Um dos maiores desafios da adolescência é aceitar a própria condição de pessoa comum. Nesse estágio, as dificuldades parecem se intensificar, muitas vezes sem justificativa aparente. É possível que essa reflexão esteja no cerne da proposta da diretora Jeong Ji-hye em Lua Cheia (Full Moon), longa-metragem sul-coreano que marca sua estreia na direção e integra a programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O filme acompanha Hae-mi, uma jovem de 16 anos que aspira a se destacar no grupo de dança da escola. Por trás de sua postura firme e confiante nos ensaios, ela carrega um peso exaustivo: o esforço contínuo para proteger os pais do julgamento e da pressão social. A narrativa explora com sensibilidade as complexidades da adolescência, as tensões geracionais e os dilemas familiares sob a ótica da diretora.
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Crítica do filme Lua Cheia (Full Moon), de 2026
Entre o choque cultural e a universalidade
Embora o espectador possa sentir um choque cultural inicial, a obra evoca momentos familiares aos filmes escolares tradicionais, remetendo às relações interpessoais vividas no ambiente acadêmico. Hae-mi e suas amigas ensaiam uma coreografia de K-pop para o festival da lua cheia.
Após o ensaio, ela as conduz à sua casa vazia, levando-as ao quarto, onde ouvem um ruído que ela atribui a um gato. Em seguida, são apresentados os pais da protagonista, claramente distintos do padrão observado nas famílias das demais jovens. Embora isso não seja explicitado, compreende-se que eles seguem uma tradição divergente daquela predominante na vizinhança.
Essa diferença gera constrangimento em Hae-mi, que, aos 16 anos, idealiza a vida aparentemente perfeita de amigas mais abastadas uma questão de grande relevância nessa fase. Contudo, apesar do embaraço, ela mantém um afeto genuíno pelos pais, especialmente quando uma tia, que auxilia a família, questiona a mãe sobre sua ausência de emprego.
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A evolução invisível e os novos laços
O aspecto mais relevante dessa narrativa é que, durante o festival, a mãe de Hae-mi estabelece uma amizade com uma vizinha que busca visibilidade na internet, possui certo número de seguidores e realiza transmissões ao vivo com a filha. Consequentemente, ela ganha projeção e convida a mãe de Hae-mi para produzirem conteúdo juntas.
Embora possa parecer trivial, observa-se que a mãe, que frequentemente exibe comportamentos adolescentes em grande parte devido à escassez de relações fora do convívio com a filha e o marido, apresenta um desenvolvimento significativo até o desfecho da obra.

Hae-mi perde a confiança em suas amigas e, assim como a mãe, vê-se isolada, precisando estabelecer um novo vínculo neste caso, para reconhecer que sua vida não é inteiramente negativa; ela encontra acolhimento na filha da amiga da mãe. A partir desse ponto, sucedem-se momentos de grande sensibilidade que aquecem o espectador.
Como a vida costuma ser complexa, compreende-se, ao final, que as expectativas em relação ao outro podem ser ressignificadas pelo que se segue. Jeong Ji-hye adota um estilo aparentemente simples, com planos fechados e uma fotografia pouco dinâmica, que, contudo, traduz o vazio de certos momentos e a riqueza de detalhes que se acumula na evolução dos personagens.
Full Moon (Lua Cheia) vale o ingresso?
Trata-se de um bom conto sobre o amor em suas múltiplas formas e de uma homenagem às amizades plurais. O saldo é bastante positivo, considerando a leveza da obra e a possibilidade de lidar com a vida sem depender da aprovação social. Para os interessados, Full Moon será exibido no circuito de novos diretores da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo; recomenda-se consultar o aplicativo do evento.
Onde assistir ao filme Lua Cheia (Full Moon)?
O filme está na programação da Mostra de SP 2026 com quatro exibições oficiais:
- 18/10 (domingo) — 17h10 | Espaço Petrobras de Cinema (Sala 1)
- 21/10 (quarta-feira) — 19h | Cinesala
- 24/10 (sábado) — 13h | Reserva Cultural (Sala 1)
- 26/10 (segunda-feira) — 19h | Espaço Petrobras de Cinema (Sala 2)
Trailer do filme Lua Cheia (Full Moon), de 2026
Ficha técnica
| Informação | Detalhe |
| Título Original / Internacional | Full Moon (Lua Cheia) |
| País / Ano / Formato | Coreia do Sul, 2026, Cor, 97 min, Ficção |
| Direção | Jeong Ji-hye |
| Roteiro | Jeong Ji-hye |
| Elenco | Jung Min-ju, Kim Kum-soon, Soy Kim, Kang Min-hwi, Kim Tae-yeon |
| Fotografia | Jung Jin-hyeok |
| Montagem | Kim Sun-min |
| Som | Park Cho-rong, Choi Myeong-gyu |
| Música | Lee Min-hwi |
| Direção de Arte | Kim Jio |
| Produção | Lee Jun-sang |
| Produzido por | Cinemaru |
| Coproduzido por | Cinema 6411 |
| Vendas Internacionais (World Sales) | M-Line Distribution |
















