Se você acompanha o mundo das novelas e do streaming, provavelmente já ouviu o burburinho: a cena mais icônica da teledramaturgia da extinta Manchete está de volta. Sim, estamos falando de Dona Beja e o famoso passeio a cavalo. Mas se você acha que os novos episódios que chegam à HBO Max (do 11 ao 15) se resumem apenas a ver a Grazi Massafera como veio ao mundo, está muito enganada (o).
O remake, escrito por Daniel Berlinsky e António Barreira, pegou a nostalgia, misturou com debates contemporâneos e entregou uma semana que promete ser o ponto de virada da trama. A novela, que já vinha construindo sua identidade, agora chuta o balde — ou melhor, tira a roupa — para consolidar sua protagonista como uma força da natureza.
Sinopse da semana
O clima em Araxá, que já não era dos melhores, azeda de vez. Tudo começa quando Felizardo descobre que foi Beja quem expôs os frequentadores da Chácara do Jatobá. A retaliação? Proibirem a protagonista de usar calças. A resposta de Beja é, no mínimo, audaciosa: se não pode usar calças, ela não vai usar nada. Montada em um cavalo e vestindo apenas um diadema de diamantes, ela desfila pela cidade.
Só que o protesto vira tragédia quando Beja sofre um atentado a tiro no meio da rua. A partir daí, a trama ganha ares de investigação policial. Antônio e João, antes rivais pelo coração da moça, precisam se unir para descobrir quem puxou o gatilho. Enquanto isso, segredos pesados vêm à tona: Mota confessa atrocidades e faz Josefa refém, e Maria, num momento de desespero e culpa, revela que tramou contra Beja no passado.
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Crítica dos episódios 11 a 15 da novela Dona Beja (2026)
Episódio 11: o peso do silêncio e a dor de Maria
O bloco começa pesado, focado nas consequências psicológicas do conservadorismo de Araxá. O destaque aqui não é a Beja, mas Maria (Indira Nascimento). A tentativa de suicídio da personagem e a negação do passado trazem uma camada de profundidade que faltava.
É necessário reconhecer a atuação contida e dolorosa de Indira; a gente entende que a traição dela contra Beja não foi pura maldade de vilã de desenho animado, mas fruto de um amor reprimido e muita inveja. É um episódio de “aquecimento” dramático que prepara o terreno para a explosão que vem a seguir, mostrando que as feridas emocionais doem tanto quanto as físicas.

Episódio 12: o corpo como grito político
Este é, sem dúvida, o divisor de águas da novela. A recriação da cena da cavalgada foi feita com inteligência. Ao contrário da versão de 1986, que era noturna, aqui Beja se expõe à luz do dia, o que transforma a nudez em um ato político, e não apenas erótico.
O roteiro acerta ao colocar o atentado logo em sequência: é a resposta violenta da sociedade contra a liberdade feminina. Grazi Massafera segura a bronca com uma mistura de altivez e vulnerabilidade. A cena funciona porque não é gratuita; é sobre quem tem o poder sobre o corpo da mulher. O choque visual do diamante com a nudez cria uma imagem icônica que atualiza o mito para 2026.

Episódio 13: CSI Araxá e a “brotheragem” improvável
Aqui a novela vira a chave para o suspense policial. É muito interessante ver a mudança de dinâmica entre Antônio (David Junior) e João (André Luiz Miranda). Eles deixam de ser apenas os “pretendentes” brigando pela mocinha para se tornarem agentes ativos da justiça.
Essa união dá um respiro necessário ao triângulo amoroso, que poderia ficar repetitivo. O roteiro também brinca bem com o suspense ao colocar a pista do crime dentro da própria casa de Antônio, aumentando a tensão familiar e mostrando que o inimigo dorme ao lado.

Episódio 14: a tensão da caçada
Este episódio funciona como uma ponte tática. A ajuda de Severina na emboscada mostra como a rede de apoio de Beja é fundamental, tirando a protagonista da posição de “vítima solitária”. No entanto, o ponto alto aqui, criticamente falando, é o contraste.
Enquanto João e Antônio armam uma arapuca perigosa, temos a declaração de amor de Avelino para Josefa. O roteiro equilibra bem a violência iminente com esses momentos de afeto genuíno, humanizando personagens secundários que, em outras novelas, seriam apenas figurantes.

Episódio 15: a redenção e a queda das máscaras
O desfecho da semana é catártico. Temos dois tipos de confissões aqui: a do vilão Mota, que é gráfica e violenta, servindo para justificar o ódio do público; e a de Maria, que é emocional e redentora. Ver Beja, que acabou de levar um tiro há poucos capítulos, salvar Josefa e recuperar seu diadema, consolida a personagem como uma heroína de ação, e não apenas uma musa.
Mas o ouro está na confissão de Maria durante o noivado. É o momento em que a hipocrisia social de Araxá quebra de vez, e a novela prova que seu maior trunfo é a complexidade das relações humanas, não apenas os escândalos.

Conclusão
A nova leva de episódios de Dona Beja mostra que a produção da HBO Max encontrou seu tom. Ao misturar o melodrama clássico com discussões sobre moralidade e poder feminino, a novela consegue ser nostálgica e atual ao mesmo tempo.
Se você estava esperando o momento certo para maratonar ou voltar a assistir, a hora é agora. Entre cavalgadas nuas, tiroteios e confissões bombásticas, a trama prova que vale a pena ser assistida, entregando entretenimento de qualidade com atuações que seguram o espectador na frente da tela. Araxá nunca esteve tão incendiária.
Onde assistir à nova versão da novela Dona Beja?
Trailer de Dona Beja, com Grazi Massafera (2026)
Elenco da novela Dona Beja da HBO Max
- Grazi Massafera
- Pedro Fasanaro
- Bianca Bin
- Deborah Evelyn
- Indira Nascimento
- Bukassa Kabengele
- Otavio Muller
- Isabela Garcia
- Erika Januza
- Tuca Andrada
- Kelzy Ecard
- Werner Schunemann
- Thalma de Freitas
- Gabriel Godoy
- Ricardo Burgos
- Catharina Caiado
- Lucas Wickhaus
- Luciano Quirino














