O Primata resenha crítica do filme 2026 Flixlândia

‘O Primata’ é exatamente o que se propõe ser: um filme direto e brutal

Foto: Paramount Pictures / Divulgação
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O terror contemporâneo tem encontrado cada vez mais espaço para narrativas simples, porém eficientes, que apostam menos em grandes explicações e mais em experiências sensoriais intensas. O Primata (2026) se encaixa perfeitamente nessa lógica: um filme curto, direto e sem medo de explorar o desconforto físico e psicológico do espectador. Com 1h29 de duração, a obra sabe exatamente onde quer chegar e não desperdiça tempo tentando ser maior do que é.

Sob a direção de Johannes Roberts, cineasta já conhecido pelo sucesso de Medo Profundo, o longa aposta em tensão constante, violência gráfica e um espaço limitado como motor narrativo. Roberts demonstra novamente sua habilidade em transformar ambientes cotidianos em cenários de pânico absoluto, conduzindo o espectador por uma experiência claustrofóbica e brutal.

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Sinopse

Lucy, interpretada por Johnny Sequoyah — conhecida por seu papel em Dexter: Sangue Novo — retorna da faculdade para passar um tempo com a família. Entre reencontros e pequenas tensões domésticas, está Ben, o chimpanzé criado dentro do núcleo familiar como se fosse parte dele. A aparente normalidade é rompida durante uma festa na piscina, quando Ben tem um surto violento e passa a atacar os convidados.

Com o pai de Lucy, Adam, fora de casa, os adolescentes ficam completamente à mercê do caos. Adam é interpretado por Troy Kotsur, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por CODA: No Ritmo do Coração, cuja ausência na narrativa pesa dramaticamente. Isolados, Lucy e seus amigos se barricaram na piscina e tentam improvisar maneiras de sobreviver enquanto o chimpanzé transforma a residência em um território de caça sangrento.

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Resenha crítica do filme O Primata (2026)

O horror da ruptura do cotidiano

O grande mérito de O Primata está em subverter o familiar. O filme constrói sua tensão a partir da quebra de confiança: Ben não é um monstro externo ou sobrenatural, mas um animal que sempre esteve ali, convivendo com a família. Essa proximidade torna sua explosão de violência ainda mais perturbadora, pois destrói qualquer sensação de segurança que o lar poderia oferecer.

A ausência do pai, personagem vivido por Troy Kotsur, intensifica esse sentimento. Mesmo aparecendo pouco, Adam representa a última figura de autoridade e proteção. Sua falta não é apenas física, mas simbólica, deixando os jovens entregues ao desespero e à própria imaturidade diante de uma ameaça real e incontrolável.

O Primata 2026 resenha crítica do filme Flixlândia
Foto: Paramount Pictures / Divulgação

Gore direcionado e suspense eficiente

Johannes Roberts demonstra total domínio do ritmo narrativo. O gore é explícito, impactante e bem dosado, sempre surgindo como consequência direta das decisões dos personagens. Não há violência gratuita: cada cena sangrenta reforça o perigo crescente e a sensação de que ninguém está realmente seguro.

O suspense é construído com inteligência, alternando momentos de silêncio tenso com explosões repentinas de brutalidade. A câmera acompanha os personagens de perto, criando uma sensação quase sufocante. Roberts repete aqui a eficácia já vista em Medo Profundo, usando o espaço limitado como elemento narrativo essencial para gerar medo.

Atuações juvenis e um protagonismo funcional

Johnny Sequoyah sustenta bem o papel de Lucy, trazendo uma protagonista crível dentro da proposta do filme. Sua experiência prévia em produções mais densas, como Dexter: New Blood, ajuda a conferir alguma carga emocional ao personagem, especialmente nos momentos em que Lucy precisa lidar com a culpa e o choque diante da transformação de Ben em ameaça mortal.

As atuações dos demais adolescentes são irregulares, com exageros e falas pouco naturais em alguns momentos. Ainda assim, funcionam dentro do gênero e não chegam a comprometer a imersão. O foco do longa claramente não está no aprofundamento psicológico, mas na reação imediata ao terror e na luta desesperada pela sobrevivência.

Conclusão

O Primata é um filme que conhece suas limitações e trabalha com segurança dentro delas. Não busca reinventar o terror, mas entrega uma experiência intensa, sangrenta e eficaz, sustentada por uma direção competente e uma premissa simples, porém bem explorada.

Mesmo com atuações juvenis apenas medianas, o longa se destaca pela condução firme de Johannes Roberts, pelo uso inteligente do gore e pela tensão constante. Para fãs de terror claustrofóbico, com violência gráfica e ritmo acelerado, O Primata é uma obra direta, brutal e satisfatória — exatamente o que se propõe a ser.

Onde assistir ao filme O Primata?

O filme estreia nesta quinta-feira, dia 29 de janeiro de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de O Primata (2026)

YouTube player

Elenco do filme O Primata

  • Troy Kotsur
  • Johnny Sequoyah
  • Kevin McNally
  • Jess Alexander
  • Victoria Wyant
  • Gia Hunter
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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