episódio 5 temporada 3 A Casa do Dragão

‘A Casa do Dragão’ (3×05): furos de roteiro e a marcha para a morte na Dança dos Dragões

Foto: HBO / Divulgação
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Vamos ser sinceros: depois de episódios explosivos que colocaram a guerra em movimento, era inevitável que A Casa do Dragão precisasse puxar o freio de mão em algum momento. O quinto episódio da terceira temporada, intitulado “Insubmissos e Imbatíveis”, atua exatamente como essa peça de transição, focando em reposicionar as peças no tabuleiro de xadrez de Westeros antes do grande clímax.

Para alguns pode ter sido uma hora de série que andou em círculos e abusou da paciência do espectador com furos de roteiro. Para outros, um respiro necessário que aprofundou a psicologia fragmentada de personagens que estão lidando com o peso esmagador da guerra. Independentemente de qual lado você esteja, uma coisa é certa: a guerra de espadas deu lugar a uma guerra de sombras, e a ameaça real agora vem de dentro.

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Sinopse

Enquanto Rhaenyra Targaryen tenta manter o controle de Porto Real em meio a uma crise financeira e assassinatos misteriosos na Patrulha da Cidade, Daemon Targaryen busca descobrir quem está orquestrando esse terror interno. Nas Terras Fluviais, Criston Cole lidera uma campanha de guerrilha suicida contra as forças muito superiores de Oscar Tully e Roderick Dustin. Paralelamente, em Tumbleton, Ormund Hightower atua como o grande arquiteto do caos, forjando moedas para coroar Daeron Targaryen como o novo rei.

Nos bastidores da Fortaleza Vermelha, Alicent Hightower tenta desesperadamente fugir com uma Helaena Targaryen grávida, precisando despistar a vigilância implacável de Mysaria. Longe dali, Aemond Targaryen encontra um bizarro refúgio maternal em Alys Rivers nas ruínas de Harrenhal, enquanto o ferido Aegon Targaryen ganha um choque de realidade de Larys Strong durante sua fuga.

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Crítica do episódio 5 da temporada 3 de A Casa do Dragão

Freio de mão puxado e conveniências de roteiro

A grande frustração deste episódio mora nas conveniências narrativas que quebram a imersão. A linha do tempo nas Terras Fluviais, por exemplo, perdeu totalmente o sentido. Os exércitos parecem marchar há meses sem chegar a lugar nenhum, algo muito diferente do ritmo apresentado na obra literária Fogo & Sangue.

Outro ponto que exigiu muita suspensão de descrença foi a sobrevivência milagrosa de Tyland Lannister. Visto pela última vez afundando com a frota na Batalha da Goela, ele surge do nada perto de Pouso de Gralhas para ajudar Aegon, um verdadeiro deus ex machina que contraria o material original.

Além disso, as interações entre Alicent e Mysaria trazem diálogos que parecem forçados para criar atrito, com personagens sabendo de informações confidenciais (como o caso de Alicent e Cole ou o passado de Mysaria com Rhaenyra) sem uma explicação lógica de como obtiveram esses segredos.

A Casa do Dragão temporada 3 5 episódio
Foto: HBO / Divulgação

A missão suicida de Criston Cole

Um dos arcos mais divisivos foi o de Criston Cole. O outrora temido “Fazedor de Reis” agora parece apenas um homem patético, cansado e com desejo de morte. Depois de incomodar os inimigos queimando pontes e acampamentos, ele leva um verdadeiro nó tático do jovem Oscar Tully, que usa armadilhas como caltrops (estrepes) para aleijar os cavalos dos Verdes e forçá-los a marchar na lama.

Em vez de recuar para Tumbleton como sugere o sensato Gwayne Hightower, Cole decide que seu único objetivo é uma morte gloriosa em batalha, declarando que está farto de servir aos nobres e quer morrer como o maior guerreiro do reino. O irônico é que esse discurso pomposo contrasta diretamente com o final humilhante que o personagem tem nos livros de George R.R. Martin, onde lhe é negado qualquer tipo de glória ou canção.

