Confira a crítica do filme "Homem com H", cinebiografia de Ney Matogrosso de 2025 disponível para assistir nos cinemas.

‘Homem com H’ é a intensidade de Ney Matogrosso em carne, voz e alma

Foto: Paris Filmes / Divulgação
Compartilhe

Poucos artistas brasileiros carregam consigo uma aura tão indomável, provocadora e genuinamente livre quanto Ney Matogrosso. Ícone da música, da performance e da resistência, sua trajetória finalmente ganha os cinemas com o filme “Homem com H”, dirigido por Esmir Filho e protagonizado por um “possuído” Jesuíta Barbosa.

Mais que uma simples cinebiografia, o longa é um mergulho visceral na alma de um artista que jamais aceitou ser moldado — nem por seu pai, nem pela ditadura, nem pela moral da época.

Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse do filme Homem com H

“Homem com H” traça um recorte pungente da vida de Ney de Souza Pereira, nascido em 1941 no Mato Grosso do Sul. A narrativa alterna momentos da infância, marcados por repressão e agressões do pai militar, com o ápice de sua carreira nos palcos.

Acompanhamos sua passagem pela Aeronáutica, os primeiros amores, a formação dos Secos & Molhados, a luta contra a censura, o luto provocado pela epidemia de AIDS e, acima de tudo, sua jornada por liberdade. O longa se apoia fortemente nas músicas de Ney — 17 no total — para construir, com força e poesia, a identidade desse artista multifacetado.

Você também pode gostar disso:

+ ‘Um Pai para Lily’: afeto nas entrelinhas de uma dor silenciosa

+ ‘Screamboat: Terror a Bordo’ aposta no absurdo e naufraga com estilo

‘Thunderbolts*’ é a redenção inesperada da Marvel com heróis ‘quebrados’

Crítica de Homem com H (2025)

A atuação de Jesuíta Barbosa é, sem exageros, uma das mais intensas e precisas do cinema brasileiro recente. Desde os primeiros passos como o jovem Ney até os grandes shows solo, ele não apenas imita — ele encarna.

Do timbre de voz aos movimentos felinos, do olhar inquieto ao magnetismo corporal, há uma possessão artística que atravessa a tela. Sua entrega física, inclusive, foi radical: perdeu 12 quilos para alcançar a fragilidade magra do artista. E em cena, é pura combustão.

Luz, sombra e a estética da liberdade

Ao contrário de outras cinebiografias que sacrificam a essência pela cronologia, Esmir Filho constrói uma narrativa que pulsa como Ney: fragmentada, sensual, rebelde e poética. O roteiro, aprovado em todas as suas versões pelo próprio cantor, evita o didatismo e acerta ao tratar as performances musicais como parte essencial da jornada emocional do personagem. As canções não são inserções obrigatórias; são respirações, gritos, feridas abertas.

A fotografia de Azul Serra é um espetáculo à parte. Ela dialoga com o estado emocional de Ney, com os bastidores da repressão e com a exuberância dos palcos. Tudo se encaixa: figurinos, cenários, a direção de arte meticulosa de Thales Junqueira — do delírio teatral à crueza das relações íntimas, tudo colabora para uma experiência sensorial que traduz não apenas o tempo histórico, mas o estado de espírito do protagonista.

Um filme que não foge da verdade

“Homem com H” tem a coragem de mostrar o artista sem filtro. Fala das agressões do pai, do erotismo presente em sua arte, dos amores com homens e mulheres, da perda de Marco de Maria e da relação com Cazuza. Não há omissões convenientes. Não há “branqueamento” da história. Isso o aproxima de obras como Rocketman e Better Man, que também optaram por uma narrativa honesta e emocionalmente crua.

O filme dedica também uma parte comovente à devastação provocada pela AIDS. Esmir Filho aborda com sensibilidade a dor da perda de amigos e amores — inclusive Marco, companheiro de 13 anos de Ney. São cenas de partir o coração e de lembrar o silêncio cúmplice dos governos da época diante da crise. É provável que muitos espectadores chorem. O artista, inclusive, revelou que uma dessas cenas o fez chorar.

