Sabe aquela sensação aconchegante de assistir a um filme adolescente em um sábado à tarde, recheado de clichês confortáveis, uma viagem de carro caótica e descobertas da juventude? É exatamente essa a proposta de Tomando Rumo (título original Driver’s Ed), o novo longa dirigido por Bobby Farrelly.
Em seu terceiro trabalho solo na direção, longe da tradicional parceria com o irmão que nos rendeu clássicos como Debi & Loide e Quem Vai Ficar com Mary?, o diretor aposta em uma fórmula nostálgica. Com claras referências aos clássicos de John Hughes e às comédias dos anos 1990 e 2000, o filme é um road movie ágil que promete divertir, mesmo sem tentar reinventar a roda.
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Sinopse
A trama acompanha Jeremy (Sam Nivola), um jovem do último ano do ensino médio, aspirante a cineasta e obcecado pela estética de Wes Anderson. Jeremy está namorando Samantha (Lilah Pate), que acabou de se mudar para fazer o primeiro ano da faculdade. Sentindo a distância esfriar o relacionamento e desesperado após uma ligação suspeita da namorada, ele toma uma atitude drástica: durante uma aula de direção, Jeremy rouba o carro amarelo da escola – um KIA – deixando o professor substituto Mr. Rivers (Kumail Nanjiani) para trás.
O grande problema é que ele não está sozinho. No banco de trás estão três colegas que não são exatamente seus melhores amigos: a certinha e oradora da turma Aparna (Mohana Krishnan), a cínica Evie (Sophie Telegadis) e o traficante de drogas e “viajandão” Yoshi (Aidan Laprete). Juntos, eles embarcam numa jornada de três horas até Chapel Hill para tentar salvar o namoro de Jeremy, enquanto são caçados pela diretora da escola, Principal Fisher (Molly Shannon), que fará de tudo para não perder sua efetivação no cargo.
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Crítica do filme Tomando Rumo
Uma viagem no tempo (com alguns buracos na pista)
Se tem uma coisa que Tomando Rumo não tenta esconder, são as suas influências. O roteiro, escrito por Thomas Moffett, exala uma energia pura do início dos anos 2000 e bebe muito da fonte de filmes como Clube Cinco. A dinâmica de colocar adolescentes de mundos diferentes em um ambiente fechado para compartilharem seus medos e descobrirem que não são tão diferentes assim funciona bem.
No entanto, diferente das comédias mais ousadas e escrachadas do passado de Bobby Farrelly, este é um longa surpreendentemente dócil e seguro. A história foca em ser amigável e fofinha, evitando riscos maiores. O maior defeito aqui é a previsibilidade gritante da narrativa: desde o início, o público sabe exatamente onde a história de Jeremy vai parar, muito antes de o próprio personagem perceber as lições que a estrada está lhe ensinando.

O elenco jovem segura o volante
O que salva a viagem de ser monótona é, sem dúvida, o quarteto principal. Sam Nivola (que recentemente brilhou em The White Lotus) entrega um protagonista extremamente carismático e natural, com um charme inegável. Mas quem rouba absolutamente todas as cenas em que aparece é Aidan Laprete como Yoshi. Suas falas curtas, humor inexpressivo (o famoso deadpan) e a melancolia escondida sob a pose de bad boy proporcionam as maiores risadas do filme.
A química entre os quatro é o motor que faz o filme andar, mesmo quando o roteiro os limita a arquétipos genéricos que não ganham o desenvolvimento profundo que mereciam. É uma delícia ver a interação ingênua deles, ainda que seja forçado o momento inicial em que todos simplesmente aceitam participar do roubo do carro sem muito questionamento.
Desperdícios e humor instável
Infelizmente, Tomando Rumo peca feio no aproveitamento de seu elenco adulto veterano. Nomes de peso na comédia como Molly Shannon e Kumail Nanjiani (e até uma ponta de Alyssa Milano) acabam reduzidos a meros acessórios caricatos. Eles funcionam apenas como obstáculos na jornada dos jovens, entregando um humor mais exagerado e pastelão que, muitas vezes, não encaixa tão bem com as descobertas sentimentais dos adolescentes no carro.
Durante o trajeto, os jovens passam por situações bem absurdas – desde adotar um gato de três patas chamado Tripé até se envolverem com assaltantes e policiais –, garantindo que o ritmo da comédia seja ágil e episódico. Algumas piadas voam baixo e esbarram em clichês desgastados, mas o tom geral é leve e flui muito rápido.
Tomando Rumo é bom?
Tomando Rumo está longe de ser um clássico instantâneo e definitivamente tem roteiro que carece de um pouco mais de polimento e originalidade. No entanto, é impossível dizer que o passeio não seja divertido.
É um filme doce, muito bem intencionado, com atuações juvenis cheias de energia e frescor. Se você quer uma dose de nostalgia, algumas risadas genuínas e não se importa com uma história redondinha que já viu antes, esta é uma ótima pedida para desanuviar a mente no final de semana.
Onde assistir ao filme Tomando Rumo?
- Prime Video
Trailer de Tomando Rumo (2026)
Elenco de Tomando Rumo, do Prime Video
- Sam Nivola
- Sophie Telegadis
- Mohana Krishnan
- Aidan Laprete
- Molly Shannon
- Kumail Nanjiani
- Lilah Pate
- Alyssa Milano
- Tim Baltz
Ficha técnica
- Título Original: Driver’s Ed
- Direção: Bobby Farrelly
- Roteiro: Thomas Moffett
- Produção: AGC Studios, Jonas Pate Inc., TFC Productions
- Distribuição: Vertical (EUA) / Amazon Prime Video (Brasil/Canadá)
- Duração: 102 minutos
- Ano de Lançamento: 2026
















