Se você chegou ao fim dos oito episódios da série Mulheres Imperfeitas, da Apple TV, com a respiração ofegante e a cabeça cheia de perguntas, saiba que você não está sozinho. O thriller psicológico, baseado no romance de Araminta Hall e adaptado por Annie Weisman, entregou um episódio final, intitulado “A Ponte”, que amarra o mistério central, mas recusa finais de contos de fadas.
Mais do que descobrir as peças de um quebra-cabeça criminal, o desfecho nos força a encarar as rachaduras de amizades marcadas por segredos, ciúmes e traumas. Para quem quer entender cada detalhe, vamos destrinchar o que realmente aconteceu no encerramento dessa trama intensa.
O que acontece no final da série Mulheres Imperfeitas?
Quem matou Nancy em Mulheres Imperfeitas?
Se você já estava desconfiando do “marido perfeito”, acertou em cheio. Quem matou Nancy (Kate Mara) foi Howard (Corey Stoll), marido de sua melhor amiga, Mary (Elisabeth Moss).
A série revela que Howard e Nancy mantinham um caso secreto. Howard se aproveitou de um momento de vulnerabilidade no casamento de Nancy, mas as coisas saíram do controle quando ela decidiu voltar para o seu marido, Robert (Joel Kinnaman), e tentou encerrar o caso.
No fatídico encontro debaixo da ponte, Howard tentou convencê-la a fugir com ele, totalmente imerso em um delírio romântico e doentio. Quando Nancy deu um choque de realidade chamando-o de delirante e deu um tapa no rosto dele, Howard reagiu com violência, empurrando-a contra a parede de cimento. O impacto fraturou o crânio de Nancy, matando-a instantaneamente. Para encobrir o crime, ele arrastou o corpo para a água e roubou o anel de claddagh dela como uma espécie de lembrança.
O papel de Scott Reed na noite do crime
A série jogou uma bela isca para o público nos episódios finais ao colocar Scott Reed (Wilson Bethel), o ex-padrasto abusivo de Nancy, na cena do crime. Mas, afinal, por que ele estava lá?
Nancy, aterrorizada pelas ameaças de Howard de expor o caso, entrou em contato com Scott, pedindo proteção. Ela queria que ele desse um susto em Howard para que a deixasse em paz. O trágico é que Scott chegou tarde demais; ele apenas viu Howard debruçado sobre o corpo de Nancy e fugiu do local, tornando-se um bode expiatório fácil para a detetive Ganz e para a narrativa manipuladora de Howard.

O que acontece com Howard no final? A cena da ponte
Um dos temas mais fortes da série é mostrar como as instituições muitas vezes falham. No tribunal, em uma tensa disputa pela guarda das crianças, a ex-mulher de Howard expõe seu histórico de violência e abuso, resultando na perda da guarda para ambos os pais.
Desesperado e perdendo o controle de sua narrativa, Howard sequestra Mary de seu quarto de hotel e a leva de volta à ponte onde Nancy morreu, com a intenção de matá-la e forjar um suicídio.
O que se segue é puro instinto de sobrevivência. Mary consegue distrair Howard fingindo estar em uma área sem sinal (“dead zone”) enquanto mantém uma ligação aberta para Eleanor (Kerry Washington), que rapidamente entende onde eles estão. Em uma sequência brutal, Eleanor chega a tempo e atropela Howard. Quando o vilão ainda tenta atacar Eleanor, Mary o esfaqueia nas costas, matando-o em legítima defesa e colocando um fim definitivo ao tormento.
Como fica a amizade de Mary e Eleanor após o trauma?
Mulheres Imperfeitas é muito realista sobre o impacto da dor nas relações. Não há uma reconciliação mágica entre Mary e Eleanor. Elas passaram por tempestades que mudaram a dinâmica daquela amizade para sempre.
Em um salto temporal de um ano, vemos Eleanor aproveitando uma vida mais leve em um iate — batizado carinhosamente de Nancy — ao lado de seu irmão e de um novo amor. Ela não comparece fisicamente à festa de aniversário da filha de Mary, mas envia um presente. Como Kerry Washington explicou em entrevista, não houve um corte de laços; elas ainda são como família, mas precisaram de espaço e de limites saudáveis para conseguirem curar suas próprias feridas.
O olhar final entre Mary e Robert: O que significa?
A série guarda sua última surpresa para os segundos finais. Na festa infantil, Mary está visivelmente recuperada e de volta com seus filhos. De repente, vemos Robert, o viúvo de Nancy, trazendo o bolo de aniversário. A câmera captura um olhar profundo, carregado de tensão e ambiguidade entre Mary e Robert, acompanhado por um sorriso enigmático dela.
Estariam eles vivendo um romance oculto? Segundo a criadora da série, Annie Weisman, e a própria Elisabeth Moss, a intenção era exatamente deixar o público intrigado. A cena é um reflexo do título da série: essas pessoas são imperfeitas e complexas. Após tanta dor compartilhada, a possibilidade de eles encontrarem consolo um no outro existe, mas a série encerra brilhantemente nos lembrando que ninguém ali está totalmente curado ou satisfeito com a sua realidade.














