Há um instante de melancolia poética que toma conta das salas escuras quando os letreiros finais anunciam o término de uma maratona cinematográfica. A edição 2026 do Festival do Rio encerrou oficialmente suas atividades regulares no domingo, 11 de outubro, após 10 dias de celebração ininterrupta que levaram mais de 350 produções ao público carioca.
Contudo, a experiência cinematográfica ganha uma sobrevida luxuosa: entre os dias 12 e 14 de outubro, a cidade recebe a tradicional repescagem com exibições que acolhem tanto os espectadores que não conseguiram assento nas sessões concorridas quanto aqueles que buscam rever as obras mais comentadas do ano.
O circuito ganha fôlego renovado com a ampliação dos espaços. Além das tradicionais salas do Estação Claro Rio (em Botafogo) e do Estação Claro Gávea, o evento incorpora sessões extras no Cinesystem Belas Artes Botafogo, desenhando um roteiro generoso para quem deseja prolongar a imersão na sétima arte.
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A consagração no Cine Odeon e o caminho para o Oscar 2027
A grande força desta repescagem reside na revelação dos títulos que conquistaram o cobiçado Troféu Redentor, anunciados na noite de domingo no emblemático Cine Odeon. A segunda-feira, 12 de outubro, foi integralmente desenhada para projetar esses destaques da Première Brasil, abrangendo longas, curtas, documentários e os projetos condecorados com o Prêmio Felix, distinção voltada a narrativas de temática LGBTQIAPN+.
O ápice dessa consagração é A Margem do Rio, dos cineastas Enock Carvalho e Matheus Farias, apontado como o grande vencedor da edição. Ao lado dele, dividem as atenções obras que já despontam nos radares da temporada internacional do Oscar 2027: o aguardado drama Cavalo Selvagem Nove, assinado pelo britânico Martin McDonagh, e a produção nacional Feito Pipa, dirigida pelo cearense Allan Deberton.
O cardápio autoral se completa com nomes venerados do cinema moderno e contemporâneo, a exemplo de Werner Herzog, Mike Leigh, Jacques Deray, Léa Mysius e Wim Wenders, este último contemplado tanto em documentário arquitetônico quanto em um programa especial de curtas.
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Repescagem do Festival do Rio 2026: regras de acesso, ingressos e pacotes
Para os espectadores que pretendem garantir presença, os ingressos já foram disponibilizados diretamente no portal oficial do Festival do Rio, com exceção das sessões reservadas aos filmes premiados.
Quem adquiriu os pacotes de ingressos durante a fase principal do festival pode utilizar os códigos promocionais normalmente nas salas da repescagem. Além disso, em cumprimento à política de democratização e fluxo de público, uma cota de 10% dos lugares permanece resguardada para comercialização física nas bilheterias no próprio dia de cada exibição.
Programação da repescagem do Festival do Rio 2026
Abaixo, detalhamos o itinerário dia a dia com salas, horários e realizadores:
Segunda-feira, 12 de outubro: filmes premiados e sessões especiais
Estação Claro Rio 3 (Botafogo)
- 14h00: Cadu Barcellos – Cria não morre, vira lenda, de Wagner Novais / Pardo é Papel, de Alexis Zelensky
- 16h15: O Filho da Puta, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite
- 18h30: Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo
- 20h45: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins
Estação Claro Rio 4 (Botafogo)
- 14h00: Mounir, de Juliana Borges
- 16h30: A Piscina, de Jacques Deray
- 18h45: Ondas de Silêncio, de Caio J. Bonfim / O Deserto de Luiza, de Alan Minas
- 21h00: Morfeu e Caronte, de Jocimar Dias Jr e Luiz Ulian / Não Estamos Sonhando, de Ulisses Arthur
Estação Claro Rio 5 (Botafogo)
- 14h30: De Dentro para Fora – A Arquitetura de Peter Zumthor, de Wim Wenders
- 16h45: Histórias Noturnas, de Léa Mysius
- 19h00: Elza, de Eryk Rocha
- 21h30: Santo, de Maria Luísa Alves / A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias
Estação Claro Gávea 5
- 14h45: Filho da Poeira (Child of Dust), de Weronika Mliczewska
- 16h45: As Crianças Estão Bem (Les Enfants Vont Bien), de Nathan Ambrosion
- 19h15: Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete
- 21h45: Sem Dor (No Pain), de Gianni Amelio
Sessões extras: Cinesystem Belas Artes Botafogo 6
- 14h00: Rose, de Markus Schleinzer
- 16h00: Covarde (Coward), de Lukas Dhont
- 18h00: Josephine – Fragmentos de um Crime (Josephine), de Beth de Araújo
- 20h30: A Bola Preta, de Javier Calvo e Javier Ambrossi

