Olá, meus caros “Devoradores de Telonas”! Sejam bem-vindos! Com Devoradores de Estrelas chegando em breve às telas, esta adaptação do livro de 2021 de Andy Weir — autor de Perdido em Marte —, com roteiro de Drew Goddard (qualquer relação com Mark Goddard fica apenas no sobrenome, infelizmente), era uma das produções mais aguardadas pelos fãs do gênero.
Esse é mais um daqueles casos clássicos de “leia o livro, veja o filme”, como nos velhos tempos.
Sinopse
O professor de ciências do ensino fundamental Ryland Grace (Ryan Gosling) desperta em um local desconhecido, completamente desnorteado e sem se lembrar de por que está ali. Aos poucos, vai recuperando a memória, enquanto conhecemos sua rotina como professor e entendemos como ele foi convocado para integrar o “Projeto Ave Maria” (Project Hail Mary, título original do livro), cuja origem do nome é explicada de forma bastante divertida ao longo da trama.
Ao perceber que está em uma nave, Ryland começa a interagir com o computador central e descobre que seus companheiros de viagem não sobreviveram ao sistema de suporte à vida. Assim, encontra-se sozinho no espaço, com uma missão que deveria ser coletiva, mas que agora recai inteiramente sobre seus ombros: salvar a Terra de um desastre ecológico iminente.
Crítica do filme Devoradores de Estrelas
Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, o longa teve um trailer que entrega apenas spoilers mínimos e que, à primeira vista, pode até parecer estragar algumas surpresas. Felizmente, trata-se apenas de uma pequena introdução a essa história fantástica, apoiada por uma produção de primeiríssima qualidade, totalmente filmada com câmeras IMAX e embalada por uma trilha sonora extremamente original.
Um detalhe importante: não houve uso de chroma key nas filmagens. Os cenários foram construídos e integrados a efeitos visuais, o que confere às cenas uma sensação de realidade muito mais intensa.
Ryan Gosling (La La Land) entrega em Devoradores de Estrelas uma atuação de tirar o chapéu — e o fôlego —, mostrando, mais uma vez, por que é um ator de presença tão marcante.
Mistura de referências clássicas
À primeira vista, a mistura de referências como 2001: Uma Odisseia no Espaço, Contatos Imediatos do 3º Grau, E.T.: O Extraterrestre, Interestelar, Perdido em Marte e Gravidade poderia soar como um “pastel” indigesto. Mas tudo é dosado com muito cuidado, criando um conjunto extremamente equilibrado e sem clichês tão evidentes. Com uma base narrativa recheada de ciência e vários easter eggs, temos aqui um hard sci-fi delicioso do começo ao fim.

Roteiro coeso
Após 11,9 anos de viagem, Ryland está a bordo de uma nave com propulsão desenvolvida por cientistas do mundo inteiro, rumo a Tau Ceti, estrela situada a 11,9 anos-luz da Terra — e que, de fato, é visível a olho nu, além de possuir massa e luminosidade próximas às do Sol. Seu objetivo, em uma missão sem retorno, é descobrir a solução para o fenômeno que ameaça destruir nossa estrela.
A narrativa então nos leva de volta à sua vida como professor, à sua relação com os alunos e, principalmente, à explicação do que está acontecendo com o Sol. Os chamados “astrófagos” — um organismo alienígena que se alimenta de energia solar — estão corroendo nossa estrela e estabelecendo um prazo de até 30 anos para que um quarto da população da Terra pereça, devido à queda brusca de temperatura e ao consequente colapso na produção de alimentos.
Quando os cientistas percebem que várias estrelas próximas apresentam sintomas semelhantes, exceto Tau Ceti, monta-se uma equipe para descobrir por que essa estrela parece imune a esses microrganismos alienígenas e, assim, encontrar uma possível “cura” para salvar o nosso sistema solar.
No entanto, quando Ryland acredita que enfrentará esse processo em completo isolamento, recebe uma surpresa inesperada em sua jornada. O trailer já permite supor parte dessa revelação, mas a força do roteiro está justamente em não esconder o que pode surgir, e sim em manter o mistério sobre como isso irá se desenvolver.
Por isso, mesmo com pequenos spoilers inevitáveis, deixo para você acompanhar o professor Ryland nesta história que, mais do que uma aventura espacial, revela o quanto a inteligência pode ser colaborativa — independentemente da forma física que a carregue.
Conclusão
Um dos maiores desafios das viagens interestelares está justamente nas distâncias absurdas envolvidas e no tempo necessário para percorrê-las. Tudo isso nos remete à Teoria da Relatividade de Einstein, segundo a qual atingir a velocidade da luz permanece inviável, entre outros motivos, pela demanda colossal de energia exigida.
Na história, esse obstáculo é resolvido de forma engenhosa, tornando Tau Ceti um destino plausível graças a uma tecnologia “surpresa” descoberta por Ryland e desenvolvida pela equipe liderada por Eva Stratt (Sandra Hüller, de Anatomia de uma Queda).
Outras surpresas surgem pelo caminho, trazendo inclusive questões éticas sobre escolhas, sacrifícios e entrega. No próprio livro, a contracapa já deixa no ar a pergunta: Ryland precisará realmente enfrentar tudo aquilo em total isolamento. Ou não?
Como diz um dos personagens: “coragem não é difícil de encontrar em si mesmo; basta apenas ter por quem lutar”.
Portanto, vá calmamente ao banheiro antes da sessão — para não perder sequer um minuto do filme —, leve dois baldes de pipoca (eu também prefiro com manteiga) e um litro de refrigerante bem gelado.
Os 156 minutos de duração compensam qualquer preparo adicional para o seu conforto. Ah, e sim: se puder, veja em uma sala IMAX. Bom divertimento, viajante das estrelas!
Elenco do filme Devoradores de Estrelas (2026)
- Ryan Gosling
- Sandra Hüller
- Lionel Boyce
- Ken Leung
- Milana Vayntrub

