O único tropeço: o epílogo apressado

Nos últimos 20 minutos, “Homem com H” se rende ao formato cronológico mais tradicional. A narrativa, até então vibrante, entra num modo protocolar, acelerando eventos das décadas recentes. Há ali um certo esvaziamento, uma tentativa de fechar pontas que talvez não precisassem ser amarradas. É como se o filme, tão livre como Ney, fosse brevemente obrigado a se adequar. Felizmente, isso não compromete o impacto geral.

Acompanhe o Flixlândia no Google Notícias e fique por dentro do mundo dos filmes e séries do streaming

Conclusão

“Homem com H” não é apenas um retrato de Ney Matogrosso. É um manifesto sobre a liberdade, sobre viver sem concessões e cantar contra a maré. É também uma homenagem à arte que salva, ao corpo que protesta e ao amor que resiste.

Tecnicamente impecável, sensorialmente potente e emocionalmente sincero, o filme se junta ao seleto grupo de cinebiografias brasileiras que não temem o confronto com a verdade. E como Ney, ele encanta, desafia e transforma.

Siga o Flixlândia nas redes sociais

Instagram

Twitter

TikTok

YouTube

Onde assistir ao filme Homem com H?

O filme está disponível para assistir nos cinemas.

Trailer de Homem com H (2025)

YouTube player

Elenco do filme Homem com H

  • Jesuíta Barbosa
  • Caroline Abras
  • Hermila Guedes
  • Bruno Montaleone
  • Rômulo Braga
  • André Dale
  • Luiz Xavier
  • Jullio Reis

Ficha técnica de Homem com H (2025)

  • Direção: Esmir Filho
  • Roteiro: Esmir Filho
  • Gênero: drama
  • País: Brasil
  • Duração: 129 minutos
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Giselle Costa Rosa

Navegando nas águas do marketing digital, na gestão de mídias pagas e de conteúdo. Já escrevi críticas de filmes, séries, shows, peças de teatro para o sites Blah Cultural e Ultraverso. Agora, estou aqui em um novo projeto no site Flixlândia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Citizen Vigilante crítica do filme proibido 2026 com Armie Hammer
Críticas

Banido na Alemanha, ‘Citizen Vigilante’ une Uwe Boll e Armie Hammer no pior filme de 2026

Se você gosta de cinema trash ou acompanha as polêmicas de Hollywood,...

A Noite de Alaíde filme brasileiro 2026
Críticas

‘A Noite de Alaíde’ preenche lacunas históricas com poesia e reparação audiovisual

O cinema brasileiro carrega consigo uma missão que frequentemente vai além do...

Matt Damon em cena do filme A Odisseia de 2026
Críticas

‘A Odisseia’: mais do que o mito, Nolan entrega o espelho dos horrores modernos

O cinema de Christopher Nolan sempre foi obcecado por grandes conceitos e...

Xica da Silva versão original com Zezé Motta de 1976
Críticas

O retorno de uma rainha: por que você precisa rever ‘Xica da Silva’ no cinema

Xica da Silva (1976), dirigido por Carlos “Cacá” Diegues, retorna às salas...

Um Pesadelo Maravilhoso crítica do filme da Netflix 2025
Críticas

‘Um Pesadelo Maravilhoso’: remake da Netflix que mistura humor e reflexão

Sabe aquele filme perfeito para assistir no final do dia, relaxado na...

Susana e Elvira Sem Plano B filme de 2026 da Netflix
Críticas

‘Susana e Elvira: Sem Plano B’ prova que a amizade feminina depois dos 40 rende os melhores filmes

Você piscou e aquele blog que falava de relacionamentos e intimidade lá...

Golden Kamuy 3 Invasão à Prisão Abashiri crítica do filme da Netflix 2026
Críticas

‘Golden Kamuy: Invasão à Prisão Abashiri’ entrega o melhor épico de ação da Netflix

A maldição do ouro continua, e agora o destino se afunila nas...