O xadrez político de Ormund e a paranoia de Rhaenyra

Se os dragões ficaram em segundo plano, a mente tática de Ormund Hightower brilhou intensamente. Ele se consolida como o grande antagonista estratégico da temporada. Ao enviar ouro com o rosto de Daeron Targaryen para inflamar a população miserável de Porto Real, ele cria uma rebelião silenciosa e letal, que culmina no brutal assassinato de Luthor Largent e seus Mantos Dourados, deixados em uma mesa macabra com a mensagem: “Um banquete para traidores”. O interessante é que essa morte de Luthor também é uma mudança em relação aos livros, antecipando seu fim trágico.

A consequência direta disso é a escalada da paranoia de Rhaenyra. A rainha começa a ceder sob a pressão de governar uma cidade que não a aceita, sentindo que traições espreitam em cada sombra. O embate ideológico com Daemon no Septo é fantástico, mostrando a dinâmica tóxica mas complementar do casal: ela presa às suas inseguranças e crenças religiosas, ele focado na brutalidade e na resposta militar.

Traumas familiares e fuga na Fortaleza Vermelha

A série também dedicou tempo para aprofundar os traumas dos filhos de Alicent. Aegon, cego pelo ódio e pela inveja de Aemond, leva uma bronca antológica de Larys Strong, que esfrega na cara dele que todos os seus fracassos são fruto de sua própria incompetência e falta de caráter. Já Aemond, isolado em Harrenhal e sem a presença da gigantesca Vhagar, regride a um estado quase infantil, encontrando em Alys Rivers uma figura materna manipuladora que explora suas fraquezas emocionais com maestria.

Em Porto Real, a situação de Alicent é sufocante. A revelação de que Helaena está grávida a leva ao desespero de oferecer o chá da lua (abortivo) à filha, sabendo que Rhaenyra nunca permitiria a existência de mais um herdeiro rival. O sacrifício de Alicent ao beber o chá para despistar Mysaria é poderoso, mas culmina em uma tentativa de fuga frustrante pelas paredes do castelo, deixando mãe e filha literalmente no escuro após encontrarem uma passagem secreta bloqueada.

O curioso romantismo de Baela e Addam

Uma pequena, mas notável mudança em relação a Fogo & Sangue é a aproximação entre Baela Targaryen e Addam de Hull. Em um diálogo genuinamente terno, Addam mostra preocupação com a exaustão de Baela e sugere que eles fujam juntos em seus dragões caso ela seja forçada a um casamento indesejado.

É uma semente romântica intrigante, que diverge do destino caótico que os personagens têm nos livros, mas que adiciona uma camada de humanidade bem-vinda em meio a tanto derramamento de sangue.

Conclusão

No fim das contas, o episódio 5 da terceira temporada de A Casa do Dragão exige paciência. É um capítulo que tropeça em algumas conveniências de roteiro e sofre com um ritmo modorrento em determinados núcleos. No entanto, ele é fundamental para posicionar as peças para os eventos catastróficos que se aproximam.

A declaração de morte de Criston Cole prepara o terreno para o aguardado Baile do Açougueiro, enquanto a genialidade militar de Ormund Hightower e o desespero de Rhaenyra são o prelúdio perfeito para a inevitável Batalha de Tumbleton. A guerra finalmente está começando a cobrar suas dívidas, e o preço será alto para todos.

Leia mais:

Onde assistir à série A Casa do Dragão?

  • HBO e HBO Max

Trailer da temporada 3 de A Casa do Dragão

YouTube player

Elenco de A Casa do Dragão, da HBO

  • Emma D’Arcy (Rhaenyra Targaryen)
  • Olivia Cooke (Alicent Hightower)
  • Matt Smith (Daemon Targaryen)
  • Tom Glynn-Carney (Aegon II Targaryen)
  • Ewan Mitchell (Aemond Targaryen)
  • Steve Toussaint (Corlys Velaryon)
  • Harry Collett (Jacaerys Velaryon)
  • James Norton (Ormund Hightower)

Ficha técnica

  • Série: A Casa do Dragão (House of the Dragon)
  • Temporada: 3
  • Episódio: 5 – “Insubmissos e Imbatíveis” (Unbowed and Unbent)
  • Emissora/Streaming: HBO / Max
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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