, um cargueiro usado pelo império de Fisk para contrabandear armamento militar utilizando um porto livre de impostos. Durante a invasão, a tripulação recebe ordens para afundar o próprio navio e esconder as provas, mas Matt consegue plantar um rastreador em uma das caixas antes de o cargueiro ir parar no fundo do rio. O naufrágio vira uma dor de cabeça política para o prefeito, atraindo a atenção da CIA na figura de Mr. Charles, um agente misterioso.
Enquanto isso, a Força-Tarefa Antivigilantes de Fisk toca o terror nas ruas e mira no ex-detetive Cherry. Quando Matt tenta salvá-lo do esquadrão, Cherry sofre um infarto repentino, o que acaba despertando no herói memórias dolorosas sobre a morte de seu amigo Foggy.
Completamente distraído e abalado, nosso protagonista é rendido pelos policiais, que retiram a sua máscara. Porém, antes que o segredo de Matt seja espalhado, todos os agentes são abatidos por um atirador de elite misterioso, que logo se revela como o Mercenário (Dex), deixando uma faca com a mensagem irônica: “De nada”.
Crítica do episódio 1 da temporada 2 de Demolidor: Renascido
A tensão nas ruas de Nova York e a política do medo
Um dos maiores acertos desse retorno é como a cidade de Nova York se consolida como uma personagem central e viva na trama. Fisk não é mais apenas um simples chefe do crime; ele é um político astuto que sabe manipular muito bem a opinião pública por meio de vídeos nas redes sociais, usando o trabalho da jovem BB Urich como pura propaganda.
A série se torna corajosa ao tocar em feridas bem atuais, ilustrando a Força-Tarefa de Fisk agindo com uma truculência muito parecida com a do órgão de imigração real dos EUA (ICE), focando sua agressividade em minorias e imigrantes de forma assustadoramente realista.
Luto, brutalidade e a nova identidade visual
Se você sentia falta daquela violência crua que consagrou o personagem, pode comemorar o retorno. A ação está mais grandiosa e fluida, mas os combates continuam quebrando ossos de forma bem gráfica. Matt está vivendo uma fase muito mais sombria e vingativa, sentimento que ganha vida através do sensacional traje preto com o icônico “DD” vermelho cravado no peito.
O luto profundo e não superado pela perda de Foggy Nelson ainda afeta duramente o herói, que agora passa a depender fortemente dos conselhos de Karen Page para tomar decisões estratégicas, o que traz uma vulnerabilidade bem-vinda para o personagem.
O xadrez político, velhos traumas e novos rostos
O tabuleiro da série também ganha novas peças fascinantes. A entrada de Matthew Lillard como o desrespeitoso Mr. Charles funciona como um respiro sádico na trama, servindo como ponte com os interesses da diretora da CIA, Valentina Allegra de Fontaine, e deixando claro que o Rei do Crime também tem os seus superiores para prestar contas.
Outro ponto que rouba a cena são os famigerados “julgamentos de super-heróis”. Vemos Jack Duquesne (o Espadachim) sendo avaliado pela psicóloga e ex-namorada de Matt, Dra. Heather Glenn. O detalhe macabro é que Heather ainda sofre de graves alucinações devido ao seu trauma com o serial killer Muso na temporada passada, e isso a fez abandonar de vez os heróis para comprar totalmente a narrativa autoritária do atual prefeito.
Conclusão
O primeiro episódio desta segunda temporada nos entrega exatamente o que esperávamos: uma narrativa madura, que não subestima a inteligência de quem está assistindo e que equilibra perfeitamente as analogias do mundo real com o absurdo dos quadrinhos.
Ao misturar a tensão sufocante do drama legal com cenas de ação vibrantes, “O Northern Star” planta as sementes perfeitas para o grande arco do ano. E aquele gancho final de deixar o queixo caído, com o sádico Mercenário atacando como o “anjo da guarda” do Demolidor, é um tempero narrativo genial. Se Renascido conseguir manter a constância e essa energia, a jornada pela alma de Hell’s Kitchen tem tudo para ser a melhor produção de rua do estúdio em anos.
Elenco da temporada 2 de Demolidor: Renascido
- Charlie Cox
- Vincent D’Onofrio
- Deborah Ann Woll
- Margarita Levieva
- Ayelet Zurer
- Wilson Bethel














