Confira a crítica de "Deva", filme de ação indiano de 2025 com Shahid Kapoor disponível para assistir na Netflix.

‘Deva’, quando o remake não entende o original

Foto: Netflix / Divulgação
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Quando um filme marcante é refeito em outra língua, como o caso de “Deva”, que chega à Netflix, o desafio não está apenas na tradução de diálogos ou na adaptação cultural. O verdadeiro teste é manter a essência, os riscos narrativos e a ousadia que fizeram o original se destacar.

“Deva”, estreia de Rosshan Andrrews em Bollywood, parte de um material excepcional — o celebrado Mumbai Police (2013), também dirigido por ele — mas tropeça ao tentar moldá-lo ao formato de um blockbuster estrelado por Shahid Kapoor. O resultado? Uma produção tecnicamente competente, porém emocionalmente esvaziada.

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Sinopse do filme Deva (2025)

Dev Ambre (Shahid Kapoor) é um policial durão e impulsivo da força policial de Mumbai, temido por sua brutalidade e avesso a ordens. No auge de uma investigação sobre o assassinato de um colega da corporação, ele sofre um grave acidente de carro e perde a memória.

Sem saber quem realmente é — nem mesmo o desfecho da investigação que ele próprio havia concluído —, Dev passa a reconstruir o caso, guiado apenas por sua intuição e pelas marcas do passado que ainda assombram seu presente. No processo, ele se depara com verdades perturbadoras sobre a corporação, os amigos e si mesmo.

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Crítica de Deva, da Netflix

A principal força de Mumbai Police era sua reviravolta ousada, centrada na identidade sexual de seu protagonista, interpretado de forma magistral por Prithviraj Sukumaran. Era um thriller policial com coragem para abordar temas espinhosos — homofobia, repressão e identidade — sem floreios.

No filme “Deva”, essa camada é completamente descartada, substituída por um enredo genérico que evita qualquer polêmica. O que era provocador, aqui se torna seguro. E essa decisão, por si só, enfraquece a espinha dorsal da narrativa.

Um herói moldado para o culto da estrela

Shahid Kapoor entrega um desempenho físico impressionante, alternando com habilidade entre o Dev explosivo antes do acidente e a versão mais contida e vulnerável depois da amnésia. No entanto, o roteiro claramente foi moldado para servir à sua imagem de astro: músicas fora de contexto, cenas de ação gratuitas e até um romance desnecessário com a jornalista Diya (Pooja Hegde).

Essa tentativa de construir um “herói completo” — másculo, sensível e irresistível — esvazia a complexidade psicológica do personagem e compromete o envolvimento do espectador com seu drama.

Direção e fotografia: entre o brilho e o exagero

Rosshan Andrrews e o diretor de fotografia Amit Roy exploram bem a ambientação urbana de Mumbai. Chuva, trânsito, becos e trilhos de trem formam um cenário caótico e visualmente atraente. Algumas tomadas aéreas são de tirar o fôlego.

Contudo, o uso de efeitos digitais em cenas como o acidente inicial beira o tosco, especialmente se comparado ao realismo do original. A trilha sonora de Jakes Bejoy e as coreografias de ação injetam energia à narrativa, mas frequentemente soam mais como distração do que complemento dramático.

Uma trama que se perde em atalhos

Ao embaralhar a ordem dos eventos e redistribuir os arcos do roteiro original, “Deva” enfraquece o suspense e compromete o impacto do clímax. A grande revelação final, que em Mumbai Police chocava e provocava reflexão, aqui se dilui em justificativas apressadas e psicologicamente rasas.

Os traumas de infância de Dev são mencionados repetidas vezes, mas nunca explorados com profundidade. A tentativa de justificar sua conduta com um passado abusivo soa como uma muleta narrativa mal resolvida.

Elenco desperdiçado

Pavail Gulati (Rohan D’Silva) e Pravessh Rana (Farhan Khan) cumprem seus papéis com competência, oferecendo suporte sólido ao protagonista. Já Pooja Hegde, mesmo interpretando uma personagem promissora — uma jornalista crítica da brutalidade policial —, é subutilizada.

Kubbra Sait, em uma rara aparição como a policial Deepti, entrega intensidade, mas desaparece tão rápido quanto surge. É como se o filme não soubesse o que fazer com seus personagens coadjuvantes, focando apenas no brilho do astro principal.

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Conclusão

O filme “Deva” até pode funcionar como um suspense policial para quem desconhece Mumbai Police. A construção do mistério, embora irregular, mantém certo nível de envolvimento. Mas para quem viu o original, a comparação é inevitável — e, infelizmente, desfavorável. O que poderia ser uma adaptação corajosa e impactante se transforma em um exercício de autopromoção, que dilui os conflitos mais complexos em nome do entretenimento fácil.

A atuação intensa de Shahid Kapoor, o visual estilizado e a trilha sonora vibrante tentam disfarçar as fragilidades do roteiro, mas não são suficientes para salvar um filme que preferiu o caminho mais seguro — e descartável.

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Onde assistir ao filme Deva?

O filme está disponível para assistir na Netflix.

Trailer de Deva (2025)

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Elenco de Deva, da Netflix

  • Shahid Kapoor
  • Pooja Hegde
  • Pavail Gulati
  • Pravessh Rana
  • Kubbra Sait
  • Girish Kulkarni
  • Upendra Limaye
  • Meenal Sahu

Ficha técnica de Deva

  • Título original: Deva
  • Direção: Rosshan Andrrews
  • Roteiro: Sumit Arora, Bobby, Abbas Dalal
  • Gênero: ação, suspense, policial
  • País: Índia
  • Duração: 154 minutos
  • Classificação: 12 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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