Em uma era onde o cinema de ação muitas vezes se perde em telas verdes excessivas e franquias intermináveis, Dupla Perigosa (The Wrecking Crew) aterrissa no catálogo do Prime Video com uma proposta que parece, ao mesmo tempo, datada e refrescante. Dirigido por Ángel Manuel Soto (conhecido por Besouro Azul), o filme não tenta reinventar a roda, mas sim relembrar por que ela girava tão bem nas décadas de 80 e 90.
A grande aposta aqui não é a tecnologia de ponta, mas algo muito mais simples e, ultimamente, raro: a pura e explosiva química entre seus protagonistas, Jason Momoa e Dave Bautista. Se você estava com saudade daqueles filmes de “brucutus” trocando farpas e socos, essa pode ser a sua pedida para o fim de semana.
Sinopse
A trama nos leva ao cenário paradisíaco (e perigoso) do Havaí, onde somos apresentados a dois meio-irmãos que não poderiam ser mais opostos. De um lado temos Jonny Hale (Jason Momoa), um policial de Oklahoma impulsivo, festeiro e que resolve tudo na base do improviso. Do outro, James Hale (Dave Bautista), um ex-Navy SEAL disciplinado, cheio de regras e focado na hierarquia.
Afastados há anos por mágoas do passado, eles são forçados a se reunir após o assassinato misterioso de seu pai, Walter. O que parecia ser apenas um funeral se transforma em uma caçada perigosa quando descobrem uma conspiração envolvendo mafiosos locais, a Yakuza e interesses imobiliários escusos liderados pelo vilão Marcus Robichaux (Claes Bang). Agora, para desmascarar os assassinos e sobreviver, eles vão precisar superar as diferenças — e a vontade de socar a cara um do outro.
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Resenha crítica do filme Dupla Perigosa (2026)
O carisma como motor narrativo
Não há como negar: a alma de Dupla Perigosa reside inteiramente na dinâmica entre Momoa e Bautista. O roteiro acerta em cheio ao criar personagens sob medida para os atores, explorando o contraste entre o estilo “caótico e barulhento” de Momoa e a postura “contida e séria” de Bautista. Essa relação remete diretamente aos clássicos buddy movies (filmes de parceiros policiais) como Máquina Mortífera, onde a fricção entre as personalidades é tão importante quanto as explosões.
Momoa parece estar se divertindo horrores no papel do irmão “bagunceiro”, trazendo uma energia quase infantil e inconsequente, enquanto Bautista serve como a âncora emocional e cômica justamente por sua seriedade. Mesmo quando o filme tropeça em seus diálogos ou na trama, é o prazer de ver esses dois juntos em tela que segura o espectador.

Ação física e visceral
Diferente de muitas produções atuais que parecem videogames, a direção de Ángel Manuel Soto aposta na fisicalidade. A ação aqui tem “peso”; você sente o cansaço e o impacto dos golpes, o que fortalece a conexão emocional com o perigo que os personagens enfrentam. Há uma sequência de pancadaria entre os irmãos que é uma clara e divertida homenagem à luta clássica de Eles Vivem (1988), reforçando que, nesse gênero, o embate físico também é uma forma de diálogo.
Além das lutas corpo a corpo, o filme entrega momentos de grande escala, como uma perseguição absurda e empolgante envolvendo um helicóptero atirando contra o trânsito, que se destaca como uma das melhores cenas de ação do longa. O uso das locações naturais do Havaí também ajuda a tirar aquela sensação de ambiente artificial de estúdio, dando um visual mais rico à produção.
Roteiro genérico e vilão esquecível
Se a química e a ação elevam o filme, o roteiro de Jonathan Tropper é o que o puxa para baixo. A trama de conspiração é previsível e, honestamente, cheia de clichês que você vê chegando a quilômetros de distância. O mistério sobre a morte do pai serve apenas como desculpa para a ação acontecer, sem oferecer grandes surpresas ou profundidade.
Outro ponto fraco é o vilão. Apesar do esforço de Claes Bang, o personagem Marcus Robichaux é o arquétipo batido do empresário rico e malvado sem muita nuances, acabando ofuscado pelo carisma dos heróis. Além disso, o humor nem sempre funciona; em alguns momentos, as piadas soam um pouco juvenis ou forçadas, dependendo demais da boa vontade do público com o estilo “tiozão” de Jason Momoa.
Conclusão
Dupla Perigosa não veio para ganhar o Oscar nem para redefinir o cinema de ação. É um filme que abraça sua natureza de entretenimento despretensioso, sustentado pelos ombros largos de seus protagonistas.
Se você conseguir relevar o roteiro preguiçoso e algumas piadas ruins, vai encontrar uma aventura divertida, energética e visualmente bonita. É o tipo de filme perfeito para desligar o cérebro e curtir a pancadaria — provando que, às vezes, uma boa parceria é tudo o que precisamos para salvar o dia (e o filme).
Onde assistir ao filme Dupla Perigosa?
Trailer de Dupla Perigosa (2026)
Elenco de Dupla Perigosa, do Prime Video
- Dave Bautista
- Jason Momoa
- Claes Bang
- Temuera Morrison
- Jacob Batalon
- Frankie Adams
- Miyavi
- Stephen Root
- Morena Baccarin

















