O que justifica refilmar um clássico? Nessa versão brasileira de Quarto do Pânico (2025), a diretora Gabriela Amaral Almeida (O Animal Cordial e A Sombra do Pai) busca responder a essa provocação ao criar uma narrativa feminina ancorada nas múltiplas realidades de nosso país.
Apresentado no Festival do Rio em 2025, o longa-metragem é uma releitura do aclamado thriller de David Fincher, originalmente estrelado por Jodie Foster e Kristen Stewart.
Sinopse
A trama acompanha uma noite na vida de Mari (Isis Valverde) e Bel (Marianna Santos), mãe e filha que se mudam para uma casa equipada com um quarto do pânico: um cômodo fortificado, projetado para situações de perigo.
Logo na primeira noite, a residência é invadida por três ladrões, obrigando as duas a se esconderem no espaço. A tensão escala quando fica claro que o objetivo dos criminosos é recuperar algo que está dentro do refúgio.
Crítica do filme Quarto do Pânico (Brasil)
A principal diferença entre as duas produções está na ideia de segurança que cada país projeta em seus imaginários coletivos. A história original se passa nos Estados Unidos, e o filme traz o medo da invasão como algo ligado à elite, que investe em sistemas de vigilância para proteger estilos de vida privilegiados.
Já na versão do Brasil, a invasão domiciliar não é tratada como uma ameaça distante, mas como um risco constante, alimentado por experiências traumáticas do passado das personagens. Dessa forma, o longa se afasta da roupagem estadunidense e aposta na essência da história: o contexto e o desenvolvimento de cada personagem.
Há também uma dimensão simbólica que aproxima o filme da cultura brasileira: a casa é viva. Diferente do ceticismo que sustenta a obra de Fincher, aqui a mansão se torna parte ativa da história. Luzes piscantes, ruídos no assoalho, e o jogo de luz e sombra reforçam a sensação de que o perigo está tanto no que se vê quanto no que se sente.

Perspectiva feminina
Esse olhar se conecta diretamente à perspectiva feminina proposta pela diretora. Dados recentes indicam que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2025, então a casa funciona como um espelho dos traumas das mulheres que a habitam.
Assim, ao recontar uma história de invasão sob essa ótica, o filme acende uma luz sobre um medo inerente à natureza feminina: o da violação. Nesse sentido, Mari se distancia da heroína clássica e se apresenta, antes de mais nada, como uma mulher e uma mãe, movida pela urgência de sobreviver.
Em coletiva de imprensa, a produção definiu o longa como um “thriller tropical”: tenso, mas atravessado pelo calor do afeto e da emoção. Então, o que justifica a releitura de clássicos é justamente a necessidade de incorporar novas perspectivas, e Quarto do Pânico faz isso com estilo.
Onde assistir ao filme Quarto do Pânico (Brasil)?
- O filme estreia no Telecine no dia 13 de fevereiro de 2026 – disponível no Globoplay, Prime Video Channels e via operadoras;
- Superestreia no Telecine Premium, no dia 14/02, às 22h;
- Estreia no Telecine Pipoca, no dia 15/02, às 20h
Trailer de Quarto do Pânico, com Isis Valverde
Elenco do filme Quarto do Pânico, de 2025
- Isis Valverde
- André Ramiro
- Caco Ciocler
- Clarissa Kiste
- Dudu Oliveira
- Leopoldo Pacheco
- Marco Pigossi
- Marianna Santos


















Excelente crítica! Achei muito interessante como você abordou a perspectiva feminina dentro do suspense, fez total diferença na leitura do filme!