Sabe aquela história clássica que a gente já conhece e adora, mas que ganha uma roupagem totalmente nova e surpreendente? É exatamente isso que a Netflix fez com a nova série Homem em Chamas. Esqueça a ideia de que essa é apenas uma cópia do icônico filme de 2004 estrelado por Denzel Washington.
A nova produção de sete episódios, criada pelo showrunner Kyle Killen, adapta os dois primeiros livros da obra de A.J. Quinnell de um jeito bem mais solto e focado na carga emocional dos personagens. E para assumir o peso colossal do protagonista John Creasy, temos o talentoso Yahya Abdul-Mateen II, que entrega uma performance que eleva o nível da produção.
Sinopse
A trama acompanha John Creasy, um ex-mercenário das Forças Especiais que carrega traumas profundos do seu tempo em missões no Afeganistão e no Iraque. Afundado em alcoolismo, lidando com pensamentos suicidas e sofrendo de um transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) paralisante, ele recebe um convite de um velho amigo para trabalhar com segurança no Rio de Janeiro, às vésperas de uma eleição super tensa.
Lá, a missão dele acaba sendo proteger uma adolescente rebelde chamada Poe. Como em toda boa história de ação, a fase da “vida tranquila” dura bem pouco: um ataque muda tudo, e a garota acaba no centro do perigo. A partir daí, Creasy é sugado de volta para um ciclo de violência brutal para proteger a menina e caçar os culpados pelas ruas do Rio de Janeiro. Na sua jornada por justiça e vingança, ele passa a contar com a ajuda inusitada de moradores locais, incluindo a motorista Valeria Melo, interpretada pela atriz brasileira Alice Braga.
Crítica da série Homem em Chamas, da Netflix
Carga dramática com atuação de peso
O grande coração dessa série é, sem dúvida nenhuma, Yahya Abdul-Mateen II. Ele não interpreta um herói de ação raso e invencível; o Creasy dele é complexo, vulnerável, raivoso e, acima de tudo, intensamente humano. O ator consegue transmitir uma dor absurda no olhar, lidando com gatilhos de trauma e ataques de pânico de forma muito cuidadosa e sem julgamentos.
Enquanto ele comete atos terríveis com os inimigos, vemos uma gentileza quase paternal e protetora quando ele interage com Poe. É uma atuação que te prende e faz você torcer pelo cara, mesmo quando ele escancara sua moralidade ambígua.

Ação nua, crua e (muito) violenta
Se você curte boas sequências de luta, vai ficar muito bem servido, mas já fica o aviso: a ação aqui foge daquele glamour coreografado padrão de Hollywood. A pegada é suja, visceral e extremamente realista. O treinamento tático pesado que o protagonista fez para o papel fica evidente, deixando cada movimento na hora de atirar ou lutar com cara de instinto puro de sobrevivência.
Mas prepara o estômago, porque a série não tem medo de ser gráfica e conta com cenas de interrogatório e tortura bem difíceis de assistir – do tipo que usa baterias de carro ou ácido de um jeito que faz a gente encolher no sofá.
O cenário carioca e a “galera” do Creasy
Uma sacada excelente dessa versão foi trazer a história para o Brasil, usando o Rio de Janeiro não só como um pano de fundo bonito, mas como parte da trama. Ao invés de lutar 100% sozinho como um lobo solitário, Creasy acaba formando um grupo de aliados improváveis com os moradores das favelas cariocas.
Alice Braga brilha ao entregar uma personagem muito pé no chão, oferecendo um porto seguro e calor humano no meio do caos. Alguns críticos apontaram que a formação dessa “equipe” aconteceu de um jeito um tanto forçado e conveniente para o roteiro, mas para outros, esse núcleo foi essencial para transmitir a bonita mensagem de que a cura para nossos piores traumas só vem através da conexão com outras pessoas.
Drama x diversão
É aqui que a série acaba pode acabar dividindo algumas opiniões. A Netflix decidiu pesar bastante a mão no drama, fazendo com que a história fosse densa e muito focada na dor e no luto dos personagens. Para mim, isso foi um verdadeiro golaço, já que elevou o nível da narrativa e entregou algo muito mais significativo do que o normal no gênero.
Por outro lado, há quem possa dar o play esperando apenas um thriller cheio de absurdos divertidos e frases de efeito pode se incomodar. Como o tom do roteiro é quase sempre sombrio, quando as cenas de ação mais absurdas acontecem (como pular de um carro em movimento direto para um avião), elas acabam contrastando de uma maneira meio cômica e estranha com a seriedade do protagonista.
Conclusão
No fim das contas, Homem em Chamas tenta ser muito mais do que apenas mais uma série de “tiro, porrada e bomba” no streaming. Apesar de a trama geral ter seus clichês, ser um pouco previsível às vezes e sofrer com alguns problemas de ritmo nos sete episódios, o mergulho psicológico denso e as cenas de ação frenéticas compensam os deslizes.
É uma obra violenta e emocionante, impulsionada por atuações fantásticas e um protagonista formidável. Se você curte um suspense de ação mais realista e denso, com o visual e as ruas do Rio de Janeiro muito bem aproveitados, com certeza vale a maratona.
Onde assistir assistir à série Homem em Chamas?
Trailer de Homem em Chamas (2026)
Elenco de Homem em Chamas, da Netflix
- Yahya Abdul-Mateen II
- Billie Boullet
- Alice Braga
- Scoot McNairy
- Bobby Cannavale
- Thomás Aquino
- Pâmela Germano
- Billy Blanco Jr.
- Ismael Caneppele
- Ravel Cabral
















