Meu Querido Assassino crítica do filme da Netflix 2026 - Flixlândia (1)

Crítica | ‘Meu Querido Assassino’ tem boa porradaria, vilões engraçados, mas um roteiro confuso

Foto: Netflix / Divulgação
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Sabe aquele filme que a equipe de marketing da Netflix vende a todo custo como a resposta tailandesa para “John Wick” ou como o novo “Sr. e Sra. Smith”? Pois é, Meu Querido Assassino tenta surfar nessa onda para ser a grande aposta do streaming para o mercado internacional, mas esconde uma identidade bem diferente por trás dos trailers.

Dirigido por um veterano do cinema de horror, o longa foca muito mais em ser uma história dramática sobre pertencimento, perda e amor do que uma simples montanha-russa de tiroteios. O resultado é uma salada que tem um sabor único e traz reflexões interessantes, mas que, no fim das contas, passa um pouco do ponto na receita.

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Sinopse

A história acompanha Lhan, uma jovem que tem o tipo sanguíneo mais raro do mundo, o que transforma o corpo dela em uma mercadoria hiper valiosa. Por causa dessa condição, o caçador Pruek mata os pais da garota. Ela acaba sendo resgatada e acolhida pela House 89, um clã secreto de assassinos na Tailândia.

Só que, ao invés de ser treinada para matar, Lhan é guardada numa redoma de vidro, tratada apenas como um “ativo” a ser protegido. A paz ilusória acaba quando ela engata um romance com Pran, o filho do líder do clã, e Pruek ressurge das sombras para cobrar o sangue raro dela. É aí que a garota percebe que precisa aprender a usar o próprio corpo não como recurso dos outros, mas como uma arma para se defender ao lado das pessoas que ama.

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Crítica do filme Meu Querido Assassino, da Netflix

A inversão estrutural e a protagonista nua e crua

A primeira coisa que chama a atenção é como o filme foge da regra de ouro do gênero de ação feminino: ao contrário de protagonistas prontas para a briga como em Atômica ou Kill Boksoon, Lhan nos é apresentada pela ausência da violência. Quando ela finalmente começa a ser treinada para lutar, a coisa não rola através de uma montagem legal e ágil; é um processo lento, tardio e filmado quase como se ela estivesse se recuperando de um cativeiro. A premissa levanta um debate muito bacana sobre a mercantilização do corpo feminino e sobre quem realmente é dono dele.

O grande problema é que, de tanto o roteiro tentar empilhar dramas — a busca por identidade, o romance, a rixa com M (um órfão criado junto com eles) e os segredos da família —, Lhan acaba se tornando uma página em branco. A gente vê as coisas acontecendo com ela, mas fica super difícil entender quem ela realmente é como pessoa no meio de tanta informação cruzada.

Meu Querido Assassino 2026 crítica do filme da Netflix - Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

Pancadaria com peso de filme de terror

Se o desenvolvimento dos personagens derrapa, a ação entrega exatamente o que a gente quer ver, graças ao instinto do diretor Taweewat Wantha. Como ele fez carreira dirigindo filmes de horror, as brigas aqui não têm nada de “balé geométrico”. A violência é física, pesada e sangrenta; os corpos caem com baque surdo no chão e as lâminas cortam de verdade. E, felizmente, a edição passa longe daquela bagunça caótica dos blockbusters de hoje, o que nos deixa ver e entender cada golpe.

No meio desse cenário brutal, o romance entre Lhan e Pran funciona quase como um respiro, sendo a única interação onde o contato físico entre duas pessoas não significa agressão ou dor. A química entre Baifern Pimchanok e Tor Thanapob carrega boa parte do carisma do filme.

Os vilões atrapalhados e o excesso de melodrama

Por outro lado, não dá para perdoar alguns furos feios. A tal House 89, vendida como uma lenda, não convence muito como um verdadeiro lar de assassinos. Para piorar, os inimigos cometem erros primários que quebram a tensão: várias vezes eles têm os heróis nas mãos e simplesmente tropeçam na própria incompetência. Até o vilão principal soa esquisito; ele tenta ter uma energia de psicopata quando sente o cheiro de sangue, mas em outros momentos acaba ficando caricato e meio engraçado, o que destoa da seriedade do roteiro.

O longa também peca pelo excesso. São mais de duas horas de filme superlotadas de subtramas que deixam o ritmo arrastado e enfraquecem o impacto das revelações. E se você preza por finais impactantes, respire fundo: depois de entregar uma conclusão de certa forma melancólica que foge do consolo habitual da ação, o filme inventa de colocar uma cena no meio dos créditos. Essa cena extra desfaz e refaz um momento que já tínhamos visto, sabotando de graça a recompensa emocional da história.

Conclusão: Meu Querido Assassino é bom?

No fim das contas, Meu Querido Assassino é um filme que tentou abraçar o mundo. A mistura de ação pesada com melodrama familiar e romance trágico tem o seu charme, mas o roteiro confuso e inchado não o deixa dar o golpe de misericórdia.

Vale a pena o play? Com certeza, principalmente se você gosta de filmes de ação asiáticos com lutas terrestres bem coreografadas e quiser algo mais tranquilo para relaxar e não levar tão a sério. Só não espere uma obra impecável. É uma experiência divertida, mas que não vai ficar grudada na sua cabeça por muito tempo.

Onde assistir ao filme Meu Querido Assassino?

Trailer de Meu Querido Assassino (2026)

YouTube player

Elenco de Meu Querido Assassino, da Netflix

  • Pimchanok Luevisadpaibul
  • Thanapob Leeratanakachorn
  • Sivakorn Adulsuttikul
  • Toni Rakkaen
  • Chartayodom Hiranyasthiti
  • Teerawat Mulvilai
  • Nikorn Sae Tang
  • Chupong Changprung
  • Kessarin Ektawatkul
  • Chanudom Suksatit
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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