Sabe aquela sensação de reencontrar um velho amigo que mudou um pouco o estilo, mas ainda guarda a mesma essência? É exatamente assim que nos sentimos com a chegada de “Imperfeitamente Perfeita” (Ella McCay no original) ao Disney+.
Estamos falando do retorno de James L. Brooks à direção após um hiato de 15 anos. O homem por trás de clássicos que nos fizeram chorar e rir, como Laços de Ternura e Melhor é Impossível, decidiu voltar com uma proposta ambiciosa: uma comédia dramática que tenta equilibrar o peso da política com a leveza das disfunções familiares.
Mas será que a mágica ainda está lá ou o tempo enferrujou a fórmula? A resposta, infelizmente, é tão complicada quanto a família da protagonista.
Sinopse
A trama nos leva de volta a 2008, um período escolhido a dedo para evocar uma era pré-polarização extrema. Conhecemos Ella McCay (Emma Mackey), uma jovem idealista e workaholic que assume o cargo de governadora interina após seu mentor, Bill (Albert Brooks), aceitar uma posição no gabinete presidencial. Enquanto tenta passar leis focadas no bem-estar social, como cuidados dentários gratuitos para crianças, Ella precisa navegar por um campo minado pessoal.
Sua vida é cercada por figuras intensas: uma tia sábia e maternal, Helen (Jamie Lee Curtis); um pai adúltero e oportunista, Eddie (Woody Harrelson), buscando perdão barato; e Ryan (Jack Lowden), seu namorado de escola e marido, que oscila entre o apoio e uma ambição tóxica. O filme é narrado por Estelle (Julie Kavner), amiga e secretária de Ella, dando um tom de fábula à narrativa.
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Crítica do filme Imperfeitamente Perfeita
Um charme antiquado ou apenas confusão?
A primeira coisa que salta aos olhos em “Imperfeitamente Perfeita” é o tom. O filme parece uma tentativa deliberada de resgatar o estilo das “comédias malucas” dos anos 40 e 50, evocando a ingenuidade de Frank Capra em clássicos como A Mulher Faz o Homem. Para alguns, isso pode soar como uma lufada de ar fresco e otimismo em um mundo cínico.
No entanto, essa escolha estética cobra um preço alto na naturalidade. Os diálogos muitas vezes parecem artificiais, “arquitetados” demais, como se os personagens estivessem recitando frases de efeito sem realmente ouvir uns aos outros.
Há uma sensação de estranheza no ar; as conversas soam desalinhadas e fragmentadas, criando uma barreira que impede o público de mergulhar totalmente na emoção da cena. O filme pede que aceitemos um universo onde as pessoas falam e agem de maneira elevada e teatral, o que pode ser fascinante para uns, mas irritante para outros.

Um roteiro que atira para todos os lados
James L. Brooks tentou abraçar o mundo com este roteiro, e talvez esse seja o maior pecado do filme. A trama é inchada, cheia de subtramas que não levam a lugar nenhum. Temos o drama do irmão de Ella, Casey, e sua ex-namorada, que consomem tempo de tela sem adicionar profundidade real à jornada da protagonista.
A estrutura narrativa sofre com essa falta de foco, parecendo muitas vezes um rascunho que precisava de mais polimento ou uma série de TV condensada em duas horas. A sensação é de observar um organismo tentando se entender enquanto se apresenta ao público. O filme quer ser uma comédia familiar, um drama político e um romance ao mesmo tempo, mas acaba não se aprofundando o suficiente em nenhuma dessas frentes, deixando a história rasa.
A reviravolta de Ryan: o “homem-bomba”
Apesar dos tropeços, o filme acerta em cheio ao desconstruir o relacionamento de Ella com Ryan. O que começa como o retrato de um casal “perfeito” de namorados do ensino médio, logo se revela uma armadilha. A tia Helen, interpretada magistralmente por Jamie Lee Curtis, define Ryan como uma “bomba-relógio” na vida de Ella, uma das falas mais impactantes do longa.
A virada do personagem, que passa de marido solidário a sabotador invejoso, é o ponto alto do drama. Ryan, incapaz de lidar com o sucesso da esposa, não só exige um título inventado de “co-governador” como, ao ser rejeitado, cria um escândalo falso para destruir a carreira dela. É uma crítica mordaz e necessária sobre homens que não suportam mulheres ambiciosas e poderosas, preferindo implodir a relação a serem “coadjuvantes”. É frustrante assistir, mas totalmente verossímil.
O elenco carrega o piano
Se o roteiro oscila, o elenco segura as pontas com talento de sobra. Emma Mackey entrega uma Ella determinada e carismática, conseguindo vender o idealismo da personagem mesmo nas cenas mais caóticas.
Jamie Lee Curtis e Woody Harrelson, veteranos que dispensam apresentações, trazem energia para a tela, embora seus personagens muitas vezes pareçam estar em filmes diferentes devido à instabilidade do tom. Curtis, especialmente, brilha como a figura de suporte emocional, provando que o amor familiar entre mulheres é o verdadeiro coração da história.
Conclusão
“Imperfeitamente Perfeita” faz jus ao seu título nacional: é uma obra cheia de falhas, ruídos e escolhas duvidosas, mas que carrega uma intenção genuína de falar sobre esperança e serviço público. James L. Brooks entrega um filme que, em seus melhores momentos, nos lembra por que amamos o cinema clássico, mas que tropeça ao tentar traduzir essa linguagem para o público moderno sem a devida coesão.
Não é o retorno triunfal que muitos esperavam, e a execução irregular pode afastar quem busca uma narrativa mais “pé no chão”. Contudo, para quem estiver disposto a relevar a artificialidade dos diálogos e o excesso de subtramas, há uma mensagem bonita sobre não dever perdão a pais tóxicos e a importância de se livrar de parceiros que não te apoiam. É um filme curioso, corajoso em sua estranheza, e que vale a pena ser visto — nem que seja para debater suas imperfeições depois.
Onde assistir ao filme Imperfeitamente Perfeita?
Trailer de Imperfeitamente Perfeita (2025)
Elenco de Imperfeitamente Perfeita, do Disney+
- Emma Mackey
- Jamie Lee Curtis
- Woody Harrelson
- Jack Lowden
- Kumail Nanjiani
- Ayo Edebiri
















