Naza é um documentário de 2026 dirigido pelos jornalistas e cineastas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, coautores do premiado Sem Chão (No Other Land, de 2024).
Produzida em colaboração com o jornal britânico The Guardian e com a produtora JW Films, a obra obteve importante reconhecimento crítico ao conquistar o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Veneza, onde sua exibição de abertura foi acompanhada por 25 minutos de aplausos contínuos do público.
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Sinopse
Filmado à noite nos telhados de Tel Aviv, o filme revela em detalhes os sistemas por trás do assassinato em massa calculado de civis palestinos em Gaza por parte de Israel. Composto por depoimentos de 24 oficiais de inteligência e soldados israelenses mantidos sob anonimato, Naza investiga os mecanismos burocráticos, a vigilância tecnológica e as decisões operacionais que orquestram a destruição a partir da metrópole israelense.
Ao deslocar o olhar da frente de combate para o centro da sociedade que opera a guerra, o documentário propõe uma análise crítica sobre cumplicidade, poder e a desumanização sistemática do outro.
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O significado do título: por que Naza?
O título do filme vem da sigla militar em hebraico para Nezek Agavi (נזק אגbi), cuja tradução direta é “dano colateral”. O termo é utilizado pelas forças armadas para designar as perdas civis e as devastações materiais aceitas como consequências secundárias e inevitáveis durante o planejamento de operações de ataque.
Ao adotar esse eufemismo técnico como nome da obra, o documentário escancara como a linguagem burocrática é empregada para suavizar a gravidade da destruição e desumanizar as vítimas do conflito.

O contraste urbano
A obra apresenta um exame minucioso das engrenagens burocráticas, tecnológicas e morais da máquina militar israelense, conduzido pela perspectiva de quem operava essas estruturas por dentro. A gravidade do relato não depende da exibição ostensiva de imagens chocantes, mas da sobriedade das vozes dos próprios militares, que tornam a dimensão da tragédia plenamente perceptível.
A escolha de realizar as entrevistas nos telhados de Tel Aviv estabelece um contraste marcante: enquanto as declarações detalham o planejamento da devastação em Gaza, a câmera registra ao fundo a metrópole iluminada, a rotina dos bares e a preservação do conforto cotidiano. Esse enquadramento espacial expõe a distância entre a tomada de decisões operacionais e suas consequências, evidenciando como a normalidade urbana se mantém alheia, e até cúmplice, à gravidade das ações executadas a poucos quilômetros dali.
Automação do conflito
O documentário evidencia que a escala de destruição contra a população palestina em Gaza não decorre de falhas isoladas, mas de uma política institucionalizada e deliberada. Essa dinâmica é impulsionada pelo uso de sistemas de inteligência artificial encarregados de mapear e selecionar alvos, reduzindo a existência de milhares de civis a meros dados estatísticos em telas operacionais.
Sob a justificativa militar de atingir alvos específicos, a doutrina descrita nos depoimentos aceita a eliminação de famílias inteiras em edifícios residenciais, além de registrar episódios frequentes em que margens de erro calculadas resultam na morte exclusiva de inocentes. Esse processo demonstra como a automação e a burocracia do exército transformaram a perda de vidas humanas em um protocolo rotineiro e desumanizado.

Ruptura moral
Um dos momentos mais reveladores da narrativa ocorre quando um dos militares reflete sobre o comportamento dos nazistas, admitindo que costumava questionar como indivíduos eram capazes de cometer atrocidades e retornar tranquilamente à rotina doméstica, para então constatar que ele próprio reproduzia essa mesma conduta. Esse depoimento sintetiza a quebra moral provocada pelo conflito: os envolvidos reconhecem que suas ações ultrapassam os limites éticos e configuram violações do direito internacional.
No entanto, a estrutura institucional e a disciplina militar atuam de modo a neutralizar a responsabilidade individual, permitindo que os operadores mantenham o cumprimento de suas funções mesmo cientes da gravidade dos atos cometidos.
Experiência incômoda
Naza encerra sua trajetória ao abandonar a mediação dos depoimentos colhidos em Tel Aviv para exibir imagens diretas do cenário em Gaza, confrontando o público com o impacto físico da destruição e o sofrimento da população civil. Essa transição final rompe a distância provocada pelas análises técnicas, produzindo uma experiência incômoda e austera que expõe a gravidade dos fatos sem concessões ou eufemismos.
Ao registrar a dimensão humana da tragédia, a obra se estabelece como um documento histórico rigoroso e indispensável, cuja exibição cumpre o papel fundamental de expor o conflito e impedir a normalização ou o apagamento das graves violações cometidas.
Onde assistir e quando lança o documentário Naza?
O documentário Naza estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 1º de outubro de 2026.
Inicialmente, a exibição será restrita às salas de cinema selecionadas, focando em festivais e no circuito de arte. Quanto à distribuição digital ou chegada aos serviços de streaming, os realizadores e as produtoras envolvidas ainda não anunciaram datas oficiais ou plataformas parceiras para exibição doméstica, o que deve ocorrer somente após a janela de exibição nas telonas. Recomenda-se consultar a programação dos cinemas locais a partir da semana de lançamento.
Trailer do documentário Naza (2026)
Ficha técnica
| Informação | Detalhe |
| Título Original | Naza (Nezek Agavi / נזק אגבי) |
| Direção | Rachel Szor, Yuval Abraham |
| Distribuição | Vitrine Filmes |
| Data de Estreia | Quinta-feira, 01/10/2026 |
| País de Origem | Reino Unido, Estados Unidos |
| Gênero | Documentário |
| Duração | 80 minutos |
| Classificação Indicativa | 14 anos |
| Produção | The Guardian, JW Films |
| Principais Premiações | Prêmio Especial do Júri (Festival Internacional de Cinema de Veneza) |
| Participações | 24 oficiais de inteligência e militares israelenses (sob anonimato) |
















