[CRÍTICA] ‘Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt’: a verdade sombria por trás dos likes

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Sabe aquela sensação de que a crueldade humana não tem limites? Pois é, a Netflix parece empenhada em nos lembrar disso a cada novo lançamento de true crime. Desta vez, o foco recai sobre algo que achamos raro, mas que infelizmente acontece: mulheres infligindo sofrimento terrível, inclusive contra crianças. Estamos falando de Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt.

Dirigido por Skye Borgman – que você deve conhecer como a “rainha” desse gênero por documentários insanos como Sequestrada à Luz do Dia e A Garota da Foto –, o filme tenta desvendar como uma terapeuta respeitada e uma YouTuber famosa de educação dos filhos se uniram para criar um verdadeiro inferno doméstico. Se você curte histórias que exploram a depravação escondida sob a fachada de uma vida perfeita nos subúrbios americanos, chega mais, mas prepare o estômago.

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Sinopse

O documentário começa com um soco no estômago: a famosa filmagem da câmera de segurança de um vizinho em Ivins, Utah. Um garoto de 12 anos, desnutrido e com fita adesiva nos tornozelos e pulsos, toca a campainha pedindo comida e água, implorando para ser levado à polícia. Ele tinha acabado de escapar da casa de Jodi Hildebrandt.

A investigação desenrola um novelo perturbador. O garoto é filho de Ruby Franke, a matriarca do canal 8 Passengers, que já foi um sucesso no YouTube mostrando uma família mórmon “perfeita”. Acontece que Ruby caiu nas garras (e na cama, segundo teorias) de Jodi Hildebrandt, criadora do programa de “ajuda” ConneXions.

Jodi, usando uma retórica religiosa e distorcida sobre “verdade” e “amor”, convenceu Ruby e outros clientes a cometerem atrocidades em nome da disciplina, isolando maridos e torturando crianças para “expulsar o demônio” delas.

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Resenha crítica do documentário Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt

A assinatura de Skye Borgman e a reciclagem de conteúdo

Vamos ser sinceros: Skye Borgman sabe como contar uma história macabra sem cair no sensacionalismo barato de programas de TV aberta. O documentário tem uma abordagem sóbria, focada nos fatos, o que é um alívio. As entrevistas com a detetive Jessica Bate e o promotor Eric Clarke são pontos altos, trazendo a gravidade necessária sem histeria.

Porém, nem tudo são flores. Se você já assistiu a outros documentários ou acompanhou o caso no YouTube, vai sentir um gosto de “comida requentada”. O filme reaproveita muitas filmagens de arquivo e informações básicas que já estão por toda parte.

Alguns trechos parecem preguiçosos e a edição toma umas decisões bizarras – tipo mostrar um close no olho de alguém repetidas vezes sem motivo aparente. Fica aquela sensação de que o documentário chegou um pouco atrasado na festa e não trouxe tanta novidade para quem já conhece o caso.

A manipulação disfarçada de terapia

Onde o documentário realmente brilha (e assusta) é na exploração da linguagem como arma. É bizarro ver como Jodi usava termos terapêuticos como “verdade”, “distorção” e “responsabilidade” para controlar as pessoas. Ela pegava a vulnerabilidade dos seus clientes – vindos de uma cultura religiosa que valoriza a obediência cega à autoridade – e a transformava em uma ferramenta de abuso.

Os relatos de ex-clientes, como Ethan Prete e Valerie Jackson, mostram como ela destruía casamentos sistematicamente, demonizando a sexualidade (especialmente a masculina) e isolando as vítimas. O filme expõe como essa “coach de vida” cobrava fortunas para, basicamente, arruinar a vida das pessoas e convencer mães de que torturar os filhos era uma forma de amor. É um estudo de caso sobre como a influência digital e a autoridade religiosa podem criar monstros intocáveis.

O que faltou dizer?

Apesar de ser uma obra “assistível”, o documentário perde a chance de colocar o dedo na ferida em questões mais profundas. Ele menciona a Igreja Mórmon (LDS) e como Jodi recebia referências de bispos mesmo com a licença suspensa, mas não aprofunda a crítica à instituição. Faltou coragem para questionar: por que ninguém parou essa mulher antes? Como ela vivia numa casa de 5 milhões de dólares?

Além disso, a estrutura do filme dá uma tropeçada. Ele gasta muito tempo na construção da autoridade de Jodi e corre no final, quando fala das consequências legais. A relação pessoal entre Ruby e Jodi – que muitos indícios apontam ser romântica, apesar da pregação homofóbica de Jodi – é apenas sugerida, deixando um vácuo na compreensão da dinâmica da dupla.

Conclusão

Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt é um soco no estômago necessário, mas imperfeito. Ele serve como um alerta brutal sobre a fragilidade das salvaguardas em torno do cuidado mental e da crença cega em “gurus” de internet. É difícil de assistir? Muito. Especialmente sabendo que o sofrimento das crianças foi real.

Se você é novo nesse caso, é um ótimo ponto de partida, bem produzido e direto ao ponto. Mas, se você já maratonou tudo sobre o caso Ruby Franke no Disney+ ou no HBO Max, talvez sinta que a Netflix perdeu a oportunidade de cavar mais fundo. No fim, fica a lição amarga: o mal às vezes não se esconde nas sombras, mas posta vídeos diários sobre “verdade” e “amor” na sua timeline.

Onde assistir ao documentário Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt?

Trailer do filme Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt, da Netflix

YouTube player
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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