Se você chegou ao quinto e penúltimo episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos esperando apenas uma batalha épica estilo Game of Thrones, provavelmente saiu com sentimentos mstos. Intitulado “Em Nome da Mãe”, o capítulo carrega o peso de resolver o tenso Julgamento dos Sete, mas decide fazer um desvio arriscado.
O episódio entrega a brutalidade que prometeu, mas cobra um preço narrativo alto ao frear a ação para explicar a psique de Dunk. É uma hora de televisão que oscila entre o melodrama desnecessário e a tragédia magistral.
Sinopse
O episódio começa com a tensão lá no alto no Prado de Vaufreixo. Dunk (Peter Claffey) e seus aliados — incluindo o príncipe Baelor (Bertie Carvel) e Lyonel Baratheon — enfrentam a facção de Aerion Targaryen. Logo no início do combate, Dunk é ferido gravemente e perde a consciência.
Nesse apagão, a série nos transporta para um flashback extenso na Baixada das Pulgas. Vemos um jovem Dunk (Bamber Todd) e sua amiga Rafe (Chloe Lea) tentando sobreviver aos espólios da Rebelião Blackfyre, sonhando em fugir para Essos. O sonho acaba em tragédia quando Rafe é assassinada por um guarda da cidade, e Dunk é salvo por um bêbado Sor Arlan de Centarbor.
De volta ao presente, a voz de Egg (e a memória de Arlan) impulsionam Dunk a se levantar. Ele derrota Aerion na base da força bruta e o obriga a retirar a acusação. A vitória, contudo, vira cinzas na boca: ao retirar o elmo após a luta, descobre-se que Baelor Targaryen teve o crânio esmagado por um golpe acidental de seu irmão Maekar, morrendo nos braços de Dunk.
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Crítica do episódio 5 de O Cavaleiro dos Sete Reinos
Um desvio polêmico pelo passado
A decisão mais controversa do episódio foi, sem dúvida, dedicar cerca de metade do tempo de tela a um flashback que não existe no material original de George R.R. Martin. A série escolheu pausar a adrenalina do julgamento para nos dar uma “história de origem” trágica para Dunk.
O problema aqui não é a atuação — o jovem Bamber Todd e Chloe Lea entregam ótimos momentos —, mas a necessidade narrativa disso. Transformar Rafe, que nos livros é apenas um amigo de infância mencionado, em uma garota e interesse amoroso que é assassinada (o famoso tropo de “mulher na geladeira”) pareceu um recurso melodramático excessivo.
A série tenta justificar a bondade de Dunk através desse trauma, sugerindo que ele é um cavaleiro honrado por causa dessa tragédia, o que enfraquece a ideia original de que ele é bom simplesmente porque essa é sua natureza. Além disso, cria uma inconsistência: se Dunk viu a Patrulha da Cidade matar sua amiga a sangue frio, por que ele cogitaria se juntar a eles no primeiro episódio?

O “Rocky Balboa” de Westeros
Quando a série finalmente retorna à lama de Vaufreixo, ela brilha. A direção acerta em cheio ao nos colocar literalmente dentro do elmo de Dunk, transmitindo a claustrofobia, o caos e a violência suja de um combate real. Não há coreografias limpas ou heroísmo elegante aqui; é gente se batendo com ferro até não aguentar mais.
O paralelo criado entre o passado e o presente funciona bem tematicamente através do mantra “levante-se”. Ver Dunk sendo surrado, quase morto, e encontrando forças para levantar — não pela técnica, mas pela pura recusa em desistir — transformou a luta em uma espécie de Rocky medieval. A satisfação de vê-lo usar o escudo e os punhos para moer a arrogância de Aerion foi um dos pontos altos da temporada, trazendo aquele alívio visceral que a gente tanto precisava,.
A crueldade do destino Targaryen
Se o flashback vai dividir opiniões, o final certamente unirá todo mundo no sofrimento. A morte de Baelor Targaryen é executada com uma crueldade ímpar, típica do universo de Game of Thrones. O roteiro é sádico: permite que a gente respire aliviado, comemore a vitória de Dunk e a sobrevivência (aparente) dos heróis, para então puxar o tapete.
A revelação de que o elmo era a única coisa segurando a cabeça de Baelor é uma imagem horrível e inesquecível. Perder Baelor não é apenas triste porque ele era um cara legal; é trágico porque ele representava o rei ideal que Westeros nunca terá.
E para tornar tudo pior (e narrativamente mais rico), o fato de o golpe fatal ter vindo de Maekar, seu próprio irmão, adiciona uma camada de culpa e complexidade política que vai assombrar a série daqui para frente. Dunk venceu, mas o custo foi mudar a história de Westeros para pior.
Conclusão
O episódio 5 de O Cavaleiro dos Sete Reinos é uma montanha-russa de escolhas criativas. Por um lado, tropeça ao inserir uma backstory que soa como “gordura” desnecessária e clichê de novela trágica, quebrando o ritmo do que deveria ser o clímax da temporada. Por outro, entrega um combate visceral e um desfecho emocionalmente devastador que reafirma que, neste mundo, fazer a coisa certa quase sempre cobra um preço mortal.
Não foi um episódio perfeito, mas o impacto dos minutos finais garante que a gente não vai esquecê-lo tão cedo. Agora, resta saber como Dunk lidará com o peso de ter “matado” a maior esperança do reino.
Onde assistir à série O Cavaleiro dos Sete Reinos?
Trailer de O Cavaleiro dos Sete Reinos (2026)
Elenco de O Cavaleiro dos Sete Reinos, da HBO
- Peter Claffey
- Dexter Sol Ansell
- Daniel Ings
- Shaun Thomas
- Henry Ashton
- Edward Ashley
- Sam Spruell
- Finn Bennett














