Leia a crítica do filme One Hit Wonder, da Netflix (2025) - Flixlândia

‘One Hit Wonder’ é uma melodia nostálgica que não toca o coração

Foto: Netflix / Divulgação
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O cinema, assim como a música, tem a capacidade de nos transportar para o passado. Seja por meio de uma paisagem familiar ou de uma trilha sonora que nos remete a outras épocas, a nostalgia se tornou uma ferramenta poderosa. É justamente nessa premissa que se apoia o filme filipino da Netflix, “One Hit Wonder”, dirigido por Marla Ancheta.

Embora tente nos embalar com a doçura do gênero musical e o charme das comédias românticas, a produção tropeça em sua própria ambição, entregando uma experiência que, apesar de visualmente agradável, carece de profundidade e originalidade.

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Sinopse

Ambientado na vibrante cena musical filipina dos anos 90, o filme nos apresenta a dois personagens com sonhos e traumas musicais. Lorina (Sue Ramirez), uma talentosa cantora que desiste da carreira após um fracasso em rede nacional, e Entoy (Khalil Ramos), um músico que sonha em encontrar a voz que o assombrou por uma década.

Quando o destino os une em uma loja de discos, a paixão pela música se torna o catalisador para um romance inesperado e para a busca de uma segunda chance. Juntos, eles tentam navegar pelos desafios de sua jornada musical, enquanto lidam com as próprias inseguranças e um relacionamento que se desenvolve de forma apressada.

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Crítica

“One Hit Wonder” é uma obra que, embora tenha um bom coração, falha em transformar essa emoção em uma narrativa coesa. O filme se sustenta na força de sua trilha sonora e na estética noventista, mas não consegue ir além de uma história previsível e de personagens que não se aprofundam.

Romance não convence

A química entre Sue Ramirez e Khalil Ramos é, no mínimo, irregular. Apesar de terem momentos adoráveis, a conexão entre Lorina e Entoy é construída de forma tão rápida e superficial que se torna difícil acreditar no romance. O roteiro recorre a diálogos clichês e a “coincidências” que parecem forçadas, como o encontro após dez anos de Entoy obsessivamente buscando a garota de sua infância.

Em um momento, ele inclusive a assusta ao aparecer diversas vezes na loja em que ela trabalha. O relacionamento avança através de montagens rápidas, sem dar espaço para que a audiência veja o amor florescer organicamente. O resultado é um casal que, em vez de nos dar “borboletas no estômago”, parece estar atuando em uma peça de teatro.

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Crítica do filme One Hit Wonder, da Netflix (2025) - Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

Personagens ‘de papel’

A principal falha de “One Hit Wonder” reside na construção dos personagens e nas motivações deles. Lorina, a protagonista, é descrita como alguém que luta contra o medo de voltar a cantar, mas suas ações muitas vezes não condizem com a sua suposta jornada. Ela parece flutuar pela trama sem um objetivo claro, o que a torna uma protagonista difícil de se identificar. Seus traumas de infância são mencionados, mas nunca realmente explorados, e suas escolhas parecem abruptas e ilógicas.

Entoy, por sua vez, é um protagonista simpático e autêntico, mas seu sucesso parece vir de forma incrivelmente fácil, sem os desafios que um artista da época enfrentaria. O filme tenta abordar temas como a relação dos protagonistas com seus pais e os desafios da indústria musical, mas todas essas subtramas são abandonadas em favor do romance superficial.

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Entre a música e o roteiro fraco

A trilha sonora é, sem dúvida, o ponto mais forte do filme. Com a nostalgia das canções Original Pinoy Music (OPM) dos anos 90, a música consegue, por si só, carregar a emoção da trama. No entanto, o filme comete um erro ao não dar à música o protagonismo que ela merece. Em vez de ser o cerne da narrativa, ela se torna apenas um pano de fundo para um romance que, ironicamente, não funciona.

Além disso, as cenas musicais são prejudicadas por uma dublagem que não corresponde aos movimentos dos lábios dos atores, evidenciando uma falta de cuidado na produção. A direção tenta usar recursos visuais para enfatizar o tom nostálgico, como corações e “text pop-ups”, mas eles parecem mais uma muleta para compensar a falta de profundidade da história.

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Conclusão

“One Hit Wonder” é um filme que, em última análise, promete muito mais do que entrega. Embora a trilha sonora seja capaz de evocar uma deliciosa nostalgia e a estética dos anos 90 seja um charme à parte, o filme se perde em um roteiro superficial e em personagens subdesenvolvidos.

A trama, que tenta ser um romance musical, falha em ambos os aspectos, deixando para trás diversas pontas soltas e uma sensação de incompletude. É uma obra que tem seu coração no lugar certo, mas que falha em encontrar o ritmo e a harmonia certos para se tornar uma história memorável.

No final, é uma experiência que funciona melhor como um atalho para uma playlist de músicas filipinas do que como um drama coeso. Pode ser uma boa opção para quem busca algo leve e sem grandes expectativas, mas definitivamente não é uma obra que se mantém na memória depois que os créditos sobem.

Onde assistir ao filme One Hit Wonder?

O filme está disponível para assistir na Netflix.

Assista ao trailer de One Hit Wonder (2025)

YouTube player

Quem está no elenco de One Hit Wonder?

  • Sue Ramirez
  • Khalil Ramos
  • Lilet Esteban
  • Gladys Reyes
  • Vivoree
  • Romnick Sarmenta
  • Matt Lozano
  • Victor Medina
  • Dawit Tabonares
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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