Terça-feira, 13 de outubro: narrativas globais e experimentações
Estação Claro Rio 3 (Botafogo)
- 14h00: Amazomania, de Nathan Grossman
- 16h15: In Waves, de Phuong Mai Nguyen
- 19h15: O Resto é Ruído (Everything Else is Noise), de Nicolas Pereda
- 20h45: A Mãe Bruxa (Motherwitch), de Minos Papas
Estação Claro Rio 4 (Botafogo)
- 14h15: Só os Rebeldes Vencem (Only Rebels Win), de Danielle Arbid
- 16h00: Lavanderia (Laundry), de Zamo Mkhwanazi
- 18h45: Jean-Michel Basquiat, de Quinn Whitney Wilson e Viridiana Lieberman
- 21h00: Cassowary, de Zhang Hanyi
Estação Claro Rio 5 (Botafogo)
- 14h30: Amor Bruto (Tough Love), de Rosa von Praunheim
- 16h45: Glaxo, de Benjamín Naishtat
- 19h00: O Casamento de Djinn (Djinn Wedding), de Ferit Karahan
- 21h30: Holy Wood Dust (Trillion), de Victor Kossakovsky
Estação Claro Gávea 5
- 14h45: Sou Mario (Soy Mario), de Sharon Kleinberg
- 16h45: Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Seis Meses en el Edificio Rosa con Azul), de Bruno Santamaría Razo
- 19h15: Cavalo Selvagem Nove (Wild Horse Nine), de Martin McDonagh
- 21h45: Bucking Fastard, de Werner Herzog

Quarta-feira, 14 de outubro: o fecho das cortinas
Estação Claro Rio 3 (Botafogo)
- 14h00: Parasita do Coração (Heartworm), de Miriam Louise Arens e Mitchell Arens
- 16h15: Discípulo: A História de Cilvaringz (The Disciple), de Joanna Natasegara
- 18h30: Feito Pipa, de Allan Deberton
- 20h45: Quem Matou Narciso? (Narciso), de Marcelo Martinessi
Estação Claro Rio 4 (Botafogo)
- 14h00: Furies (Wolves), de Rami Kodeih
- 16h30: Your Mother Your Mother Your Mother, de Bassam Tariq
- 18h45: Making Marie Antoinette, de Eleanor Coppola
- 21h00: Zona Zero (Colony), de Yeon Sang-ho
Estação Claro Rio 5 (Botafogo)
- 14h30: Sr. Nelson, o Senhor Matou Pessoas? (Mr. Nelson, Did You Kill People?), de Shinya Tsukamoto
- 16h45: Paraíso – Entre Duas Margens (Paradise), de Jérémy Comte
- 19h00: Cidade das Almas Perdidas (City of Lost Souls), de Rosa von Praunheim
- 21h15: Programa de Curtas Wim Wenders (Wim Wenders Shorts Program), de Wim Wenders
Estação Claro Gávea 5
- 15h00: Dau, de Ilya Khrzhanovsky
- 19h15: Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner
- 21h45: Tender Loving Care, de Mike Leigh

A vitalidade e o legado do maior festival da América Latina
A longevidade do Festival do Rio atesta sua condição inegociável de polo difusor da cultura cinematográfica. Desde que iniciou sua jornada em 1999, o evento acumulou um acervo de mais de 7 mil longas-metragens nacionais e internacionais exibidos na capital carioca, estabelecendo uma ponte viva com mostras veneradas pelo mundo afora, como Cannes, Berlim, Veneza e Toronto.
Em paralelo à exibição em sala, o evento articula o RioMarket, espaço de debates econômicos, formação e conexões executivas para acadêmicos, produtores e empresários do setor audiovisual.
Toda essa engrenagem é viabilizada pela realização conjunta do Cinema do Rio e do Ministério da Cultura, com apresentação do Ministério da Cultura, da Shell e da Prefeitura do Rio. A iniciativa conta com o patrocínio master da Shell por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), apoio especial da Prefeitura do Rio através da RioFilme (vinculada à Secretaria Municipal de Cultura) e apoio institucional da Embratur, Netflix, Fundação Itaú e Ford Foundation.
Para os amantes do cinema que ainda desejam saborear a atmosfera dos festivais antes que a rotina retome seu curso, a repescagem é o melhor refúgio possível.














