O Tanque de Guerra resenha crítica do filme 2025 Flixlândia (1)

[CRÍTICA] ‘O Tanque de Guerra’: uma viagem alucinógena (e claustrofóbica) na 2ª Guerra

Foto: Divulgação
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Se você está esperando aquele filme de guerra clássico, cheio de explosões estilo Hollywood, heróis americanos salvando o dia ou algo na pegada frenética de Corações de Ferro, pode tirar o cavalinho da chuva. “O Tanque de Guerra” é uma aposta alemã do Prime Video que tenta surfar na onda do sucesso de Nada de Novo no Front, da Netflix, mas entrega algo totalmente diferente.

Dirigido por Dennis Gansel, o filme foge do óbvio. Em vez de focar apenas no combate físico, ele mergulha na mente quebrada de uma tripulação de tanque nazista. É uma experiência estranha, às vezes lenta, que flerta com o horror e o suspense psicológico. A pergunta que fica no ar durante o filme todo é: até onde vai a realidade e onde começa a loucura da guerra?

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Sinopse

Estamos em 1943, no Fronte Oriental, oito meses após o desastre de Stalingrado. A história segue o Tenente Philip Gerkins (David Schütter) e sua tripulação de quatro homens a bordo de um tanque Tiger. Depois de escaparem por um triz de uma batalha brutal numa ponte no rio Dnieper, eles mal têm tempo de respirar antes de receberem uma nova ordem — que tem toda a cara de missão suicida.

O objetivo? Atravessar a “Terra de Ninguém”, um território infestado de soviéticos, para encontrar e resgatar o Coronel Paul von Hardenburg, que está isolado em um bunker com informações ultrassecretas. Para aguentar o tranco, o medo e o cansaço, a tripulação se entope de “Panzerschokolade” (basicamente metanfetamina/Pervitin). O resultado é uma viagem alucinante onde o perigo externo se mistura com a paranoia interna.

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Resenha crítica de O Tanque de Guerra

Uma das coisas mais legais do filme é como ele consegue passar a sensação de aperto. Se você já viu o clássico O Barco: Inferno no Mar (Das Boot), vai sentir uma vibe parecida aqui. O diretor Dennis Gansel e o cinegrafista Carlo Jelavic mandaram muito bem em fazer a gente se sentir dentro da lata de sardinha que é o tanque Tiger.

O ambiente é claustrofóbico; você quase consegue sentir o cheiro de óleo, suor e medo. O tanque não é só um veículo, é praticamente um personagem — o contêiner dessa história toda, que protege, mas também aprisiona.

O Tanque de Guerra 2025 resenha crítica do filme Flixlândia
Foto: Divulgação

Uma viagem ao “Coração das Trevas” (com drogas)

O roteiro bebe muito da fonte de Apocalypse Now e do livro Coração das Trevas. A estrutura é aquela velha conhecida: uma missão de ir do ponto A ao ponto B para buscar um oficial perdido, enquanto tudo ao redor fica cada vez mais bizarro.

O diferencial aqui é o uso das drogas. O filme não tem medo de mostrar o uso de estimulantes pelos soldados alemães e como isso borra a linha entre o que é real e o que é alucinação. As atuações seguram bem essa onda, com destaque para a química entre a tripulação.

Cada um tem seu papel: o líder leal (Schütter), o novato tímido (Yoran Leicher), o intelectual (Sebastian Urzendowsky) e o cara mais complexo e distante (Leonard Kunz). É um estudo de personagem interessante, mostrando que, por baixo da farda nazista, havia seres humanos desmoronando psicologicamente — sem necessariamente glorificar o que eles defendiam.

O final: ame ou odeie (sem spoilers!)

Aqui é onde o filme divide a galera. Enquanto a primeira hora e meia constrói uma tensão sólida e realista, o ato final dá uma guinada que muita gente pode torcer o nariz. O filme caminha para um desfecho que flerta com o sobrenatural e o místico, lembrando aquelas reviravoltas estilo O Sexto Sentido.

Para alguns, é uma jogada de mestre que fecha o ciclo temático sobre culpa e morte. Para outros, soa como um filme B que joga fora o realismo construído até ali. O ritmo também dá uma engasgada no meio, ficando um pouco repetitivo com a estrutura de “viajar, parar, enfrentar obstáculo, viajar de novo”. Se você não tiver paciência para filmes mais lentos e reflexivos, pode acabar achando pretensioso.

Conclusão

“O Tanque de Guerra” é um filme de guerra atípico. Ele ganha pontos por evitar os clichês de Hollywood e por não transformar a guerra em um espetáculo de ação vazio. É visualmente impressionante (a cena do tanque mergulhando na água é tensa demais) e tem uma atmosfera pesada que fica na cabeça depois que os créditos sobem.

Se você curte filmes que focam mais na psicologia e na ética da guerra do que no tiroteio, vale a pena conferir. Mas vá preparado: o final é polêmico e a pegada é mais “viagem mental ruim” do que “heróis de guerra”.

Onde assistir ao filme O Tanque de Guerra?

Trailer de O Tanque de Guerra (2025)

YouTube player

Elenco do filme O Tanque de Guerra

  • David Schütter
  • Laurence Rupp
  • Leonard Kunz
  • Sebastian Urzendowsky
  • Yoran Leicher
  • Tilman Strauss
  • André M. Hennicke
  • Arndt Schwering-Sohnrey
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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