Depois de anos de espera (e de um final na terceira temporada que parecia definitivo), a Netflix resolveu ressuscitar — literalmente — a nossa anti-heroína favorita. A temporada 4 de “Rosario Tijeras” chegou com a promessa de ser um épico de ação e drama, trazendo Bárbara de Regil não só como protagonista, mas também como produtora executiva.
A série estreou quebrando tudo e pegando o Top 1 em 14 países, mas será que essa volta toda justificou as 40 horas de maratona? A resposta é complicada. A temporada entrega a adrenalina que a gente ama, mas tropeça feio em dramas adolescentes e numa extensão de episódios que testa a paciência de qualquer fã.
Sinopse
Para quem não lembra, a gente achou que a Rosario tinha morrido na explosão da temporada passada. Mas, como vaso ruim não quebra (e contratos com a Netflix precisam ser cumpridos), descobrimos que ela sobreviveu. A trama dá um salto no tempo e agora o foco é a busca desesperada de Rosario por sua filha, Ruby, que já é uma adolescente de 17 anos.
A vida de Ruby vira de cabeça para baixo quando seus pais adotivos são assassinados, e Rosario precisa se infiltrar num abrigo para tentar proteger a menina. O problema? Ruby não sabe quem é sua mãe biológica e, quando descobre, a rejeição é imediata.
No meio disso tudo, temos novos vilões como “El Papi” e o sinistro Don Américo, além do retorno de figuras do passado. E claro, Rosario se vê novamente dividida entre dois amores: o psicólogo Juan Antonio e o policial infiltrado Gael.
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Crítica da temporada 4 de Rosario Tijeras
De “John Wick” mexicana ao formato novela
A primeira coisa que salta aos olhos é a entrega física de Bárbara de Regil. A mulher não veio para brincadeira. Ela dispensou dublês na maioria das cenas, treinou jiu-jitsu e artes marciais, e disse abertamente que queria ser uma versão feminina do John Wick. E isso funciona muito bem. As cenas de ação são viscerais e realistas, uma lufada de ar fresco numa produção que poderia cair no melodrama barato.
No entanto, a decisão de fazer uma temporada com 40 episódios foi um tiro no pé. Diferente de séries mais ágeis como Round 6, aqui a coisa se arrasta. Tem momento que parece que o editor desistiu e deixou rolar. A trama fica presa num ciclo vicioso de sequestros, fugas e tiroteios que, lá pelo episódio 30, já cansou a beleza de quem assiste. A estrutura ficou muito parecida com uma novela clássica, cheia de “encheção de linguiça” e histórias secundárias desnecessárias.

O problema chamado Ruby
Se a Rosario brilha, a filha dela é um teste de resistência para o espectador. A Ruby é, sem rodeios, a personagem mais irritante (“castrosa”) da temporada. Enquanto quase todos os outros personagens — como a amiga Claudia ou até o pessoal do abrigo — mostram algum crescimento ou aprendizado, a Ruby passa a temporada inteira emburrada, tomando decisões estúpidas e sendo ingrata.
A dinâmica mãe e filha, que deveria ser o coração emocional da temporada, acaba sendo frustrante. A menina rejeita a mãe o tempo todo, cai na lábia de qualquer bandido (literalmente se apaixonando pelo irmão do vilão) e não tem carisma nenhum. É difícil torcer por ela, e em vários momentos você se pega pensando: “Rosario, deixa essa menina pra lá e vai viver sua vida”.
Reciclagem de roteiro e vilões
A sensação de déjà vu é forte. Parece que pegaram o roteiro da primeira temporada e deram uma remixada. Temos novamente a Rosario dividida entre dois homens (um policial e um civil, lembrando muito a dinâmica Emilio/Antonio), vilões perseguindo garotas adolescentes e a protagonista fugindo eternamente.
A volta de certos vilões, como o Güero (León Elías), divide opiniões. Por um lado, traz aquele peso do passado; por outro, soa forçado trazer um cara que estava preso nos EUA só para justificar mais caos. E o final? Bom, o desfecho deixa um gancho enorme para uma quinta temporada, com o Güero manipulando a Ruby para odiar a mãe, o que sugere que a próxima fase pode ser uma briga de “mãe contra filha”.
Conclusão
“Rosario Tijeras 4” é uma montanha-russa. Tem uma produção visual impecável e uma Bárbara de Regil que carrega a série nas costas com seu carisma e preparo físico. Para os fãs “raiz”, mata a saudade e diverte com a ação desenfreada. Porém, o formato inchado de 40 episódios e uma coadjuvante insuportável tiram muito do brilho da obra.
A série termina deixando várias pontas soltas e um gosto de que poderia ter sido resolvida em metade do tempo. Se você tiver paciência para pular as partes chatas e focar na ação, vale a pipoca, mais pelo esforço da protagonista do que pelo roteiro em si.
Onde assistir à temporada 4 de Rosario Tijeras?
Trailer da 4ª temporada de Rosario Tijeras
Elenco da quarta temporada de Rosario Tijeras
- Bárbara de Regil
- Sebastián Martínez
- Juan Pablo Campa
- Verónica Langer
- Harold Azuara
- Pamela Almanza
- Marina Ruíz
- Alejandro Guerrero
- Marco León
- Nikole Barajas

















