série Sessão de Terapia temporada 6 do Globoplay

Sexta temporada de ‘Sessão de Terapia’ reflete as dores do Brasil atual

Foto: Globoplay / Divulgação
Compartilhe

A temporada 6 de Sessão de Terapia chegou ao Globoplay provando que algumas obras não apenas sobrevivem à passagem do tempo, mas amadurecem com ele. Após um longo hiato de cinco anos desde a sua última leva de episódios, a produção brasileira, baseada no formato israelense BeTipul, retorna de forma muito bem-vinda.

Em um cenário onde as séries costumam apostar em cortes frenéticos e explosões de estímulos, a obra estrelada e dirigida por Selton Mello continua nadando na contramão: o grande espetáculo aqui é a palavra, a escuta e o silêncio. A relevância nunca foi tão grande, especialmente em um país ansioso que, pós-pandemia, passou a falar mais abertamente sobre saúde mental.

➡️ Compre na AMAZON com frete grátis e rápido!

Sinopse

Nesta sexta temporada, composta por 35 episódios lançados em levas de cinco por semana, reencontramos o psicanalista Caio Barone (Selton). Aparentemente mais ameno, cuidando da saúde e de volta aos estudos após a influência de seu ex-supervisor Davi, Caio decide abrir sua agenda para novos desafios e aceita, pela primeira vez, dar supervisão a uma colega.

De segunda a quinta, ele atende quatro pacientes inéditos, cada um com dores profundamente conectadas ao nosso tempo: a terapeuta Érica (Olivia Torres), a cuidadora Morena (Alice Carvalho), o empresário Ulisses (Paulo Gorgulho) e a operadora da bolsa Ingrid (Bella Camero). Às sextas-feiras, a mesa vira e Caio senta no sofá para encarar a sua própria e implacável supervisora, Rosa Gabriel (Grace Passô).

➡️ Siga o canal FLIXLÂNDIA no WhatsApp

Crítica da temporada 6 de Sessão de Terapia

A vulnerabilidade do terapeuta no divã

O grande trunfo desta temporada é tirar Caio Barone de sua zona de conforto e abandonar de vez qualquer aura de “guru emocional” inatingível. Como ressalta o próprio roteiro, terapeutas também falham e sangram. A dinâmica das sextas-feiras com Rosa rende os melhores embates da série. A personagem de Grace Passô é direta, não passa a mão na cabeça e tira o protagonista do eixo de formas que ele não estava acostumado.

A vida pessoal de Caio transborda para o consultório de forma incômoda. Ele precisa lidar com o luto mal resolvido pela filha, a saudade da ex-mulher e a completa perda de controle diante da gravidez de sua irmã Mariana (Bruna Chiaradia) e de seu cunhado Guido (Angelo Paes Leme). Além disso, Caio se vê moral e emocionalmente desestabilizado ao confundir a relação de supervisão com Érica, acreditando viver uma tensão romântica com ela. Ver Selton Mello transitando do profissional compenetrado para um homem reativo e vulnerável é um prato cheio para quem acompanha a jornada do personagem.

Sessão de Terapia temporada 6 série do Globoplay
Olivia Torres é Érica na temporada 6 de Sessão de Terapia (Foto: Globoplay / Divulgação)

Espelho da sociedade: pacientes e dilemas atuais

O texto de Jacqueline Vargas acerta em cheio ao escolher os arquétipos desta temporada, transformando o consultório num verdadeiro microcosmo da vida urbana contemporânea.

Ingrid, brilhantemente interpretada por Bella Camero, é o puro suco do esgotamento moderno. A operadora do mercado financeiro de 23 anos traz para a tela a paranoia, o burnout e a necessidade tóxica de aprovação, escancarando a nossa era de hiperconectividade e comparações doentias. No polo oposto da idade, mas não menos angustiado, temos Ulisses. Paulo Gorgulho entrega um homem de mais de 60 anos, recém-infartado, que nega a passagem do tempo a qualquer custo através de procedimentos estéticos, discutindo o medo visceral da “morte social” e da velhice.

