Resident Evil ganha um reboot cinematográfico conduzido pelo diretor Zach Cregger, conhecido por suas realizações no gênero com Noites Brutais (2022) e A Hora do Mal (2025), cujo roteiro foi escrito em parceria com Shay Hatten (John Wick 3: Parabellum e John Wick 4: Baba Yaga).
Distribuído pela Sony Pictures por meio do selo Columbia Pictures, o projeto se desenvolve sob uma ambientação invernal e propõe uma perspectiva original e tangencial ao universo dos jogos. A narrativa opta por se distanciar dos protagonistas tradicionais da franquia para observar a tragédia causada pela Umbrella Corporation a partir da vivência de pessoas comuns no epicentro do desastre.
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Sinopse
Durante o trágico colapso biológico de Raccoon City, Bryan (Austin Abrams), um ordinário mensageiro de suprimentos médicos, se vê preso no meio de uma corrida frenética pela sobrevivência.
Sem treinamento militar ou habilidades extraordinárias, ele precisa atravessar uma cidade dominada pelo caos e por criaturas assustadoras para realizar uma última entrega que pode conter a chave para conter o surto. Contudo, em um cenário onde o contágio avança sem piedade, a linha entre cumprir sua missão e se tornar mais uma vítima da Umbrella Corporation fica cada vez mais tênue.
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DNA de Survival Horror
O primeiro ato se destaca pela direção de Zach Cregger, que estabelece com clareza uma atmosfera de tensão e pesadelo durante seus minutos iniciais, com o protagonista em uma estrada gelada e deserta. Apesar de não adaptar a história de um jogo específico da franquia, a produção resgata a essência do survival horror.
Nesse trecho, o longa consegue transportar o público para a dinâmica dos videogames por meio do racionamento constante de munição, do confronto com criaturas ameaçadoras e do receio permanente ao explorar cenários claustrofóbicos onde o perigo é iminente. Essa construção de apreensão funciona muito bem. Porém, esse início promissor se desfaz aos poucos.

Quebra de imersão pelo excesso de humor
Essa atmosfera de suspense perde força devido ao uso excessivo de alívios cômicos ao longo da narrativa. Embora breves momentos de humor inseridos de forma natural sejam compreensíveis, a alta frequência de piadas compromete a gravidade necessária para o terror.
Essa oscilação constante prejudica a imersão do público e enfraquece o clima assustador que havia sido construído nas sequências iniciais. Com isso, a ameaça perde o seu impacto, transformando o perigo em algo distante de provocar medo genuíno.
A virada narrativa sobre a carga
A narrativa ganha interesse ao trabalhar o mistério em torno do objetivo central do protagonista. Inicialmente, o público é levado a crer que Bryan transporta apenas um órgão destinado a um transplante de emergência, premissa que dificilmente justificaria os riscos extremos assumidos durante o caos da cidade, quando o mais razoável seria recuar.
Essa percepção muda quando a verdadeira natureza da encomenda é revelada: o material transportado é a matéria-prima indispensável para a síntese da cura no Hospital Geral de Raccoon City. Essa virada redefine o peso da missão, transformando um transporte funcional em uma corrida urgente da qual depende a salvação de todos.

A desconstrução do clímax e o final (SPOILERS)
No terceiro ato, o ritmo muda, trocando a apreensão anterior por um horror de transformação física exagerado. No clímax dentro do laboratório, o antivírus é sintetizado, mas a contaminação do protagonista, infectado por uma menina na metade da aventura, atinge um ponto irreversível. Bryan sofre uma mutação grotesca e ataca a equipe técnica. O último cientista vivo tenta injetar a cura, mas é morto antes de concluir o processo.
Durante o ataque, o frasco cai de uma grande altura, deixando incerto se o antídoto foi destruído na queda ou se ficará perdido para sempre no local. Esse desfecho descamba para um tom excessivo que compromete tudo o que tinha sido construído na história, desapontando ao descartar o propósito trabalhado ao longo da jornada.
Considerações finais sobre o desfecho divisivo
A escolha de encerrar a trama sem qualquer traço de esperança resulta em um desfecho bastante divisivo. Ao negar uma recompensa ao esforço do protagonista e anular a possibilidade de salvação, a narrativa assume um tom pessimista que anula o senso de conquista.
Essa decisão deixa no ar um questionamento inevitável sobre o propósito de toda a jornada de sofrimento apresentada, cabendo ao público decidir se a recusa de um final feliz funciona como uma subversão válida das convenções do gênero ou se entrega apenas uma conclusão frustrante.
Afinal, Resident Evil (2026) é bom?
Resident Evil entrega uma experiência que oscila entre a fidelidade às origens do terror de sobrevivência e escolhas narrativas questionáveis. O trabalho de Zach Cregger demonstra competência ao construir uma atmosfera inicial de tensão, mas o resultado final é prejudicado pelo excesso de alívios cômicos e por um terceiro ato que perde o controle do seu tom.
Ao apostar em um desfecho árido e sem perspectiva de salvação, o longa deixa a sensação de que o esforço do seu protagonista foi em vão, dividindo opiniões entre quem busca a subversão das convenções do gênero e quem esperava uma conclusão mais equilibrada.
Ficha técnica
| Informação | Detalhe |
| Título Original | Resident Evil |
| Ano de Lançamento | 2026 |
| Data de Estreia | 17 de setembro de 2026 |
| País de Origem | Estados Unidos |
| Duração | 90 minutos |
| Classificação Indicativa | 18 anos |
| Gênero | Terror / Ficção Científica / Sobrevivência / Suspense |
| Direção | Zach Cregger |
| Roteiro | Zach Cregger e Shay Hatten |
| Elenco | Austin Abrams (como Bryan), Zach Cherry, Kali Reis |
| Distribuição | Sony Pictures / Columbia Pictures |
| Baseado em | Franquia de jogos eletrônicos Resident Evil (Capcom) |
| Ambientação | Raccoon City (inverno) |














