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Crítica | ‘Euphoria’ (3×05): o mundo é de Cassie Howard

Foto: Divulgação / HBO
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A terceira temporada de Euphoria tem se distanciado das suas raízes adolescentes para mergulhar em um submundo sombrio que flerta com o cinema noir e com os faroestes, substituindo os famosos movimentos frenéticos de câmera e a trilha sonora de Labrinth por planos abertos capturados em 65mm.

O quinto episódio consolida essa transição de forma vertiginosa, entregando os momentos com as maiores mudanças de tom da série até agora. Oscilando entre o surrealismo cômico da busca cega por fama online e a tensão palpável do narcotráfico, o criador Sam Levinson testa os limites de seus personagens, colocando alguns no topo de Hollywood e enterrando outros — literalmente — no chão.

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Sinopse

No episódio 5, a vida de Cassie ganha ares de delírio ao alcançar 50 mil assinantes no OnlyFans, impulsionada por uma rotina exaustiva de criação de fetiches gerenciada friamente por Maddy. Com o dinheiro que ganha, Cassie continua sustentando os luxos decadentes de um Nate Jacobs cada vez mais endividado.

Em paralelo, Maddy assegura seu domínio sobre Cassie ao forjar uma audição para a novela LA Nights, resultando em uma inusitada recitação de Shakespeare. Enquanto isso, Jules lida com o ciúme e a desconfiança de seu “sugar daddy”.

No núcleo mais denso da trama, o disfarce de Rue como informante da DEA desmorona: após tentar incriminar Magick, a dançarina expõe as atitudes suspeitas de Rue para o implacável Alamo. O chefão do crime não apenas se alia a Maddy para explorar as strippers na internet, como submete Rue a um castigo aterrorizante, enterrando-a até o pescoço em uma cena que termina em um perturbador corte para o escuro.

Crítica do episódio 5 da temporada 3 de Euphoria

A metamorfose surreal de Cassie e o jogo de Maddy

O arco de Cassie atinge o ápice do absurdo de maneira fascinante. A direção aposta em uma sequência onírica na qual a personagem se transforma em uma giganta que aterroriza Los Angeles, em uma clara homenagem ao clássico A Mulher de 15 Metros (1958).

Essa representação visual escancara o ego inflado de Cassie, que acredita estar no controle de seu destino e de seu “império”, embora continue submissa às vontades de homens na internet e aos esquemas mentais de Nate e Maddy.

A série insere até mesmo um metacomnetário ácido sobre as polêmicas da vida real da atriz Sydney Sweeney, fazendo com que Cassie adote discursos do extremismo político e apareça em podcasts duvidosos — com direito a uma participação especial de Trisha Paytas.

A dinâmica entre ela e Maddy é outro ponto alto. Maddy afirma ter alcançado a “equanimidade”, despindo-se de qualquer emoção para lidar com a ex-amiga de forma puramente comercial. Ao inventar mentiras e manipular Lexi para conseguir o papel na novela para Cassie, Maddy se consolida como uma predadora brilhante no ecossistema de Hollywood, garantindo que sua principal fonte de renda permaneça sob sua coleira. A audição onde Cassie declama Cleópatra de Shakespeare beira o cafona, mas funciona narrativamente para provar sua versatilidade cega por validação.

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Foto: Divulgação / HBO

Maddy Perez e a banalidade do mal

O encontro no restaurante entre Maddy e o impiedoso Alamo eleva o status da personagem. Sam Levinson conduz a cena como um duelo sutil onde o instinto capitalista fala mais alto que a moralidade. Maddy demonstra não se intimidar com o perigo que o cafetão representa, chegando a afirmar que não tem medo de lucrar em cima do estigma do trabalho sexual.

Ao levar Alamo ao clube e inspecionar as dançarinas como mercadoria (escolhendo Kitty e Magick para seu novo portfólio), Maddy cruza a linha de agente de influenciadores para se tornar, essencialmente, cúmplice e agenciadora em um esquema que margeia o tráfico humano.

A mutilação física e espiritual de Nate e Jules

Dois personagens parecem presos em ciclos de humilhação e esvaziamento. Nate Jacobs, outrora o arquétipo do adolescente machista e intimidador, agora é um espectro patético dançando de pijama em uma mansão destruída. Seu castigo não é apenas o endividamento, mas a literal mutilação física; perder o dedo e ter seu dedão do pé novamente arrancado pelo capanga do agiota é uma metáfora grotesca e gráfica de sua castração de poder.

Jules, por sua vez, foi relegada a uma subtrama frustrante. Sua busca por propósito está paralisada no apartamento luxuoso do amante cirurgião. Quando Ellis encontra as roupas de Rue e explode de raiva temendo contrair DSTs, a humilhação escancara a farsa da vida glamourosa que Jules imaginava ter, reduzindo-a mais uma vez ao papel de um fetiche descartável.

O declínio de Rue e o terror do clandestino

A trama central traz as consequências finais para as atitudes descuidadas de Rue. Temáticas de tamanho e poder ecoam durante todo o episódio: se Cassie se imagina colossal, Alamo se ofende profundamente ao receber roupas de um tamanho menor, reagindo com uma violência extrema (quase matando um capanga com um furador de gelo) para reafirmar sua dominância.

É essa insegurança perigosa que torna o destino de Rue tão assustador. Quando Magick pontua as falhas óbvias no disfarce de Rue — como não reconhecer a voz dos assaltantes —, a sentença de morte da protagonista é selada. A cena em que G e Bishop obrigam Rue a cavar o próprio túmulo até ser enterrada pelo pescoço evoca o mais puro terror psicológico. O final tenso, com Alamo galopando em sua direção empunhando um taco, deixa o espectador sem respirar e consagra a série em sua nova fase brutal.

Conclusão

O episódio 5 da temporada 3 de Euphoria é corajoso e visualmente inventivo, que abraça o caos sem medo de ser bizarro. Apesar de alguns arcos, como o de Jules, parecerem mal aproveitados em meio à confusão, o capítulo brilha nas performances dedicadas de Sydney Sweeney, Alexa Demie e Zendaya

Euphoria parece ter transformado os corredores coloridos do colégio em um tribunal implacável da vida adulta, onde o desespero e a ambição reinam soberanos. O chocante corte para a tela preta não apenas nos deixa temendo pela vida de Rue, mas garante que a expectativa para a reta final desta terceira temporada seja excruciante.

Onde assistir à série Euphoria?

Trailer da temporada 3 de Euphoria

YouTube player

Elenco da 3ª temporada de Euphoria

  • Zendaya
  • Hunter Schafer
  • Eric Dane
  • Jacob Elordi
  • Sydney Sweeney
  • Alexa Demie
  • Maude Apatow
  • Martha Kelly
  • Chloe Cherry
  • Adewale Akinnuoye-Agbaje
  • Toby Wallace

Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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