Alice Carvalho brilha ao nos fazer sentir o peso de Morena, uma mulher forçada a inverter os papéis e maternar o próprio pai, um artista famoso que começa a se perder para o Alzheimer. A dor do luto em vida e a sobrecarga do cuidado são palpáveis. Fechando o quarteto, Olivia Torres encarna Érica, que aos 35 anos joga no divã a pressão esmagadora que a sociedade coloca sobre as mulheres em relação ao relógio biológico e ao desejo (ou à recusa) da maternidade.

Direção intimista, mas com fôlego quase esgotado

Sob a direção de Selton Mello e a assistência de Vera Haddad, a câmera se comporta como uma testemunha silenciosa. A fotografia em tons pastéis assinada por Lílis Soares e Fábio Burtin ajuda a criar um contraste entre a calmaria do ambiente físico e o caos mental dos personagens. A trilha sonora original de Plínio Profeta pontua as emoções com precisão.

Contudo, é inegável que a série exige paciência. Em sua sexta temporada, a estrutura repetitiva da “semana” (um paciente por dia e a supervisão na sexta) tira parte do fator novidade que engajou o público no passado. Em alguns momentos, a obra corre o risco de soar arrastada para espectadores menos habituados a episódios altamente contemplativos.

Temporada 6 de Sessão de Terapia é boa?

A sexta temporada de Sessão de Terapia não tenta reinventar a roda, mas reforça que a engrenagem humana continua complexa, dolorosa e fascinante. A série se consagra como a versão mais longa do formato no mundo exatamente por ter encontrado a sua alma no Brasil.

É um lembrete audiovisual incômodo e necessário de que ninguém tem todas as respostas — muito menos o terapeuta. Um retorno maduro, melancólico e absolutamente imperdível.

Trailer da temporada 6 de Sessão de Terapia

YouTube player

Elenco da 6ª temporada de Sessão de Terapia

  • Selton Mello (Caio Barone)
  • Grace Passô (Rosa Gabriel)
  • Alice Carvalho (Morena)
  • Bella Camero (Ingrid)
  • Olivia Torres (Érica)
  • Paulo Gorgulho (Ulisses)
  • Angelo Paes Leme (Guido)
  • Bruna Chiaradia (Mariana)
  • Danton Mello

Ficha técnica

  • Título: Sessão de Terapia (6ª Temporada)
  • Plataforma: Globoplay
  • Direção Geral: Selton Mello
  • Direção-assistente: Vera Haddad
  • Roteiro Original: Jacqueline Vargas
  • Produção Criativa: Roberto d’Avila (Moonshot Pictures)
  • Direção de Fotografia: Lílis Soares e Fábio Burtin
  • Trilha Sonora: Plínio Profeta
  • Formato: 35 episódios de aproximadamente 25 minutos.
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Duang com Você dorama BL da Netflix 2026
Críticas

‘Duang com Você’: BL tailandês transforma clichê em obra-prima de conforto

Sabe aquela série que você começa a assistir sem grandes pretensões e,...

A Casa do Dragão 3 temporada 5 episódio
Críticas

Final explicado de ‘A Casa do Dragão’ (3×05): quem está matando os Mantos Dourados?

O quinto episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão troca...

Até a Camiseta Secar dorama série japonesa da Netflix 2026
Críticas

‘Até a Camiseta Secar’: por que a nova série de suspense está enlouquecendo a internet?

Se você é fã daquele tipo de suspense psicológico que te prende...

episódio 5 temporada 3 A Casa do Dragão
Críticas

‘A Casa do Dragão’ (3×05): furos de roteiro e a marcha para a morte na Dança dos Dragões

Vamos ser sinceros: depois de episódios explosivos que colocaram a guerra em...

A Leste do Palácio da Netflix crítica do dorama série 2026
Críticas

Elenco de ‘A Leste do Palácio’: quem é quem no novo dorama de terror da Netflix?

A nova superprodução sul-coreana da Netflix, A Leste do Palácio, mal chegou...

assustadoramente apaixonados dorama série da netflix de 2026
Críticas

‘Assustadoramente Apaixonados’ entrega suspense e visual impecável, mas muito clichê

Se você está procurando um dorama que mistura romance, investigação policial, comédia...

25 Anos de Você 2026 crítica do dorama da Netflix
Críticas

’25 Anos de Você’ entrega mistério psicológico e passado sombrio

O primeiro episódio de uma série tem a difícil missão de te...