Sabe aquelas comédias românticas coreanas cheias de gritos, mal-entendidos exaustivos e reviravoltas mirabolantes? Pois é, o novo filme da Netflix, Pavana, passa bem longe disso. Dirigido por Lee Jong-pil e inspirado no livro Pavane for a Dead Princess, do autor Park Min-gyu, o longa escolhe o caminho da sutileza para contar uma história sobre pessoas rejeitadas.
Se você está procurando um romance explosivo com clichês fáceis, essa provavelmente não será a sua praia. Mas se você gosta de dramas que cozinham em fogo lento e batem fundo na nossa necessidade de conexão e empatia, vale muito a pena entender o que essa obra tem a dizer.
Sinopse
A trama gira em torno de um trio improvável de jovens que trabalha na mesma loja de departamentos. De um lado temos Mi-Jeong (Ko Ah-sung), uma garota que trabalha no porão escuro e tenta se manter invisível para escapar das humilhações diárias por ser considerada “feia” e fora dos cruéis padrões estéticos. Do outro, temos Gyeong-Rok (Moon Sang-min), um rapaz charmoso que sonha em ser dançarino, mas trabalha no estacionamento do local, e seu amigo carismático Yo-Han (Byun Yo-han).
O que parecia ser um contraste clássico entre a garota isolada e os garotos populares ganha profundidade quando Gyeong-Rok se apaixona por Mi-Jeong. Logo fica claro que a beleza e a popularidade dos rapazes escondem feridas enormes, incluindo negligência paterna e uma solidão esmagadora. Juntos, eles tentam encontrar um espaço seguro onde possam simplesmente existir.
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Crítica do filme Pavana, da Netflix
A beleza dos pequenos gestos e o peso da solidão
O grande diferencial de Pavana é a forma como constrói a intimidade. O filme não apela para grandes discursos apaixonados ou clichês onde o garoto bonito é o “salvador” da mocinha. A conexão deles nasce em gestos muito sutis: um olhar, o ato de compartilhar uma música, ou a iniciativa de tirá-la da escuridão do porão para ver um arco-íris.
O roteiro critica fortemente a obsessão tóxica por beleza na sociedade. A exclusão que Mi-Jeong sofre não é tratada apenas como um detalhe para dar pena, mas sim como uma violência real e constante. É revigorante ver que o longa foge da clássica saída de Hollywood, que seria dar um “banho de loja” na personagem para que ela milagrosamente descubra seu valor. Gyeong-Rok não tenta consertá-la; ele simplesmente a enxerga de verdade, e é justamente esse acolhimento livre de julgamentos que muda a vida dela.

Atuações que falam no silêncio
As atuações carregam o coração do filme nas costas. Ko Ah-sung entrega uma performance devastadora. A Mi-Jeong dela é falha, crua e cheia de muros de proteção, sangrando emocionalmente sem precisar derramar uma única lágrima escandalosa na tela. A dinâmica com Moon Sang-min flui muito naturalmente. Ele traz uma doçura essencial para Gyeong-Rok, mas também tem uma certa ingenuidade que mostra como a perfeição exigida dele também era uma prisão sufocante.
Ainda assim, quem traz a camada mais complexa e surreal para a história é Byun Yo-han no papel de Yo-Han. Ele age meio como o narrador não-confiável e o observador dessa relação. Embora seja super sociável, ele é tão solitário e quebrado por dentro que chega a atentar contra a própria vida após perceber que suas amizades eram totalmente superficiais. A perspectiva dele é fascinante, embora, em alguns momentos, sua presença acabe cortando o clima de romance do casal principal bem na hora em que as coisas estão engrenando.
Estética nostálgica x ritmo tropeçante
Visualmente, a produção aposta em uma estética analógica e nostálgica deliciosa. A direção de arte traz uma paleta de cores um pouco mais apagada e vintage, o que casa perfeitamente com a melancolia e com a trilha sonora focada em fitas cassete e música clássica, que atua quase como uma ponte para os sentimentos não ditos.
O problema é que o ritmo peca em alguns momentos. Especialmente na segunda metade, o filme se arrasta mais do que precisava e apresenta algumas transições de cena bastante bruscas, que quebram a conexão do público com o impacto emocional do que está acontecendo.
Quem está acostumado com o imediatismo hiperativo das plataformas de streaming pode facilmente se sentir entediado ou achar o ritmo “parado demais”. Além disso, a insistência do roteiro em focar tanto nos problemas com pais ausentes de ambos os rapazes acaba parecendo repetitiva e tira um pouco do peso dos temas centrais.
Conclusão
Apesar dos tropeços no ritmo, Pavana é um drama dolorosamente honesto sobre a juventude, amizade e vulnerabilidade. O encerramento mistura a crueldade da vida real — com o romance interrompido pela morte prematura de Gyeong-Rok em um acidente — e o conforto da ficção, mostrando que Yo-Han, cinco anos depois, finalmente encontrou a vontade de viver e eternizou seus amigos no livro de sucesso que dá título ao longa, entregando a eles o final feliz que a vida negou.
Não é uma obra focada no espetáculo. É um filme sensível para quem entende que o amor, mesmo quando dura pouco, tem força o suficiente para nos manter de cabeça erguida pelo resto da vida.
Onde assistir online ao filme Pavana?
Trailer de Pavana (2026)
Elenco de Pavana, da Netflix
- Ko A-sung
- Byun Yo-han
- Moon Sang-min

















