Sabe aquela sensação de que tudo vai dar errado ao mesmo tempo e você só tem alguns minutos para resolver? Essa sempre foi a essência de O Urso (The Bear), a aclamada série do FX que conquistou público e crítica (e uma enxurrada de Emmys) ao longo dos últimos anos.
Depois de duas primeiras temporadas brilhantes, a produção de Christopher Storer deu uma leve patinada no terceiro e quarto anos, dividindo os fãs com tramas que fugiam demais da cozinha e abusavam das participações especiais.
Agora, a quinta e última temporada chega ao Disney+ prometendo focar naquilo que a série sabe fazer de melhor: a panela de pressão humana que é a rotina de um restaurante. E já adianto: eles conseguiram servir uma refeição inesquecível.
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Sinopse
A história recomeça exatamente onde o quarto ano nos deixou, mas com uma bomba: Carmy Berzatto (Jeremy Allen White) decidiu que vai largar a cozinha de vez. Com a saída do chef, o controle do restaurante cai no colo de Sydney Adamu (Ayo Edebiri) e Richie Jerimovich (Ebon Moss-Bachrach).
Como se o peso da liderança e a busca por uma estrela Michelin não fossem suficientes, o dinheiro do tio Jimmy (Oliver Platt) acabou, obrigando-os a fazer um serviço de jantar impecável para tentar salvar o negócio. Para piorar o cenário, toda a narrativa da temporada se passa em um único e caótico dia em Chicago, marcado por uma tempestade torrencial que causa inundações, vazamento de canos e uma falha generalizada no sistema de reservas do restaurante.
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Crítica da temporada 5 de O Urso (The Bear)
Um retorno às origens na cozinha
Se você se sentiu exausto com o excesso de convidados famosos e episódios conceituais focados no passado na terceira temporada, pode respirar aliviado. O quinto ano de O Urso é um retorno às raízes. Ao concentrar praticamente toda a ação em um único dia e dentro das quatro paredes do restaurante, a série cria um ambiente quase claustrofóbico, em que o tempo joga contra os personagens.
Essa redução de escopo foi um acerto em cheio. Christopher Storer deixou as distrações de lado para colocar o foco em quem realmente importa: a equipe. Em vez de longas montagens ou divagações, vemos uma corrida contra o tempo onde até os detalhes técnicos acompanham a urgência.
Um dos pontos mais interessantes dessa reta final é a mudança na trilha sonora; as clássicas músicas indies deram lugar a uma trilha original propulsiva, comandada por Christian Lundberg e Hans Zimmer, que eleva a tensão do alagamento e dos problemas estruturais ao nível de um thriller de sobrevivência.

O caos e a calmaria de Carmy e Syd
A dinâmica entre Carmy e Syd sofre uma mudança drástica. Carmy, que sempre foi o motor da ansiedade do restaurante, finalmente parece entender que seu perfeccionismo custou sua saúde mental e decide dar um passo para trás.
Acompanhar a transição de Sydney, assumindo o protagonismo e a liderança no meio do olho do furacão, é um dos maiores méritos da temporada. A atriz Ayo Edebiri entrega uma atuação espetacular, equilibrando o pânico de ter que lidar com o fim do dinheiro e o caos da equipe sem perder a firmeza.
Ainda que a química entre Jeremy Allen White e Edebiri continue afiada, a temporada brinca com a tensão dessa nova realidade, onde Carmy se torna um espectro dentro da própria cozinha, relutante em soltar o osso por completo.
Crescimento dos personagens e o MVP da temporada
O grande coração dessa temporada final, no entanto, mora nos personagens secundários. Richie é, sem dúvida, o “MVP” (jogador mais valioso) desses últimos episódios. A jornada de evolução do personagem de Ebon Moss-Bachrach, que deixou de ser o cara explosivo sem propósito para se tornar o mestre da hospitalidade e o alívio cômico perfeito no meio do caos, é concluída de forma brilhante. As interações dele lidando com clientes no meio do caos do sistema fora do ar rendem as melhores risadas.
Além disso, ver Tina (Liza Colón-Zayas) e Natalie (Abby Elliott) lidando com suas próprias crises de forma madura reforça a sensação de que essa equipe se tornou uma verdadeira família. O humor ácido também se faz presente com os irmãos Fak (Matty Matheson e Ricky Staffieri), que, embora já tenham cansado um pouco parte do público no passado, entregam boas risadas com o teto caindo literalmente em suas cabeças.
Deslizes técnicos e o ritmo
Nem tudo é perfeito no jantar. A escolha de colocar todos os problemas do mundo (cano estourado, sistema caindo, falta de ingredientes) em um único dia às vezes beira o forçado. A própria linguagem estabelecida pela série – os gritos constantes, o “Sim, chef” repetitivo e as ordens sobrepostas – em alguns momentos soa mais como um maneirismo engessado do que uma tensão real, o que pode esvaziar um pouco o impacto emocional em cenas mais agitadas. Além disso, conflitos como o de Marcus (Lionel Boyce) parecem inseridos apenas para adicionar mais lenha na fogueira, soando um tanto artificiais.
Temporada 5 de O Urso (The Bear) é boa?
No fim das contas, a temporada 5 de O Urso sabe exatamente a mensagem que quer deixar. Apesar da busca incessante pela estrela Michelin e do perfeccionismo técnico que norteou a série, o desfecho nos mostra que o verdadeiro sucesso de um restaurante está nas pessoas que o mantêm de pé.
O Urso não é sobre a perfeição do prato, mas sobre curar traumas, criar laços e saber a hora certa de recomeçar. O serviço foi encerrado com dignidade, entregando uma das jornadas mais intensas, estressantes e humanas da história recente da TV. Pode fechar a conta, chef!
Onde assistir à série O Urso?
- Disney+
Trailer da temporada 5 de O Urso
Elenco de O Urso, do Disney+
- Jeremy Allen White (Carmy)
- Ayo Edebiri (Sydney)
- Ebon Moss-Bachrach (Richie)
- Liza Colón-Zayas (Tina)
- Abby Elliott (Natalie / Sugar)
- Lionel Boyce (Marcus)
- Matty Matheson (Neil Fak)
- Oliver Platt (Jimmy)
Ficha técnica
- Título: The Bear – 5ª Temporada
- Criador: Christopher Storer
- Número de episódios: 8
















