Confira a crítica da série "Duster", suspense policial de 2025 com Josh Holloway disponível para assistir na Max.

‘Duster’: nostalgia setentista e tensão criminal marcam o primeiro episódio

Foto: Max / Divulgação
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“Duster” chega ao catálogo da Max com grandes expectativas, não apenas por ser o primeiro projeto lançado sob o bilionário contrato de J.J. Abrams com a Warner Bros., mas também por reunir dois criadores de peso: Abrams e LaToya Morgan.

Ambientada no calor sufocante do Arizona, em plena década de 1970, a série promete um mergulho estilizado na tensão entre o crime organizado e o FBI, protagonizado por uma dupla improvável: uma jovem agente determinada e um motorista de fuga carismático.

O episódio piloto acerta em capturar o espírito da época e introduz personagens intrigantes, mas tropeça ao estabelecer uma conexão sólida entre seus dois mundos centrais.

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Sinopse da série Duster (2025)

Em meio à efervescência política do escândalo Watergate e após a morte de J. Edgar Hoover, a agente novata do FBI Nina Hayes (Rachel Hilson) decide se transferir para Phoenix. Sua missão pessoal e profissional é clara: derrubar Ezra Saxton (Keith David), um chefão do crime tão temido quanto respeitado no sudoeste americano.

Enquanto isso, Jim Ellis (Josh Holloway), um veterano do Vietnã que agora vive como motorista e homem de confiança de Saxton, leva uma vida de excessos e velocidade, cruzando as estradas em seu icônico Plymouth Duster vermelho. Quando Nina revela a Jim sua suspeita de que Saxton assassinou o próprio irmão de Jim, uma complexa parceria nasce — ou, ao menos, começa a se desenhar.

O episódio acompanha os primeiros movimentos desse jogo de xadrez, em que cada peça se move motivada por feridas antigas e ambições reprimidas.

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Crítica de Duster, da Max

O maior triunfo de “Duster” em seu episódio inaugural é, sem dúvida, a estética impecável. Dos figurinos ao design de produção, passando pela trilha sonora repleta de clássicos soul e rock da época, tudo exala um capricho notável na recriação dos anos 70. A abertura estilizada e a escolha cuidadosa de canções, como Marvin Gaye e James Brown, não apenas situam o espectador no tempo, mas imprimem personalidade e ritmo à narrativa.

As referências aos filmes icônicos da época — como “Butch Cassidy” e “Bullitt” — são bem colocadas e reforçam o caráter de homenagem que permeia a série, sem, contudo, subverter ou reinventar o gênero. Aqui, “Duster” parece confortável em ser uma carta de amor aos muscle cars e às séries policiais clássicas, como “Starsky & Hutch, Justiça em Dobro”.

Potencial da protagonista esbarra em clichês

Rachel Hilson entrega uma atuação sólida como Nina Hayes, uma personagem que transborda potencial, mas que, neste primeiro episódio, ainda está presa a arquétipos um tanto superficiais. A agente do FBI negra e pioneira enfrenta de forma estoica e corajosa o racismo e a misoginia do ambiente de trabalho, mas o roteiro falha em aprofundar suas motivações para além do trauma familiar que a conecta a Saxton.

Ainda assim, há bons momentos — especialmente nas cenas em que Nina confronta a resistência de seus colegas e insiste, com convicção, em seguir adiante na investigação. A interação dela com Awan Bitsilly (Asivak Koostachin), agente indígena igualmente marginalizado, sugere uma parceria promissora e um interessante comentário social, mas que, até aqui, apenas arranha a superfície.

Josh Holloway: charme intacto, personagem confuso

Josh Holloway encarna Jim Ellis com o carisma que o consagrou em “Lost”, mas esbarra numa caracterização excessivamente carregada. O personagem é, ao mesmo tempo, um bad boy irresistível, um pai em busca de redenção, um fiel capanga, um homem de luto e, de quebra, um potencial informante do FBI. Essa sobrecarga de traços prejudica o desenvolvimento emocional do personagem, que poderia ganhar mais força se focasse em menos aspectos.

O relacionamento entre Jim e Nina, o cerne da série, se desenha de forma apressada e pouco convincente. A maneira como Nina o transforma de um leal subordinado do crime a um potencial traidor em poucos dias parece forçada e descolada da plausibilidade emocional que a série pretende ter.

O desafio de equilibrar estilo e substância

“Duster” quer ser muitas coisas ao mesmo tempo: um thriller policial, um drama de personagens, uma crítica social e uma homenagem estilizada. No piloto, esse excesso de intenções resulta em um episódio que, embora visualmente sedutor, parece hesitante sobre qual caminho seguir.

As cenas de ação — sobretudo as perseguições de carro — são competentes, mas carecem de tensão genuína, talvez por serem filmadas em ruas curiosamente desertas. Já as tramas paralelas e o vasto elenco secundário, embora prometam enriquecer o universo da série, ainda não encontram espaço para se desenvolver com a profundidade necessária.

Personagens como Ezra Saxton, vivido com presença imponente por Keith David, e o sargento corrupto Groomes (Donal Logue) chamam atenção, mas permanecem, por ora, mais como peças decorativas do que motores da narrativa.

As sementes plantadas para uma temporada intrigante

Apesar dos tropeços, o episódio cumpre sua função primordial: despertar a curiosidade para o que vem a seguir. A promessa de uma conspiração de grandes proporções, os conflitos familiares mal resolvidos e a tensão sexual latente entre os protagonistas são elementos suficientes para manter o espectador interessado.

Além disso, o subtexto sobre os limites da lealdade e os mecanismos de poder — seja no crime organizado ou nas instituições do Estado — sugere que “Duster” pode, ao longo da temporada, aprofundar-se em questões mais densas do que aparenta neste início.

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Conclusão

O primeiro episódio de “Duster” é um piloto competente, que estabelece com segurança sua atmosfera e personagens, mas que ainda precisa ajustar o tom e encontrar o equilíbrio entre o estilo e a substância. O charme inegável de Josh Holloway, a força de Rachel Hilson e a estética vibrante são seus maiores trunfos, enquanto a pressa em construir uma parceria complexa e o excesso de elementos narrativos ameaçam comprometer o impacto emocional.

Se souber desacelerar e confiar mais no desenvolvimento gradual de suas tramas, “Duster” tem potencial para se tornar uma adição marcante ao panteão das séries criminais ambientadas em um passado estilizado. Por ora, é uma estreia que diverte e intriga, mas ainda não emociona como poderia.

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Onde assistir à série Duster?

A série está disponível para assistir na Max.

Trailer de Duster (2025)

YouTube player

Elenco de Duster, da Max

  • Josh Holloway
  • Sydney Elisabeth
  • Camille Guaty
  • Adriana Aluna Martinez
  • Reavis Dorsey
  • McKenzie Scott
  • Rachel Hilson
  • Sofia Vassilieva

Ficha técnica da série Duster

  • Título original: Duster
  • Criação: J.J. Abrams, LaToya Morgan
  • Gênero: policial, suspense
  • País: Estados Unidos
  • Temporada: 1
  • Episódios: 8
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Giselle Costa Rosa

Navegando nas águas do marketing digital, na gestão de mídias pagas e de conteúdo. Já escrevi críticas de filmes, séries, shows, peças de teatro para o sites Blah Cultural e Ultraverso. Agora, estou aqui em um novo projeto no site Flixlândia.

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