Se você acompanhou a saga da família de Yak até aqui, sabe que os caras não têm um minuto de paz. “Quando a Morte Sussurra 3” (ou Tee Yod 3, para os íntimos) chegou à Netflix com a promessa de encerrar esse ciclo de maldições que virou febre no terror tailandês. Mas, vou logo avisando: se você espera aquele terror de se esconder debaixo do cobertor igual ao primeiro filme, pode se surpreender — e não necessariamente de um jeito ruim.
É que a franquia decidiu chutar o balde e abraçar o caos, misturando o medo sobrenatural com uma pegada de filme de ação que lembra até Indiana Jones com magia negra,. Vamos desenrolar essa história (com cuidado nos spoilers pesados) e ver se esse desfecho vale o seu tempo.
Sinopse
A trama nos joga em 1978, três anos depois daquela confusão toda do segundo filme. Yak está tentando seguir a vida e planeja voltar para o exército, mas a calmaria dura pouco. A irmã caçula, Yee, perde um dente de leite e, numa cena bizarra, uma mão monstruosa rouba o dente do telhado. Pouco depois, a menina é sequestrada por um espírito maligno na escola, forçando Yak, seus irmãos (Yos e Yod) e o fiel escudeiro Sargento Paphan a irem atrás dela.
A busca os leva até a floresta amaldiçoada de Bongsanodbiang, um lugar onde a bússola moral e a sanidade vão pro espaço,. Lá, eles descobrem que não estão lidando apenas com um fantasma aleatório, mas com o Espírito Negro (Dà Yǒu), uma entidade com uma origem que remonta a uma mulher birmanesa injustiçada em 1825 e despertada novamente por uma xamã vingativa chamada Mawae. O objetivo? Usar Yee como hospedeira para garantir a imortalidade desses espíritos.
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Resenha crítica do filme Quando a Morte Sussurra 3
De vítima a “Rambo” Caça-Fantasmas
O que mais chama a atenção nessa sequência é a evolução do Yak. Esqueça aquele protagonista que só foge; aqui o cara virou um verdadeiro herói de ação. Interpretado novamente pelo ótimo Nadech Kugimiya, Yak está exausto, mas determinado, carregando a culpa e o peso de proteger o que restou da família,. É interessante ver como o filme se apoia nessa performance física e emocional. Ele não luta só com rezas; o negócio agora envolve balas revestidas de mercúrio e facas ungidas com fluidos sagrados de um parto.
Essa mudança de tom transformou o filme em algo que alguns críticos chamaram de “terror de ação”. Temos perseguições em cavernas, lutas corporais contra possuídos e um ritmo que, no ato final, vira uma montanha-russa frenética. Para quem curte uma adrenalina, é um prato cheio, lembrando clássicos como Evil Dead quando os heróis resolvem revidar.
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A mitologia expande (talvez até demais)
O roteiro se esforça muito para explicar o “porquê” de tudo. Finalmente entendemos a origem do Espírito Negro: uma mãe que perdeu o filho para tropas britânicas no século XIX e, cheia de ódio, amaldiçoou tudo antes de ser selada. Essa tentativa de dar profundidade e criar uma mitologia densa é louvável e adiciona uma textura trágica à história, tirando o vilão daquela caixa de “mal genérico”.
Porém, essa vontade de explicar tudo cobra um preço. O filme sofre com problemas de ritmo, especialmente no meio, onde a exposição da história trava um pouco a ação. Às vezes, parece que o roteiro quer tanto ser épico e fechar todas as pontas que acaba ficando meio repetitivo, com personagens avisando o tempo todo sobre o perigo e Yak ignorando para seguir em frente.
Atmosfera, som e os novos diretores
Houve uma troca na cadeira de direção: sai Taweewat Wantha e entram Narit Yuvaboon e Thanadet Pradit,. A boa notícia é que eles mantiveram a identidade visual sombria e claustrofóbica. A fotografia na floresta e nas cavernas usa sombras profundas que te deixam procurando perigo nos cantos da tela.
O design de som continua sendo a estrela da companhia. Os sussurros (“Tee Yod”) e os ruídos ambientes criam um desconforto constante, muitas vezes mais eficaz do que os sustos visuais,. Aliás, sobre os sustos: aqui o filme divide opiniões. Enquanto a atmosfera é pesada, alguns jump scares (aqueles sustos repentinos) são bem previsíveis e podem não funcionar para quem já é macaco velho em filmes de terror.
O peso emocional e o papel das mulheres
Não dá para ignorar a força das personagens femininas. Embora Yak seja o “tanque” da equipe, são as mulheres — Yad, Yee e até a vilã Mawae — que carregam a complexidade emocional e o trauma geracional da trama. A vilã Mawae, por exemplo, tem uma motivação distorcida, mas humana: ela quer proteger sua terra e viver para sempre, nem que para isso precise apagar a humanidade.
O desfecho também traz um peso dramático real. Não é aquele final feliz de comercial de margarina. Há sacrifícios dolorosos — a morte do Sargento Paphan, por exemplo, é um golpe duro para a “família Y” e para o público, servindo como um fechamento emocional para o arco de companheirismo dele com Yak. A cena pós-créditos, focando na filha do Sargento, Nampetch, já deixa o gancho preparado para um futuro spin-off, mostrando que a franquia não pretende largar o osso tão cedo.
Conclusão
“Quando a Morte Sussurra 3” é um encerramento digno, mas imperfeito. Ele troca o medo paralisante dos primeiros filmes por uma abordagem de sobrevivência e combate que pode frustrar quem queria puro horror, mas vai agradar quem gosta de ver o herói descendo a porrada em demônio,.
Apesar de alguns momentos arrastados e de uma trama que às vezes parece querer abraçar o mundo com as pernas, o filme entrega performances sólidas e uma conclusão que respeita a jornada dos personagens. Se você quer fechar o ciclo da família de Yak e ver como tudo isso acaba (com direito a muito sangue e mercúrio), vale o play na Netflix. É uma despedida barulhenta, tensa e, acima de tudo, emocionante.
Onde assistir ao filme Quando a Morte Sussurra 3?
Trailer de Quando a Morte Sussurra 3 (2025)
Elenco de Quando a Morte Sussurra 3, da Netflix
- Nadech Kugimiya
- Ongart Cheamcharoenpornkul
- Kajbhunditt Jaidee
- Peerakit Phacharaboonyakiat
- Denise Jelilcha Kapaun
- Nutthatcha Nina Jessica Padovan
- Manita Chobchuen
- Paramej Noiam
- Arisara Wongchalee
- Duangjai Hiransri

















