O Castigo 2022 resenha crítica do filme Flixlândia

[CRÍTICA] Plano-sequência de ‘O Castigo’ expõe a claustrofobia da maternidade não romantizada

Foto: Divulgação
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Coproduzido entre Chile e Argentina, “O Castigo” (2022), thriller dramático dirigido por Matías Bize e escrito por Coral Cruz, se distingue por sua audaciosa execução técnica e profunda crítica social. Estrelado por Antonia Zegers e Néstor Cantillana, o filme foi amplamente reconhecido, inclusive com prêmios como o de Melhor Atriz no Platino 2023.

Sua maior particularidade reside na filmagem de seus 86 minutos em um único plano-sequência, o que intensifica a sensação de angústia em tempo real para o espectador. Além do feito técnico, o longa utiliza a tensão familiar para tecer uma crítica incisiva à exaustão da condição materna e ao julgamento social que recai sobre as mães, transformando-o em um intenso estudo das dinâmicas parentais.

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Sinopse

Ana e Mateo resolvem dar um castigo extremo ao filho Lucas, de sete anos, e o deixam por um breve instante na beira de uma estrada perto de uma floresta. Após se passarem apenas dois minutos, o casal volta e percebe que a criança desapareceu. O suspense acompanha a procura frenética e aterrorizante pelo menino, usando a angústia da situação para expor as rachaduras profundas e os segredos não ditos na relação dos pais.

À medida que o tempo passa e a culpa aumenta, a dinâmica tóxica da família e as frustrações de Ana com a exaustiva pressão da maternidade vêm à tona, transformando a tentativa de encontrar Lucas em um doloroso acerto de contas com o seu próprio casamento e papéis sociais.

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Resenha crítica do filme O Castigo

O plano-sequência como tensão narrativa

Esta obra parece simples, mas tem muito o que ser dito. Primeiramente, o que mais me chamou a atenção foram os aspectos técnicos, ainda mais quando notamos que ele é todo gravado em uma tomada ininterrupta feita por plano-sequência.

Esta técnica não é apenas um feito virtuoso, mas uma escolha que serve diretamente à narrativa, intensificando a sensação de aprisionamento e urgência. Ao não permitir cortes, a direção de Matías Bize nega ao espectador e aos personagens qualquer respiro, mergulhando-os implacavelmente no tempo real da angústia.

O resultado é uma claustrofobia emocional palpável, onde a câmera funciona como uma testemunha silenciosa e inescapável da crise do casal, amplificando o suspense e a tensão psicológica gerada pelo desaparecimento do filho.

O Castigo resenha crítica do filme 2022 Flixlândia
Foto: Divulgação

A maternidade não romantizada

Outro ponto que se destacou claramente para mim foi o aspecto de Ana, mãe do menino. Logo pensei comigo: “esta mulher me parece bem cansada”. O que achei ser um detalhe pormenor, se mostrou algo devidamente importante.

A trama busca criticar a maternidade idealizada e a pressão social imposta às mulheres. Através de Ana, o roteiro expõe o esgotamento físico e mental de ser mãe em uma sociedade que exige perfeição e que julga a exaustão como falha.

O sumiço da criança se torna um gatilho para liberar o desabafo reprimido dessa mãe, que se sente sobrecarregada, não ouvida e incessantemente criticada. Através de diálogos bem fortes começamos a refletir sobre a necessidade de desromantizar a maternidade e validar o cansaço materno.

O desaparecimento como catalisador de crise

Embora a procura pela criança seja a ação inicial, o verdadeiro cerne dramático da história é a forma como o desaparecimento atua como um catalisador destrutivo para o relacionamento de Ana e Mateo. O evento traumático destrói as fachadas de um casamento funcional e força o casal a confrontar não apenas sua atitude em relação ao filho, mas também a mentira e o ressentimento acumulados entre eles.

A trama rapidamente evolui de um thriller de procura para um drama psicológico íntimo, onde o foco se desloca da pergunta “Onde está o filho?” para o doloroso questionamento “Quem somos nós como casal e como indivíduos?”. A ausência do menino vira apenas um pano de fundo para se levantar questões pesadas e verdadeiras sobre a vida a dois.

Conclusão

O Castigo é um bom filme que usa brilhantemente o plano-sequência e que nos faz indagar sobre a forma em que tratamos a condição materna apenas como algo bonito. O seu ponto negativo fica por conta do ritmo que, por vezes, parece parado demais, embora isso faça parte da narrativa.

O ponto positivo fica pelo incrível debate entre marido e mulher que nos faz pensar em muitas coisas reais de nossas vidas. Com um merecido reconhecimento para a atriz Antonia Zegers que nos dá uma interpretação crível e sofrida de como é ser mãe.

Indicado para quem vê o cinema como arte e para quem gosta de um roteiro com um debate de alto nível sobre dinâmicas familiares.

Onde assistir ao filme O Castigo?

O filme estreia nesta quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de O Castigo (2022)

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Elenco do filme O Castigo

  • Antonia Zegers
  • Néstor Cantillana
  • Catalina Saavedra
  • Santiago Urbina
Escrito por
Bruno de Oliveira

Sou um apaixonado por filmes, séries e cultura pop em geral. Entre um blockbuster e um filme introspectivo e intimista encontro meu lugar no mundo e me sinto a vontade para viajar seja lá para qual mundo for.

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