Poder Policial crítica do filme documentário Netflix 2024
Críticas

‘Poder Policial’ mostra que a luta por justiça e igualdade ainda está longe de terminar

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“Poder Policial” (Power), o mais recente documentário de Yance Ford lançado pela Netflix, oferece uma análise contundente e erudita da história da polícia nos Estados Unidos. Em uma era de crescente desigualdade e revolução social, este filme serve como um chamado de despertar para o mundo.

Diferente de seus trabalhos mais pessoais, como “Strong Island” e “The Color of Care”, “Poder Policial” exemplifica a habilidade de Ford em tratar questões complexas com raízes profundas, destilando-as em um pacote conciso e bem fundamentado. Este documentário de menos de 90 minutos aborda de forma incisiva as razões pelas quais as comunidades marginalizadas estão cada vez mais revoltadas com o papel da polícia na América.

Sinopse de Poder Policial (2024)

“Poder Policial” traça as origens da polícia moderna nos Estados Unidos, começando com a primeira força policial formal estabelecida em Boston em 1838. O documentário examina como as táticas e a ética antiquadas usadas por essas primeiras forças ainda permanecem hoje. Através de imagens de arquivo às vezes difíceis de assistir, entrevistas com ativistas e acadêmicos, e um passeio com um detetive negro trabalhando no mesmo distrito de Minnesota onde George Floyd foi morto, Ford explora como o colonialismo protege o capitalismo acima de tudo e como a monopolização estatal da violência legalizada pode transformar cidadãos comuns em inimigos do estado.

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Crítica do filme Poder Policial, da Netflix

“Poder Policial” é um documentário que não poupa críticas ao poder estrutural nos Estados Unidos, ilustrando como a polícia, desde sua concepção, serve principalmente para proteger a propriedade e controlar as populações marginalizadas. Ford desenha uma linha clara desde as patrulhas de escravos no sul até as modernas práticas de policiamento, argumentando que a missão principal da polícia sempre foi a de manter a ordem social em benefício dos poderosos.

A narrativa do documentário é reforçada por entrevistas perspicazes com acadêmicos e ativistas, bem como por material de arquivo que contextualiza a evolução da polícia. A inclusão de um curta-metragem de 1971, “The Police Film”, narrado por Ben Gazzara, destaca a glorificação histórica da polícia e a necessidade de manter a ordem social. O passeio com o detetive negro oferece uma perspectiva pessoal e contemporânea das tensões raciais e das práticas de policiamento.

Ford é cuidadoso em evitar erros potenciais ao apresentar seus pontos de vista, garantindo que cada fato seja apoiado e reforçado. Esta abordagem meticulosa e estudiosa permite que “Poder Policial” se destaque como um documentário que convida à reflexão, ao luto e à defesa de mudanças. A comparação com a Comissão Kerner de 1968, que identificou a pobreza, políticas falidas e racismo como problemas significativos, mas resultou apenas em um aumento do financiamento policial, é particularmente poderosa. O cineasta destaca como os Estados Unidos repetidamente falham em aprender com seus erros, perpetuando um ciclo de violência e desigualdade.

Conclusão

“Poder Policial” é um documentário essencial que tem o potencial de mudar mentes e atitudes, ou pelo menos forçar conversas difíceis e necessárias. Yance Ford, com sua abordagem estudiosa e contundente, cria uma narrativa que exige engajamento e reflexão. O filme é um convite para questionar o status quo e defender uma transformação significativa. Em uma era de crescente dissidência e divisões, o longa-metragem é um lembrete poderoso de que a luta por justiça e igualdade ainda está longe de terminar.

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Onde assistir Poder Policial?

O filme está disponível para assinantes da Netflix.

Trailer do documentário Poder Policial

Ficha técnica de Poder Policial, da Netflix

  • Título original: Power
  • Direção: Yance Ford
  • Roteiro: Yance Ford, Ian Olds
  • Gênero: documentário
  • País: Estados Unidos
  • Duração: 88 minutos
  • Classificação: 14 anos
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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