Merv 2025 resenha crítica do filme Prime Video Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Merv’: quando o cachorro tem mais carisma que o casal principal

Foto: Prime Video / Divulgação
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Sabe aquela sensação de colocar um filme para rodar apenas para ter um barulho de fundo enquanto você rola o feed do Instagram vendo vídeos de cachorrinhos? Merv, a nova aposta natalina do Prime Video, parece ter sido desenhado exatamente para esse momento. É uma verdade universalmente reconhecida (pelo menos nos círculos sociais dos roteiristas) que compartilhar a guarda de um cachorro é uma péssima ideia. É logístico, causa brigas e impede que os ex-namorados sigam em frente. Mas, aparentemente, isso dá um filme.

Trazendo de volta Zooey Deschanel ao mundo das comédias românticas natalinas após mais de duas décadas, e colocando-a ao lado do sempre charmoso Charlie Cox, o filme promete ser aquele “chocolate quente” reconfortante. No entanto, o resultado final é mais morno do que deveria, apoiando-se inteiramente na fofura de um terrier para esconder um roteiro que não sabe muito bem o que fazer com seus humanos.

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Sinopse

A trama gira em torno de Anna (Zooey Deschanel), uma optometrista focada e um tanto rígida, e Russ (Charlie Cox), um professor de ensino fundamental relaxado e adorável. O casal se separou recentemente, rompendo um relacionamento longo que parecia um casamento, mas continua preso um ao outro devido à guarda compartilhada de Merv, um cãozinho resgatado.

As trocas de guarda constantes entre as casas na Carolina do Norte (que fingem ser Boston) começam a cobrar seu preço, não nos humanos, mas no cachorro. Após uma visita ao veterinário, Merv é diagnosticado com depressão canina devido à separação dos “pais”.

A solução? Russ decide levar o cão para um resort de luxo para cachorros na Flórida, o “Paw Seasons”, na esperança de animá-lo. Anna, preocupada e controladora, decide aparecer por lá também. Agora, forçados a conviver em um cenário paradisíaco durante o Natal, eles precisam lidar com o passado, com novos interesses amorosos e com a óbvia (e previsível) reaproximação.

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Resenha crítica do filme Merv

O filme dirigido por Jessica Swale e escrito pela dupla Dane Clark e Linsey Stewart tenta desesperadamente ser um “Operação Cupido” com pelos, mas acaba tropeçando nas próprias patas. Vamos aos pontos que fazem dessa experiência algo agridoce.

O verdadeiro protagonista (e melhor ator)

Sejamos honestos: se você tirar o cachorro digitalmente do filme, não sobra quase nada. Gus, o cão que interpreta Merv, é de longe a melhor coisa em tela. Ele entrega “olhares de depressão” convincentes, geme na hora certa e se joga no chão com uma performance digna de prêmio.

O filme sabe que seu público-alvo é a galera que ama pets e entrega montagens intermináveis de praias para cachorros, festas caninas e caminhadas fofas. Se você está aqui só pelos “awnnn”, o filme entrega.

Merv resenha crítica do filme Prime Video 2025 Flixlândia (1)
Foto: Prime Video / Divulgação

Um casal sem faísca

O maior problema de Merv reside no lado humano da equação. Charlie Cox se esforça e consegue ser genuinamente encantador, mantendo seu sotaque britânico e trazendo uma sinceridade que o personagem talvez nem mereça. Já Zooey Deschanel parece estar no piloto automático, interpretando uma variação da garota peculiar que já vimos mil vezes, mas aqui com uma camada de frieza que atrapalha a empatia.

A química entre os dois é, na melhor das hipóteses, doce, e na pior, inexistente. Há momentos em que o filme tenta criar tensão (como numa cena de dança), mas a vibe é de “apatia sexual”. O roteiro também não ajuda: frequentemente, Anna é pintada quase como a vilã da história, com suas atitudes controladoras e sabotagens aos novos interesses amorosos de Russ, enquanto o roteiro favorece o personagem de Cox, criando um desequilíbrio que torna difícil torcer pela reunião do casal.

Roteiro de algoritmo e falta de nuance

Assistir a Merv é como ver um filme feito por inteligência artificial programada para criar um “filme de feriado genérico”. Tudo é explicado nos mínimos detalhes nos diálogos, subestimando a inteligência do espectador. Não há sutileza. Os personagens secundários, incluindo o desperdiçado talento de Chris Redd, são caricatos ou irritantes, servindo apenas para preencher tempo em um filme que, com 105 minutos, parece se arrastar mais do que deveria.

Além disso, a atmosfera natalina é fraca. Apesar das decorações, a sensação de “falso” impera — desde a neve cenográfica óbvia até as emoções superficiais. O filme joga seguro o tempo todo, evitando qualquer conflito adulto real em favor de piadas sem graça e trocadilhos com cachorros.

Conclusão

No fim das contas, Merv é um filme inofensivo. Não é um clássico de Natal e provavelmente não entrará na sua lista de reprises anuais, mas funciona como um entretenimento leve e seguro para assistir com a família ou com seu próprio pet aninhado no sofá.

É uma produção com cara de “direto para o streaming”, que desperdiça o talento de seus protagonistas em uma trama previsível e visualmente esquecível. Gus, o cachorro, merece um filme melhor. Para os humanos, resta o consolo de que o cachê deve ter sido bom. Se você busca algo profundo, passe longe. Se busca cachorros bonitinhos e não se importa com um romance sem sal, pode dar o play.

Onde assistir ao filme Merv?

Trailer de Merv (2025)

YouTube player

Elenco de Merv, do Prime Video

  • Zooey Deschanel
  • Charlie Cox
  • Chris Redd
  • David Hunt
  • Patricia Heaton
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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