Confira a crítica da temporada 6 (The Handmaid's Tale) de "O Conto da Aia", série de 2025 disponível para assistir no Paramount+.

A última travessia de June: um começo potente para o fim de ‘O Conto da Aia’

Foto: Paramount+ / Divulgação
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Depois de uma longa pausa, “O Conto da Aia” (The Handmaid’s Tale) retorna com a temporada 6 prometendo finalmente encerrar a jornada de June Osborne — e, quem sabe, dar ao público um pouco da catarse tão adiada.

Os dois primeiros episódios da última temporada não apenas retomam a narrativa exatamente de onde parou, como imprimem um novo ritmo à série, que por anos oscilou entre sofrimento extremo e avanços mínimos na trama. Agora, com um destino à vista, os caminhos de June, Serena e tantos outros personagens se cruzam novamente em meio ao caos e à reconstrução.

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Sinopse da temporada 6 da série O Conto da Aia / The Handmaid’s Tale (2025)

A temporada começa com June (Elisabeth Moss) fugindo com a filha Nichole num trem rumo ao Alasca, após sobreviver a uma tentativa de assassinato em solo canadense. No mesmo trem, está Serena Joy (Yvonne Strahovski), também em fuga e com seu filho recém-nascido, Noah. O reencontro tenso entre as duas, agora em circunstâncias improváveis, cria uma das dinâmicas mais interessantes da série até aqui.

Enquanto isso, Luke está preso, Nick lida com pressões internas em Gilead, Moira se aproxima da resistência Mayday e uma revelação inesperada: Holly, a mãe de June, dada como morta nas Colônias, está viva — e em solo americano. A série acelera, mas sem perder o peso emocional que sempre a definiu.

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Crítica da temporada 6 de O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale), do Paramount+

A relação entre June e Serena sempre foi o coração moral e ambíguo de “O Conto da Aia”, mas nos dois primeiros episódios da sexta temporada ela ganha contornos ainda mais humanos — e contraditórios. No trem, Serena tenta se aproximar, como se o passado pudesse ser varrido sob o tapete.

June, carregando traumas incontornáveis, tenta ao mesmo tempo manter distância e sobreviver. O momento em que Serena é reconhecida por outras refugiadas e quase linchada — salvo por um ato inesperado de compaixão de June — mostra o quanto a série ainda sabe construir tensão com domínio absoluto de espaço e silêncio.

Direção precisa e atuações intensas

Elisabeth Moss, que também dirige os dois primeiros episódios, dá uma aula de como captar emoções cruas sem exagero. A cena do reencontro entre June e Holly é exemplar: o uso da música, a câmera que hesita antes do abraço, tudo comunica dor, alívio e, acima de tudo, exaustão.

Cherry Jones, como Holly, entrega uma performance comedida e poderosa. Há uma tensão entre mãe e filha que ultrapassa a simples alegria da sobrevivência: são duas mulheres marcadas por escolhas e perdas que não têm como voltar atrás.

Serena, a sobrevivente disfarçada de mártir

Serena é lançada de um trem com um bebê nos braços e, no melhor estilo da personagem, cai em pé. Seu abrigo numa comunidade religiosa feminina chamada Canaan parece, à primeira vista, um retiro espiritual. Mas rapidamente entendemos: ela está apenas esperando a próxima oportunidade de retomar o controle.

Seu retorno a Gilead — agora sob o disfarce da reformulação em New Bethlehem — mostra que Serena nunca quis redenção, apenas um novo púlpito. Seu discurso messiânico no jantar em Canaan é assustador pela calma com que ela reivindica um papel de salvadora, sem jamais confrontar o que realmente foi.

A série encontra propósito e urgência

A sexta temporada parece ter aprendido com seus próprios erros. Se nas últimas temporadas a história andava em círculos, agora ela tem rumo. A reintrodução de personagens como Holly, a volta do núcleo da resistência com Moira e Mark, e o novo papel de Luke na Mayday dão dinamismo à trama. Até o salto temporal de dois meses — algo que normalmente pareceria artificial — funciona como ferramenta para limpar o terreno e posicionar as peças para o confronto final.

Nick continua sendo um personagem que flerta com o desgaste. A série parece não saber muito bem o que fazer com ele, e o roteiro o transforma mais uma vez em uma ponte entre Gilead e a resistência. Ainda assim, sua relação com June continua sendo emocionalmente potente, mesmo que agora com mais dúvidas do que certezas. A tensão entre ele e o sogro, o novo Comandante Wharton, adiciona um novo elemento político à narrativa que ainda pode render.

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Conclusão

Os dois primeiros episódios da temporada 6 de “O Conto da Aia” funcionam como um verdadeiro reinício. Com direção afiada, foco narrativo e diálogos emocionalmente carregados, a série parece finalmente disposta a entregar um encerramento digno ao seu universo distópico.

June segue sendo o centro moral da história, mesmo quando suas escolhas são difíceis de apoiar. Serena, por sua vez, confirma-se como a antagonista mais fascinante da TV atual — complexa, calculista, e quase sempre um passo à frente.

Mais do que redenção, a temporada promete confronto. E se a série mantiver o nível apresentado nesse início, “The Handmaid’s Tale” poderá se despedir com a força que fez dela um marco na ficção contemporânea.

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Onde assistir à série O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale)?

A série está disponível para assistir no Paramount+.

Trailer da temporada 6 de O Conto da Aia / The Handmaid’s Tale (2025)

YouTube player

Elenco de O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale), do Paramount+

  • Elisabeth Moss
  • Yvonne Strahovski
  • Ann Dowd
  • O-T Fagbenle
  • Madeline Brewer
  • Max Minghella
  • Samira Wiley
  • Amanda Brugel

Ficha técnica da série O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale)

  • Título original: The Handmaid’s Tale
  • Criação: Bruce Miller
  • Gênero: drama, suspense
  • País: Estados Unidos
  • Temporada: 6
  • Episódios: 10
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Giselle Costa Rosa

Navegando nas águas do marketing digital, na gestão de mídias pagas e de conteúdo. Já escrevi críticas de filmes, séries, shows, peças de teatro para o sites Blah Cultural e Ultraverso. Agora, estou aqui em um novo projeto no site Flixlândia.

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