Se você estava roendo as unhas esperando a iminente Guerra Viltrumita, o episódio 4 da 4ª temporada de Invencível, intitulado “Lamento”, decidiu puxar o freio de mão e nos levar para um lugar totalmente inesperado: o Inferno.
O mais curioso aqui é que estamos diante de uma história 100% original, escrita pelo próprio criador Robert Kirkman, com uma trama que nunca existiu nos quadrinhos. É aquele clássico episódio de “side quest” (missão secundária), que quebra a tensão de tudo o que está por vir para entregar uma aventura maluca, cheia de demônios, rock pauleira e até a presença ilustre de um grande ícone do terror.
Sinopse
A trama começa com um Mark Grayson completamente destruído pela culpa. Após cruzar algumas linhas morais – como ter matado Russ, que era controlado pelos Sequids, e espancado o Titan –, ele vai desabafar com o alfaiate Art, achando que está se tornando um assassino igual ao seu pai. Esse papo pesado faz Mark abandonar seu traje azul e voltar às raízes com seu traje clássico amarelo e azul.
Enquanto isso, nas profundezas do submundo, uma revolução sangrenta está rolando. A vilã Volcanikka quer usurpar o trono e liberar criaturas ancestrais terríveis chamadas de “Vile” (os Vis) na superfície da Terra. O detetive demoníaco Damien Darkblood tenta invocar o Omni-Man usando sangue para ajudar a conter a ameaça, mas o feitiço dá uma bela de uma engasgada e quem acaba caindo lá embaixo é o nosso querido Invencível.
No plano de fundo dessa loucura, acompanhamos também a múmia Ka-Hor conseguindo possuir o corpo de uma exploradora e a Eve lidando, aflita, com a descoberta de que está grávida, um segredo que ela só conta para o William por enquanto.
Crítica do episódio 4 da temporada 4 de Invencível
Um desvio quebra-gelo (ou quebra-ritmo?)
Cá entre nós, posicionar um episódio engarrafado no Inferno bem na beirada de uma guerra intergaláctica é uma escolha narrativa bem ousada (e um pouco esquisita). Por um lado, o episódio prejudica o ritmo e a urgência que a temporada vinha construindo. É quase como pausar um filme dos Vingadores no momento do clímax só para ver o herói resolver um problema em outra dimensão.
Por outro lado, a dinâmica de “parceiros policiais” entre Mark e Darkblood rende momentos muito engraçados. A cena dos dois caindo interminavelmente em um poço sem fundo enquanto discutem sobre as regras do submundo e a existência do paraíso é o puro suco do humor absurdo que Invencível sabe fazer tão bem.
Satanás, Volcanikka e o Heavy Metal
Se tem algo que abraça a galhofa de vez nesse episódio é o elenco de vozes. Trazer o astro Bruce Campbell (de Evil Dead) para dublar o próprio Satanás foi uma tacada de mestre. Ele entrega aquele charme canastrão que a gente adora, com direito a frases impagáveis quando recupera seu poder e sua coroa: “Tô grande, tô malvado, tô gostoso!”.
A atriz Indira Varma também domina a tela como Volcanikka, uma antagonista implacável que não tem pena de cometer fatalities horripilantes, como o que ela faz com a irmã de Darkblood. O ápice dessa trama é a batalha rolando solta ao som de “Raining Blood” do Slayer, deixando tudo com uma vibe metaleira épica – embora os designs das armaduras estilo Tron pudessem ter sido um pouquinho melhores.
O peso de ser herói
Apesar da viagem ao submundo, a verdadeira força de “Lamento” está nos momentos emocionais. A conversa inicial do Mark com o Art (dublado por Mark Hamill) é de partir o coração e essencial para ele colocar a cabeça no lugar.
A série usa essa aventura bizarra para ensinar a Mark uma lição valiosa sobre como, às vezes, ser um herói significa engolir o orgulho e escolher o mal menor – que, nesse caso, é ter que lutar ao lado do diabo para impedir o fim do mundo. A subtrama da Eve também traz um peso tremendo, ancorando a história na realidade com seu pânico sobre a gravidez, uma ansiedade palpável que humaniza demais o núcleo da Terra.
Tropeços na animação e lutas sem consequências
Infelizmente, o episódio sofre com alguns atalhos de animação e lutas meio ocas. É extremamente frustrante ver todo um hype sendo criado para o Mark lutar contra o Cérbero no fundo do poço, só para a série pular a cena e nos fazer apenas “ouvir” a briga enquanto foca no Darkblood sendo jogado pra cima.
Além disso, a luta com Volcanikka é esquisita: como ela se regenera infinitamente, o Mark arranca a cabeça dela várias vezes e a vilã simplesmente volta, tirando todo o senso de peso e consequência dos socos do nosso herói.
Conclusão
No fim das contas, o quarto episódio de Invencível é um filler de luxo que entretém bastante. Ele com certeza vai frustrar quem estava contando os minutos para o circo pegar fogo com o Império Viltrumita, agindo como uma distração bem no momento errado, mas compensa com uma expansão criativa da mitologia, boas risadas e um momento terapêutico muito necessário para o Mark.
E se a sua preocupação for o avanço da história principal, os minutos finais não decepcionam: logo após Mark voltar à Terra de traje amarelo e azul pronto para ouvir o que Eve tem a dizer, o episódio descarrega uma bomba, fechando com Nolan (Omni-Man) e Allen aparecendo no céu para avisar que a guerra finalmente chegou. Apertem os cintos, porque a folga acabou!
Elenco da temporada 4 de Invencível
- Steven Yeun
- Sandra Oh
- J.K. Simmons
- Chris Diamantopoulos
- Walton Goggins
- Gillian Jacobs
- Seth Rogen














