Confira a crítica do episódio 9 da temporada 6 de "O Conto da Aia" (The Handmaid’s Tale), disponível para assistir no Paramount+.

‘O Conto da Aia’ (6×09): a tensão e o sacrifício no penúltimo episódio de ‘The Handmaid’s Tale’

Foto: Paramount+ / Divulgação
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O episódio 9, penúltimo da temporada 6 e da série “O Conto da Aia” (The Handmaid’s Tale), intitulado “Execução”, entrega um dos capítulos mais emocionantes e devastadores de toda a produção.

Marcado por mortes significativas, uma rebelião abortada e o aprofundamento dos dilemas morais e religiosos que sempre foram a marca registrada da obra, o episódio comprova a maturidade narrativa de uma série que não teme o desconforto e a complexidade.

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Sinopse do episódio 9 da temporada 6 da série O Conto da Aia / The Handmaid’s Tale (2025)

Após o ataque frustrado durante o casamento de Serena Joy e Gabriel Wharton, as aias e rebeldes se veem obrigadas a fugir para a fronteira de Gilead. No entanto, são rapidamente capturadas. Enquanto isso, Mayday articula um plano desesperado para salvar June, Tia Lydia e as outras mulheres da execução pública, e ao mesmo tempo eliminar de vez a elite comandatária de Gilead.

Com uma bomba preparada, cabe a Joseph Lawrence conduzir o maior sacrifício de sua vida. O episódio culmina em uma cena brutal: o avião que levava Wharton, Lawrence, Nick e outros comandantes explode no céu, selando um dos desfechos mais simbólicos da série até então.

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Crítica da temporada 6 (episódio 9) de O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale), do Paramount+

“The Handmaid’s Tale” sempre tratou a religião com ambivalência: ao mesmo tempo que expõe seu uso como ferramenta de opressão, também a reivindica como instrumento de resistência. “Execução” radicaliza essa ideia ao transformar a fé de June em sua principal arma contra Gabriel Wharton. Não é uma batalha por território ou poder, mas de valores: o amor contra o ódio, a vida contra o controle, a esperança contra o fanatismo.

A cena em que June, já com a corda ao redor do pescoço, grita “Não deixe que os bastardos te destruam” é talvez o momento mais catártico da temporada. Não se trata mais de uma súplica individual, mas de um grito coletivo, um hino à resistência. É tocante ver como a série se recusa a transformar sua heroína em mártir ou mártir involuntária; June quer viver, mas não a qualquer custo.

Sacrifícios e despedidas: Lawrence e Nick selam seus destinos

O sacrifício de Joseph Lawrence é, sem dúvida, o ápice dramático do episódio. De figura dúbia e irônica, Lawrence se transforma no herói trágico que escolhe morrer para expiar seus pecados e salvar quem ainda pode ser salvo. O gesto silencioso de levar a mão ao peito, despedindo-se de June antes de embarcar na missão suicida, sintetiza sua trajetória: um homem que, por anos, arquitetou a máquina de opressão e, no fim, decidiu destruí-la.

Já Nick, ao contrário, confirma seu papel ambíguo até o fim. Sua entrada no avião é carregada de tensão e ambivalência: seria ele cúmplice ou vítima? No fim, a série deixa claro que Nick não conseguiu romper totalmente com Gilead, mesmo que seu amor por June tenha ficado evidente na hesitação antes de subir as escadas do avião.

Sua morte sela não só sua trajetória, mas também encerra definitivamente o triângulo amoroso que sustentou parte da tensão emocional da série.

A fragilidade das vitórias: rebeliões que fracassam e persistem

A série mais uma vez frustra qualquer noção de triunfo absoluto. O ataque planejado para derrubar os comandantes resulta em um sucesso parcial: 37 morreram, mas Gilead continua de pé, reorganizando-se. O ataque à execução pública salva June e as aias, mas não é suficiente para garantir a liberdade definitiva.

Esse é o tom que permeia toda a sexta temporada: vitórias que custam caro, e que nunca são completas. A série parece sugerir que em sistemas totalitários, mesmo pequenas vitórias são milagres, e que a verdadeira resistência não se dá por meio de um ato heroico isolado, mas pela persistência obstinada, dia após dia.

As mulheres como núcleo de redenção e poder

Um dos aspectos mais potentes de “Execução” é a forma como, mais uma vez, as mulheres assumem o protagonismo não apenas narrativo, mas ideológico. Serena Joy, tão vilanizada ao longo da série, dá um passo decisivo ao entregar aos rebeldes a informação crucial sobre o embarque dos comandantes. Sua adesão à causa rebelde não é movida por idealismo, mas pelo desejo de um futuro diferente para seu filho.

Tia Lydia, por sua vez, protagoniza um dos momentos mais emocionantes ao, finalmente, romper com o sistema que ajudou a sustentar. Seu grito de fúria na hora da execução, implorando perdão para as “suas meninas”, é o ápice de uma trajetória marcada por culpa, ambivalência e redenção.

A direção precisa de Elisabeth Moss

Elisabeth Moss, além de mais uma vez entregar uma performance visceral como June, dirige o episódio com maestria. “Execução” é tenso, angustiante e grandioso, mas nunca cede ao espetáculo vazio. As escolhas de câmera, os enquadramentos claustrofóbicos, a maneira como captura o olhar de June assistindo à explosão do avião, tudo contribui para um episódio que é, ao mesmo tempo, íntimo e épico.

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Conclusão

O episódio 9 da temporada 6 de “O Conto da Aia” (The Handmaid’s Tale) não é apenas o penúltimo capítulo: é um manifesto sobre resistência, sacrifício e a capacidade humana de, mesmo sob opressão brutal, manter-se fiel a valores inegociáveis. A série reafirma seu compromisso não com a vitória fácil, mas com a complexidade das escolhas morais em tempos extremos.

Ao eliminar personagens centrais como Lawrence e Nick, pavimenta o caminho para um desfecho que, mais do que resolver tramas, parece destinado a abrir espaço para o legado que essas personagens deixaram: o de nunca deixar que os opressores nos destruam.

Se a batalha está longe de ser vencida, “Execução” nos lembra que, enquanto houver quem lute, a esperança persiste.

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Onde assistir à série O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale)?

A série está disponível para assistir no Paramount+.

Trailer da temporada 6 de O Conto da Aia / The Handmaid’s Tale (2025)

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Elenco de O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale), do Paramount+

  • Elisabeth Moss
  • Yvonne Strahovski
  • Ann Dowd
  • O-T Fagbenle
  • Madeline Brewer
  • Max Minghella
  • Samira Wiley
  • Amanda Brugel

Ficha técnica da série O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale)

  • Título original: The Handmaid’s Tale
  • Criação: Bruce Miller
  • Gênero: drama, suspense
  • País: Estados Unidos
  • Temporada: 6
  • Episódios: 10
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Giselle Costa Rosa

Navegando nas águas do marketing digital, na gestão de mídias pagas e de conteúdo. Já escrevi críticas de filmes, séries, shows, peças de teatro para o sites Blah Cultural e Ultraverso. Agora, estou aqui em um novo projeto no site Flixlândia.

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