Leia a crítica do filme Ladrões (2025) - Flixlândia

‘Ladrões’ e a surpreendente virada de rota de Darren Aronofsky

Filme estreou nos cinemas em 28 de agosto de 2025

Foto: Divulgação
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Darren Aronofsky construiu uma carreira inconfundível, marcada por narrativas intensas e, muitas vezes, perturbadoras. Desde sua estreia com o experimental e contrastado Pi, passando pelo terror psicológico de Réquiem para um Sonho, até a consagração com Cisne Negro, sua filmografia se tornou sinônimo de dramas que exploram a psique humana em seus limites.

Após uma série de filmes que, embora premiados, começaram a ser vistos com ceticismo, como Mãe! e A Baleia, Aronofsky parecia ter cimentado seu estilo pesado e inabalável. No entanto, com “Ladrões” (2025), o diretor realiza uma manobra ousada, entregando-nos seu filme mais acessível, divertido e, surpreendentemente, o mais despretensioso. É como se ele olhasse para a própria obra, pegasse um atalho e decidisse simplesmente se divertir.

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Sinopse

O filme nos apresenta Hank (Austin Butler), um bartender com um passado de promessa no beisebol que foi abruptamente interrompido por um acidente. Levando uma vida pacata com sua namorada, Yvonne (Zoë Kravitz), a rotina de Hank vira de cabeça para baixo quando seu vizinho, Russ (Matt Smith), pede que ele cuide de seu gato de estimação.

Pouco tempo depois, Hank se vê, por engano, no centro de uma perigosa disputa entre mafiosos. Pressionado a encontrar uma quantia de dinheiro roubada, o protagonista é lançado em um caótico jogo de gato e rato, onde ele, um homem comum, precisa usar toda a sua astúcia e sorte para escapar de uma rede de criminosos que inclui de gângsteres russos a policiais corruptos.

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Crítica

É inegável que Ladrões representa uma ruptura no cinema de Aronofsky. Acostumado a explorar temas complexos, como a obsessão, a loucura e a busca pela glória a qualquer custo, o diretor aqui abandona os devaneios visuais e a profundidade psicológica que marcaram suas obras anteriores. Em vez de um drama denso, ele opta por uma mistura ágil de suspense, comédia de erros e ação.

A história de Hank não exige um mergulho em sua mente atormentada; a trama é leve e fluida, focando nos acontecimentos exteriores, na sucessão de eventos absurdos que o arrastam para o perigo.

O filme troca as referências de Bergman e Dostoievski pelos diálogos rápidos e a narrativa ágil de Dois Caras Legais, com um toque de Guy Ritchie, resultando em uma experiência quase oposta ao que se espera de Aronofsky.

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Austin Butler e o encanto do homem comum

Aronofsky sempre teve um faro aguçado para escalar protagonistas, e com Austin Butler ele acerta mais uma vez. Após papéis intensos e fisicamente exigentes, como o Rei do Rock em Elvis e o vilão Feyd-Rautha em Duna: Parte 2, Butler se destaca aqui ao interpretar um personagem surpreendentemente frágil. Ele não é um herói de ação invencível, mas um homem comum, desajeitado e vulnerável, que precisa improvisar para sobreviver.

O filme funciona melhor quando abraça a humanidade e o desespero de Hank, destacando o charme natural do ator. No entanto, o roteiro comete o deslize de tentar adicionar um drama profundo e desnecessário sobre seu passado no beisebol. Essa camada de sofrimento, que poderia ter pesado na narrativa, acaba soando rasa e artificial, destoando da energia vibrante do restante do filme.

➡️ ‘Amor Enrolado’ é um retorno dos romances descomplicados
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crítica do filme Ladrões (2025) - Flixlândia (1)
Foto: Divulgação

Uma Nova Iorque de caricaturas e tensão

O filme se passa em uma Nova Iorque de 1998, um período de revitalização e gentrificação sob o prefeito Rudolph Giuliani, e que ainda ostentava as Torres Gêmeas no horizonte. Embora a ambientação sirva como um recurso narrativo interessante para dificultar a vida de Hank, as questões sociais da época parecem apenas pinceladas, permanecendo no discurso de personagens como a policial de Regina King e não se aprofundando de fato.

A escolha de Aronofsky em trabalhar com “tipos” ao invés de personagens multifacetados é particularmente evidente aqui. Os vilões — sejam os russos, os punks ou os mafiosos hassídicos de Liev Schreiber e Vincent D’Onofrio (ambos irreconhecíveis em seus papéis) — são representações quase caricaturais. Essa escolha contribui para o tom de humor e a sensação de um mundo irreal e caótico, mas também enfraquece qualquer tentativa de criar uma crítica social mais incisiva.

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A surpreendente leveza do caos

O que realmente se destaca em Ladrões é sua capacidade de operar com uma lógica de pura inconsequência. Mortes e violências ocorrem com frequência, mas o filme não dá tempo para lamentações ou traumas. O humor reside na absurdidade dos acontecimentos e na maneira como Hank, com sua sorte e lábia, consegue se safar de situações impossíveis.

A narrativa é construída como uma corrida frenética, onde cada reviravolta serve apenas para lançar o protagonista em um novo e bizarro perigo. A direção de Aronofsky, junto com a fotografia de Matthew Libatique, demonstra um controle notável da mise en scène em cenas de perseguição e ação, com destaque para a fuga de Hank pela lateral de um prédio, que mostra a beleza de uma cena simples quando bem orquestrada. Essa habilidade técnica é o que eleva o filme de uma simples imitação para um trabalho que, embora modesto em suas ambições, consegue ser genuinamente envolvente.

Conclusão

Ladrões é um sopro de ar fresco na filmografia de Aronofsky. Não se trata de uma obra-prima que irá redefinir o cinema do diretor, mas sim de um bem-vindo desvio de rota que revela uma nova e promissora faceta.

Ao se afastar dos dramas psicológicos e abraçar a diversão pura e simples, Aronofsky prova que pode ser um contador de histórias ágil e descompromissado. O filme é ágil, tem um elenco charmoso liderado por Austin Butler e funciona perfeitamente dentro de sua proposta.

Talvez a maior surpresa seja a de ver um cineasta tão associado à tragédia e ao peso existencial se permitir entrar no caos e no humor de um thriller noventista. É um caminho interessante que, assim como o protagonista em busca da rebatida perfeita, mostra que Aronofsky está se reencontrando e se divertindo com o jogo.

Onde assistir ao filme Ladrões?

O filme está disponível para assistir nos cinemas.

Assista ao trailer de Ladrões (2025)

YouTube player

Quem está no elenco do filme Ladrões?

  • Austin Butler
  • Regina King
  • Zoë Kravitz
  • Griffin Dunne
  • Dominique Silver
  • Shaun O’Hagan
  • Action Bronson
  • Jake Bentley Young
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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