Sabe aquela série que te pega não pelos sustos baratos, mas pela atmosfera pesada que parece grudar na pele? Pois é, Por Trás da Névoa está de volta à Netflix para provar que a “névoa” (o significado literal do título em punjabi) esconde muito mais do que apenas um corpo. Depois de uma espera de quase três anos, a segunda temporada retorna ao terreno fértil das investigações no Punjab, mas com uma nova dinâmica e um elenco parcialmente renovado.
Criada por Sudip Sharma, Gunjit Chopra e Diggi Sisodia, a série mantém sua identidade visual e temática, mas expande seu escopo para dissecar a fragilidade humana, a violência estrutural e as falhas de quem deveria proteger a lei. Se você curte um suspense que cozinha em fogo baixo e te deixa pensando na vida depois dos créditos, senta que lá vem história.
Sinopse
A trama muda de cenário para a cidade de Dalerpura, onde a brutalidade dá as caras logo cedo. Preet Bajwa (Pooja Bhamrrah), uma mulher NRI (indiana não residente) recém-separada, é encontrada morta de forma grotesca — empalada em um cortador de grama — dentro do celeiro de seu próprio irmão, Baljinder.
Para desenrolar esse nó, entra em cena a nova Subinspetora Dhanwant Kaur (Mona Singh), uma policial que carrega o peso do mundo e de seus próprios traumas nas costas. Ela tem como parceiro o nosso conhecido ASI Amarpal Garundi (Barun Sobti), que foi transferido e tenta (nem sempre com sucesso) deixar seu passado caótico para trás.
Enquanto investigam a lista de suspeitos — que vai do marido exilado na América até disputas de terras familiares —, uma trama paralela corre pelas beiradas: a jornada de Arun, um jovem migrante de Jharkhand procurando desesperadamente pelo pai desaparecido há 20 anos.
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Crítica da temporada 2 de Por Trás da Névoa
A química do caos
A grande sacada dessa temporada é, sem dúvida, a dinâmica entre os protagonistas. A chegada de Mona Singh como Dhanwant Kaur foi um acerto em cheio. Ela entrega uma performance contida, daquelas que falam pelos olhos. Dhanwant não é apenas uma policial durona; ela é uma mãe em luto pela perda do filho, lidando com um casamento que está desmoronando e a pressão de tratamentos de fertilização in vitro.
Do outro lado, temos o retorno de Barun Sobti como Garundi. Ele continua com aquele charme meio malandro, servindo como um contraponto mais “cinético” à postura estóica da chefa. A relação deles evolui de uma hierarquia fria para uma empatia silenciosa — tipo quando ele oferece água quando ela passa mal, ou quando ela entende que ele precisa de tempo para a família. É fascinante ver como a série humaniza a polícia sem glorificá-la; ambos estão quebrados, física ou moralmente, tentando fazer o trabalho enquanto suas vidas pessoais implodem.

A névoa social e o patriarcado
O crime em Kohrra é sempre a ponta do iceberg. A série usa a investigação para cutucar feridas profundas da sociedade indiana, especialmente o patriarcado e a hierarquia. A vítima, Preet, é pintada como a “mulher problema” só porque ousou reivindicar sua parte na herança do pai e bater de frente com os homens da família.
O roteiro é sagaz ao mostrar como a violência de gênero e a opressão não precisam ser sempre físicas; elas vivem nos detalhes. É o irmão que acha que a irmã “deve saber o seu lugar”, ou o marido que responde pela esposa durante um interrogatório.
Além disso, a trama toca em um ponto nevrálgico e perturbador: a escravidão moderna e o trabalho forçado, representados pela busca dolorosa de Arun pelo pai, mostrando como certas vidas são tratadas como descartáveis pelos poderosos.
Ritmo e escolhas técnicas
Não espere perseguições frenéticas a cada cinco minutos. Por Trás da Névoa aposta em um ritmo cadenciado, quase severo, recusando o espetáculo gratuito em favor de uma observação minuciosa da vida real. A cinematografia com paletas mudas e interiores “vívidos” ajuda a criar essa sensação de sufocamento e melancolia.
Mas a série sabe quando soltar a tensão. Tem uma cena de perseguição brilhante ao som de “Ishq Tera Tadpave”, do Sukhbir, que mistura a batida energética da música com uma letra triste, criando um contraste perfeito com a ação. É esse tipo de detalhe que mostra o cuidado da direção em criar uma identidade própria, fugindo dos clichês de ação genéricos.
O veredito do mistério
Se tem algo que pode dividir opiniões, é a resolução final. Para alguns, o desfecho pode parecer um pouco conveniente ou exaustivo, como se a narrativa tivesse feito um desvio suave para conseguir fechar a conta. A revelação final foca menos na engenhosidade criminosa e mais no sedimento emocional deixado pela tragédia.
Ou seja, o “quem matou” importa menos do que o “por que o ambiente permitiu que isso acontecesse”. Se você precisa de um final fechadinho com laço de fita, pode sentir uma leve frustração, mas a jornada emocional compensa qualquer tropeço no roteiro.
Conclusão
A temporada 2 de Por Trás da Névoa prova que a Netflix tem ouro nas mãos quando investe em produções regionais que respeitam a inteligência do público. É uma obra madura, que usa o formato de true crime fictício para fazer um estudo de personagem brutal e honesto.
Com atuações estelares de Mona Singh e Barun Sobti, a série mergulha na escuridão não para assustar, mas para iluminar as falhas de um sistema e as fragilidades de quem vive nele. Pode ser uma maratona emocionalmente exaustiva devido à densidade dos temas, mas é, sem dúvida, uma das produções mais sofisticadas e necessárias do ano. Assista pela investigação, fique pelo drama humano.
Onde assistir à temporada 2 de Por Trás da Névoa?
Trailer da 2ª temporada de Por Trás da Névoa
Elenco da segunda temporada de Por Trás da Névoa
- Mona Singh
- Barun Sobti
- Rannvijay Singha
- Anuraag Arora
- Pooja Bhamrah
- Prayrak Mehta
- Pradhuman Singh
- Suvinder Vicky
- Manish Chaudhari
- Varun Badola

















