série Sessão de Terapia temporada 6 do Globoplay

Sexta temporada de ‘Sessão de Terapia’ reflete as dores do Brasil atual

Foto: Globoplay / Divulgação
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A temporada 6 de Sessão de Terapia chegou ao Globoplay provando que algumas obras não apenas sobrevivem à passagem do tempo, mas amadurecem com ele. Após um longo hiato de cinco anos desde a sua última leva de episódios, a produção brasileira, baseada no formato israelense BeTipul, retorna de forma muito bem-vinda.

Em um cenário onde as séries costumam apostar em cortes frenéticos e explosões de estímulos, a obra estrelada e dirigida por Selton Mello continua nadando na contramão: o grande espetáculo aqui é a palavra, a escuta e o silêncio. A relevância nunca foi tão grande, especialmente em um país ansioso que, pós-pandemia, passou a falar mais abertamente sobre saúde mental.

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Sinopse

Nesta sexta temporada, composta por 35 episódios lançados em levas de cinco por semana, reencontramos o psicanalista Caio Barone (Selton). Aparentemente mais ameno, cuidando da saúde e de volta aos estudos após a influência de seu ex-supervisor Davi, Caio decide abrir sua agenda para novos desafios e aceita, pela primeira vez, dar supervisão a uma colega.

De segunda a quinta, ele atende quatro pacientes inéditos, cada um com dores profundamente conectadas ao nosso tempo: a terapeuta Érica (Olivia Torres), a cuidadora Morena (Alice Carvalho), o empresário Ulisses (Paulo Gorgulho) e a operadora da bolsa Ingrid (Bella Camero). Às sextas-feiras, a mesa vira e Caio senta no sofá para encarar a sua própria e implacável supervisora, Rosa Gabriel (Grace Passô).

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Crítica da temporada 6 de Sessão de Terapia

A vulnerabilidade do terapeuta no divã

O grande trunfo desta temporada é tirar Caio Barone de sua zona de conforto e abandonar de vez qualquer aura de “guru emocional” inatingível. Como ressalta o próprio roteiro, terapeutas também falham e sangram. A dinâmica das sextas-feiras com Rosa rende os melhores embates da série. A personagem de Grace Passô é direta, não passa a mão na cabeça e tira o protagonista do eixo de formas que ele não estava acostumado.

A vida pessoal de Caio transborda para o consultório de forma incômoda. Ele precisa lidar com o luto mal resolvido pela filha, a saudade da ex-mulher e a completa perda de controle diante da gravidez de sua irmã Mariana (Bruna Chiaradia) e de seu cunhado Guido (Angelo Paes Leme). Além disso, Caio se vê moral e emocionalmente desestabilizado ao confundir a relação de supervisão com Érica, acreditando viver uma tensão romântica com ela. Ver Selton Mello transitando do profissional compenetrado para um homem reativo e vulnerável é um prato cheio para quem acompanha a jornada do personagem.

Sessão de Terapia temporada 6 série do Globoplay
Olivia Torres é Érica na temporada 6 de Sessão de Terapia (Foto: Globoplay / Divulgação)

Espelho da sociedade: pacientes e dilemas atuais

O texto de Jacqueline Vargas acerta em cheio ao escolher os arquétipos desta temporada, transformando o consultório num verdadeiro microcosmo da vida urbana contemporânea.

Ingrid, brilhantemente interpretada por Bella Camero, é o puro suco do esgotamento moderno. A operadora do mercado financeiro de 23 anos traz para a tela a paranoia, o burnout e a necessidade tóxica de aprovação, escancarando a nossa era de hiperconectividade e comparações doentias. No polo oposto da idade, mas não menos angustiado, temos Ulisses. Paulo Gorgulho entrega um homem de mais de 60 anos, recém-infartado, que nega a passagem do tempo a qualquer custo através de procedimentos estéticos, discutindo o medo visceral da “morte social” e da velhice.

Já Alice Carvalho brilha ao nos fazer sentir o peso de Morena, uma mulher forçada a inverter os papéis e maternar o próprio pai, um artista famoso que começa a se perder para o Alzheimer. A dor do luto em vida e a sobrecarga do cuidado são palpáveis. Fechando o quarteto, Olivia Torres encarna Érica, que aos 35 anos joga no divã a pressão esmagadora que a sociedade coloca sobre as mulheres em relação ao relógio biológico e ao desejo (ou à recusa) da maternidade.

Direção intimista, mas com fôlego quase esgotado

Sob a direção de Selton Mello e a assistência de Vera Haddad, a câmera se comporta como uma testemunha silenciosa. A fotografia em tons pastéis assinada por Lílis Soares e Fábio Burtin ajuda a criar um contraste entre a calmaria do ambiente físico e o caos mental dos personagens. A trilha sonora original de Plínio Profeta pontua as emoções com precisão.

Contudo, é inegável que a série exige paciência. Em sua sexta temporada, a estrutura repetitiva da “semana” (um paciente por dia e a supervisão na sexta) tira parte do fator novidade que engajou o público no passado. Em alguns momentos, a obra corre o risco de soar arrastada para espectadores menos habituados a episódios altamente contemplativos.

Temporada 6 de Sessão de Terapia é boa?

A sexta temporada de Sessão de Terapia não tenta reinventar a roda, mas reforça que a engrenagem humana continua complexa, dolorosa e fascinante. A série se consagra como a versão mais longa do formato no mundo exatamente por ter encontrado a sua alma no Brasil.

É um lembrete audiovisual incômodo e necessário de que ninguém tem todas as respostas — muito menos o terapeuta. Um retorno maduro, melancólico e absolutamente imperdível.

Trailer da temporada 6 de Sessão de Terapia

YouTube player

Elenco da 6ª temporada de Sessão de Terapia

  • Selton Mello (Caio Barone)
  • Grace Passô (Rosa Gabriel)
  • Alice Carvalho (Morena)
  • Bella Camero (Ingrid)
  • Olivia Torres (Érica)
  • Paulo Gorgulho (Ulisses)
  • Angelo Paes Leme (Guido)
  • Bruna Chiaradia (Mariana)
  • Danton Mello

Ficha técnica

  • Título: Sessão de Terapia (6ª Temporada)
  • Plataforma: Globoplay
  • Direção Geral: Selton Mello
  • Direção-assistente: Vera Haddad
  • Roteiro Original: Jacqueline Vargas
  • Produção Criativa: Roberto d’Avila (Moonshot Pictures)
  • Direção de Fotografia: Lílis Soares e Fábio Burtin
  • Trilha Sonora: Plínio Profeta
  • Formato: 35 episódios de aproximadamente 25 minutos.
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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