Se você viu o título e pensou naquele clássico dos anos 90 com a Reese Witherspoon e o Ryan Phillippe, pode tirar o cavalinho da chuva. O filme que analisamos hoje é o suspense psicológico de 2022, originalmente chamado Jane, que chegou ao Brasil (com MUITO atraso) diretamente no Prime Video como Intenções Cruéis.
Dirigido por Sabrina Jaglom, o longa tenta surfar na onda de thrillers adolescentes focados em redes sociais e pressão acadêmica. Mas será que essa produção entrega o que promete ou é só mais um drama teen esquecível? Vamos descobrir.
Sinopse
A trama gira em torno de Olivia (Madelaine Petsch), uma estudante do último ano extremamente ambiciosa e perfeccionista, cujo único objetivo na vida parece ser entrar na Universidade de Stanford. O problema é que o mundo dela começa a desmoronar: ela está lidando com o luto recente pelo suicídio de sua melhor amiga, Jane, e acaba de ter sua admissão na faculdade adiada.
Como desgraça pouca é bobagem, uma nova aluna chamada Camille chega para ameaçar o posto de Olivia na equipe de debates. Sentindo-se encurralada, Olivia se reconecta com uma antiga amiga, Izzy (Chloe Bailey), e as duas começam a usar a conta de rede social da falecida Jane para “desenterrar podres” e destruir a reputação de quem estiver no caminho. O que começa como uma vingança digital logo se transforma em um surto psicótico, onde Olivia passa a ter visões da amiga morta e perde a noção dos limites.
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Resenha crítica do filme Intenções Cruéis (2022)
A força de Madelaine Petsch em um roteiro instável
Não dá para falar desse filme sem destacar a atuação de Madelaine Petsch. Conhecida por Riverdale, aqui ela entrega uma performance visceral, conseguindo transitar entre a vulnerabilidade de uma jovem em luto e a frieza de alguém disposta a tudo por controle. Ela carrega o filme nas costas, com olhares calculados e explosões emocionais que dão vida a uma protagonista complexa e, muitas vezes, difícil de engolir.
A química entre Petsch e Chloe Bailey (Izzy) também funciona muito bem, criando uma dinâmica de “amigas e rivais” que sustenta boa parte da narrativa. No entanto, o talento do elenco às vezes parece lutar contra um roteiro que não aprofunda todas as camadas que propõe, deixando a sensação de que as atrizes poderiam entregar ainda mais se tivessem um material melhor.

Redes sociais: espelho ou armadilha?
Um ponto alto é como o filme aborda a tecnologia. Intenções Cruéis não usa as redes sociais apenas como cenário, mas como um agente ativo na deterioração mental de Olivia. O filme acerta ao mostrar que o problema não é só a ferramenta, mas a necessidade desesperada de validação e controle que ela alimenta.
A trama explora como o luto feminino pode ser espetacularizado ou invalidado na era digital, transformando a dor em uma performance pública. É uma crítica interessante a uma geração que muitas vezes confunde identidade com a imagem projetada online, criando um suspense que se constrói na linha tênue entre o que é real e o que é virtual.
Ritmo, privilégio e um final controverso
Com apenas 83 minutos, o filme ganha pontos por não enrolar, mantendo uma estética limpa e uma atmosfera claustrofóbica. Porém, é difícil sentir empatia pelas personagens. Estamos falando de garotas extremamente privilegiadas, cujos maiores problemas envolvem festas que parecem hotéis cinco estrelas e a obsessão por uma faculdade de elite.
Além disso, o terceiro ato é onde a coisa desanda. O final divide opiniões: para alguns, é apressado e “idiota”; para outros, entrega um fechamento coerente com a proposta psicológica, mesmo que não seja surpreendente. A ambiguidade sobre as visões de Olivia — se são sobrenaturais ou apenas fruto de sua mente perturbada — pode frustrar quem esperava respostas mais claras ou um filme de terror mais tradicional.
Conclusão
Intenções Cruéis (2022) é um suspense psicológico imperfeito, mas que provoca reflexões válidas sobre ambição e saúde mental. Não espere um terror cheio de sustos; a proposta aqui é o incômodo causado pelo comportamento tóxico e autodestrutivo das personagens.
Se você curte filmes com protagonistas femininas moralmente duvidosas, estilo Meninas Malvadas misturado com Garota Exemplar (mas com orçamento menor), vale a pena conferir pela atuação de Madelaine Petsch. A nota justa seria um 3,5 de 5: bom para passar o tempo e discutir sobre as neuras da internet, mas longe de ser um clássico instantâneo.
Onde assistir ao filme Intenções Cruéis?
Trailer de Intenções Cruéis (2022)
Elenco do filme Intenções Cruéis
- Madelaine Petsch
- Melissa Leo
- Kerri Medders
- Chloe Bailey


















