O cinema de ação francês vem ganhando um corpo e uma identidade muito próprios nos últimos anos, e Irmãos de Orfanato (2025), que acaba de chegar ao catálogo da Netflix, é a prova viva de que eles não estão de brincadeira.
Com direção de Olivier Schneider — um cara que já coordenou dublês e pancadaria em franquias gigantes como James Bond, Velozes e Furiosos e Busca Implacável —, o longa chega com uma missão muito clara: entregar um entretenimento de altíssima voltagem.
Trazendo Alban Lenoir e Dali Benssalah encabeçando o elenco, o filme não tenta reinventar a roda, mas promete (e entrega) uma experiência crua, musculosa e que bate de frente com muita superprodução hollywoodiana.
Sinopse
A trama acompanha Gab e Driss, dois amigos de infância que cresceram juntos em um orfanato, mas que a vida acabou levando para caminhos completamente opostos. Hoje, Gab é um comandante certinho e metódico da corregedoria da polícia (IGPN), enquanto Driss atua nas sombras como um “faz-tudo” para criminosos. O destino força o reencontro dessa dupla improvável quando Sofia, o primeiro amor dos dois, morre em um acidente de carro pra lá de suspeito.
A coisa foge do controle quando Leïla, a filha de 17 anos de Sofia e campeã de canne de combat (um tipo de arte marcial com bengala), descobre que uma gigantesca empresa de segurança está abafando o caso. Sedenta por vingança, a garota rouba a arma de Gab e parte para resolver tudo com as próprias mãos. Sem saída, os antigos amigos precisam engolir o orgulho, juntar forças e impedir que a adolescente cometa um erro irreparável.
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Crítica do filme Irmãos de Orfanato
Química de ouro entre os protagonistas
Se tem uma coisa que segura Irmãos de Orfanato do início ao fim, é a dinâmica excelente entre Alban Lenoir e Dali Benssalah. O filme acerta em cheio ao resgatar aquela velha fórmula do buddy cop (filme de parceiros policiais), lembrando bastante a vibe do clássico Máquina Mortífera.
Lenoir está impecável como o policial taciturno que esconde suas feridas atrás da frieza, enquanto Benssalah rouba a cena com seu carisma magnético, escondendo suas próprias tristezas atrás de um humor seco. A troca de farpas e o peso da história que os dois compartilham trazem o coração que o filme precisa para não ser apenas um amontoado de explosões.
Vale destacar também Sonia Faïdi como Leïla, que foge completamente do estereótipo de “donzela em perigo”. Ela bate de frente com os caras e tem uma presença explosiva, mesmo ficando um pouco mais em segundo plano. Os vilões, liderados por uma excelente Suzanne Clément e seu capanga implacável vivido por Romain Levi, também garantem o peso necessário para a ameaça.

Ação prática, bruta e sem frescura
Quando o assunto é pancadaria, o diretor Olivier Schneider dá uma verdadeira aula. Por ter vindo do mundo dos dublês, ele filma as lutas como se fossem diálogos: cada soco conta uma história sobre a relação não resolvida entre os personagens. O longa brilha com perseguições de carro alucinantes pelas ruas de Saint-Jean-de-Luz e Biarritz, e coreografias de luta corpo a corpo que fogem do artificialismo exagerado.
Um detalhe muito bacana é que Alban Lenoir fez questão de realizar 100% de suas próprias acrobacias, o que fica nítido (e muito legal de assistir) nas sequências em que ele pilota um Ford Capri. O clímax do filme, um combate debaixo de chuva em uma casa abandonada, é uma das melhores coisas do longa e exala tensão. É puro suor e adrenalina, sem aquele excesso de tela verde que cansa a vista.
Os tropeços de um roteiro previsível
Apesar de ser um ótimo filme de ação, Irmãos de Orfanato está longe de ser perfeito e acaba pecando justamente pela sua estrutura. O roteiro sofre com problemas de ritmo, especialmente na primeira hora, demorando um pouco mais do que o necessário para engatar a marcha.
Além disso, a história bebe demais de clichês já batidos do gênero. Algumas decisões dos personagens forçam a barra da credibilidade, e as tentativas de alívio cômico nem sempre acertam o alvo, soando um pouco forçadas em alguns momentos. O filme hesita constantemente entre tentar ser um drama familiar profundo e um entretenimento de ação descerebrado, e esse desequilíbrio impede que ele seja uma obra-prima inquestionável.
Conclusão
No fim das contas, Irmãos de Orfanato entrega exatamente o que a gente procura quando dá o play em um filme desse tipo: diversão sólida, honesta e muito generosa. Mesmo com um roteiro que joga na zona de conforto e alguns tropeços de ritmo, a direção nervosa de Schneider e o carisma absoluto da dupla Lenoir e Benssalah carregam o filme nas costas.
É um “filme pipoca” com alma, que resolve seus conflitos de forma emocional e deixa ganchos perfeitos para uma possível sequência (que já vem sendo alvo de rumores). Se você curte ação sem muita invenção de moda, pancadaria bem filmada e uma boa história de lealdade, pode assistir sem medo. O cinema de ação “made in France” continua muito bem, obrigado.
Onde assistir online ao filme Irmãos de Orfanato?
Trailer de Irmãos de Orfanato (2026)
Elenco de Irmãos de Orfanato, da Netflix
- Alban Lenoir
- Dali Benssalah
- Sonia Faidi
- Suzanne Clément
- Anouk Grinberg
- Naidra Ayadi
- Romain Levi
- Guillaume Soubeyran

















